Multi-Racing Championship (Nintendo 64)

Continuando pelas rapidinhas, hoje trago cá um jogo de corridas para a Nintendo 64 que sempre me passou despercebido. O seu nome é estranho: Multi Racing Championship. Na verdade, a parte “multi” da coisa não é referente a múltiplas variedades de desportos motorizados, mas sim em corridas que misturam o off road com corrida em estrada. O meu exemplar foi comprado no mês passado, num bundle de vários cartuchos SNES e Nintendo 64 que comprei a meias com um amigo meu, tendo-me ficado a um preço muito em conta, menos de 1€ por cada cartucho.

Apenas cartucho

Mas infelizmente este não é dos melhores jogos de corrida que podem ter na Nintendo 64. Por um lado pela pouca variedade, existindo apenas 3 circuitos onde correr. Existe no entanto uma maior variedade de modos de jogo, o que me faz lembrar alguns dos Ridge Racers mais antigos. Mas ao contrário de jogos como o Sega Rally e Ridge Racer que tinham pouco conteúdo, este não possui uma jogabilidade tão boa quanto os clássicos. Temos à nossa disponibilidade 2 tipos diferentes de carros: todo-o-terreno e de estrada. Como as pistas são sempre mistas em pavimento alcatroado e terra/neve ou mesmo água, nem sempre os carros possuem vantagens. Fora de estrada, os veículos todo o terreno possuem uma vantagem natural em conseguir fazer melhor as curvas apertadas, enquanto que em piso alcatroado os carros de estrada atingem velocidades maiores. Cada carro pode ser customizado numa série de parâmetros como pneus, suspensões, aerodinâmicas, entre outros, o que poderá fazer a diferença mediante o circuito escolhido. Mas com apenas 3 pistas, nem valia a pena darem-se tanto ao trabalho…

Graficamente o jogo nem está nada mau

Existem vários modos de jogo como o Free Run e o Time Trial que consistem em modos de corrida livre para practicar, ou um contra-relógio para treinar os tempos. O vs é um modo multiplayer para 2 jogadores em splitscreen e os modos de jogo principais são mesmo o Championship e o Match. O primeiro, ao contrário do que se pensa, não é mesmo um campeonato, mas sim uma espécie de modo arcade, onde corremos num sistema de check-points com o relógio em contagem decrescente e teremos de ultrapassar os 9 oponentes ao longo de 3 voltas. Terminando a corrida voltamos ao ecrã inicial, onde poderemos outro modo de jogo ou outra corrida no modo campeonato. Vencendo as 3 corridas no modo campeonato desbloqueamos o Match, onde poderemos competir contra um único rival e desbloquear o seu carro. À medida em que vamos progredindo em ambos os modos de jogo, iremos desbloquear 2 carros secretos e os 3 circuitos em modo reverso. É muito mais conteúdo que um Sega Rally nos trouxe em 1995, mas esperava-se mais.

De certa forma o jogo também nos faz lembrar o Sega Rally, devido a termos o copiloto a nos instruir.

A nível técnico, este é um jogo colorido e minimamente bem detalhado. Apesar de existirem apenas 3 circuitos, os mesmos podem ser jogados em diferentes partes do dia e com diferentes condições metereológicas, desde manhãs enevoadas, dias solarengos ou chuvosos, ou mesmo à noite, o que foi um detalhe interessante. As músicas e efeitos sonoros é que não os achei nada de especial.

Portanto, para mim este não é um dos melhores jogos de corrida da Nintendo 64. O seu conceito de misturar pistas e carros de estrada e todo o terreno até é original, mas acho que não resulta muito bem e apesar das pistas até possuirem vários atalhos e caminhos alternativos, apenas 3 é pouco.

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Shadow of the Beast II (Sega Mega Drive)

O Shadow of the Beast original era um jogo tecnicamente impressionante para o Commodore Amiga, mas possuía uma jogabilidade incrivelmente desafiante, com inimigos e armadilhas a surgirem por todos os lados e um ataque de curto alcance em que era practicamente impossível não sofrermos dano. Mas por outro lado, era também um jogo com um conceito e um mundo muito interessante para explorar, principalmente para os fãs de cenários de fantasia obscura. Eis que sai o segundo jogo e com ele também uma conversão para a Mega Drive, cujo meu exemplar foi comprado em conjunto com o primeiro, tendo-me ficado ambos por 20€ num vendedor Holandês do eBay.

Jogo em caixa com manual. A artwork da versão Amiga é muito superior a esta, não sei porque a EA se pôs a inventar.

No final do jogo anterior, a “Besta” conseguiu novamente obter a sua forma humana mas em contrapartida a sua irmã bébé foi raptada por Zelek, um dos feiticeiros maus da fita. Aqui lá controlamos o herói como humano em busca da irmã, defrontando uma vez mais novos perigos e estranhas criaturas daquele mundo sinistro. Em vez de socos desta vez temos uma espécie de uma fisga que nos permite atacar com mais algum alcance, mas uma vez mais temos imensos inimigos e obstáculos a surgirem de todos os sítios, e se não tivermos cuidado rapidamente esgotamos a nossa barra de energia.

Talvez dos ecrãs de Game Over mais bonitos que alguma vez vi

Desta vez a exploração é muito mais não-linear, com o jogo a possuir um mundo mais aberto e não necessariamente dividido em diferentes níveis, pelo que torna o nosso percurso um pouco mais complicado de adivinhar. Isto porque para além de enfrentar hordas de inimigos como pigmeus ou goblins, temos também de interagir com alguns objectos e/ou NPCs, pelo que iremos demorar um pouco a progredir no jogo. De entre os itens que podemos apanhar, alguns podem ser usados como poções que nos restauram a energia ou novas armas ainda que sejam por vezes temporárias, já outros existem para serem usados nos diálogos com NPCs que nos vão aparecendo. Também para além do platforming e combate muito exigentes, vamos ter alguns puzzles para resolver.

O mundo do jogo continua a ser bastante sinistro e bizarro. Gosto bastante do design de muitos dos inimigos

Graficamente é mais um jogo bonito, com alguns inimigos (principalmente os bosses) muito bem detalhados. Ainda assim ficou uns furos abaixo da versão Amiga, que possuía por sua vez gráficos ainda mais detalhados e com vários diálogos e cutscenes que infelizmente não existem aqui. A versão Mega CD por outro lado possui muito mais conteúdo como cutscenes em full motion video, voice acting e música em formato de CD áudio. Aqui as músicas não são tão boas como no Shadow of the Beast original, mas são suficientemente sinistras para soarem bem naquele universo.

Apesar do resultado final na Mega Drive não ser uma conversão tão boa quanto a do original, ainda assim gostei de o ter jogado, mesmo sendo um jogo bastante difícil. O terceiro e último capítulo da saga (pelo menos até ao reboot que foi lançado recentemente) também esteve para ser lançado para a Mega Drive, mas infelizmente essa conversão foi cancelada. É uma pena!

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Fade to Black (Sony Playstation)

A Delphine Software fez coisas incríveis na primeira metade dos anos 90, para os vários sistemas 16-bit que suportou. Obras como Another World ou Flashback foram importantes marcos tanto a nível artístico, com os seus belíssimos gráficos e som que lhes conferiam uma atmosfera muito rica, bem como pela jogabilidade, muito similar ao que Prince of Persia já nos tinha trazido antes. Ora este Fade to Black é uma sequela do Flashback, mas desta vez feito inteiramente em 3D, a pensar nas consolas de próxima geração. E apesar de versões para a Saturn e Nintendo 64 terem sido inicialmente planeadas, o jogo acabou por sair apenas no DOS e na Playstation, cuja versão cá trago hoje. O meu exemplar foi comprado numa das minhas idas à Feira da Vandoma, algures em 2015 se bem me recordo. Creio que me custou uns 4€.

Jogo com caixa e manual

No Flashback, a história recaiu sobre Conrad Hart, um jovem cientista que inadvertidamente descobre a existência dos Morphs, uma poderosa raça alienígena que se faziam passar por humanos e planeavam a sua extinção. Mas no final, Conrad acabou por destruir o mundo dos Morphs, acabando a aventura à deriva no espaço, numa cápsula de salvamento, muito como no final do primeiro filme da saga Alien. Acontece que Conrad é resgatado 50 anos depois, infelizmente por uma nave Morph, que o leva de imediato para uma prisão de alta segurança. Na prisão ficamos a saber que os Morph conseguiram conquistar o planeta Terra e rapidamente somos contactados por um “amigo” que nos dá as ferramentas necessárias para escapar: um PDA e uma arma! Começamos então a aventura por escapar da prisão alienígena, viajando depois por vários outros locais, sempre com o objectivo em mente de derrotar uma vez por todas a ameaça dos Morphs, agora com a ajuda de um grupo de resistência.

Quando entramos em combates, a câmara muda para uma perspectiva de quase primeira pessoa

A maior novidade na jogabilidade deste Fade to Black está no facto de na transição para o 3D, se ter perdido aquelas mecânicas de jogo que assentavam no platforming. Aqui temos um botão de salto, mas é para coisas a muito curta distância, geralmente para evitar armadilhas que estejam no chão. Fade to Black é então um jogo com mais foco na acção e exploração, com os ocasionais puzzles e mecânicas de jogo que também víamos o Flashback, como procurar por várias chaves, evitar obstáculos como chão electrificado, ou ir alternando entre equipamento do nosso inventário, como um escudo que nos protege ligeiramente do fogo inimigo, ou outros como fatos anti-radiação para se usar em zonas radioactivas. Na verdade tanto com fato como sem fato vamos perdendo vida, mas ao menos não morremos tão rapidamente. A perspectiva é na terceira pessoa, com a câmara a posicionar-se quase sempre nas costas de Conrad. Nos combates a câmara passa para uma perspectiva quase de primeira pessoa, aproximando-se da nuca do protagonista,  e o jogo apresenta uma espécie de radar que nos indica a posição do inimigo mais próximo. Estamos equipados de uma arma com munição ilimitada, embora a tenhamos de recarregar, e ocasionalmente lá encontraremos algumas minas que nos ajudarão a progredir em zonas mais infestadas.

Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes em CGI para ver

O maior problema neste jogo acaba por ser mesmo os seus controlos. Afinal este é ainda um videojogo de primeira geração da Playstation, o dualshock ainda estava bem longe de chegar às nossas vidas. Controlar o Conrad é um martírio, especialmente nos combates, onde devemos ser o mais ágeis possíveis pois os Morphs têm a capacidade de se desintegrar e surgirem posteriormente bem mais próximo de nós, representando muito mais perigo. E perder a vida aqui é tarefa dura, pois se não gravarmos o nosso progresso no jogo de forma regular pode implicar ter de recomeçar o nível do zero, e sem os itens que trazíamos antes no inventário.

Quando surge este cursor, quer dizer que temos um inimigo prestes a disparar sobre nós.

Do ponto de vista audiovisual já o acho um jogo bem mais competente. É certo que o 3D ainda é algo primitivo, mas mesmo assim, para um jogo de primeira geração da Playstation devo dizer que fiquei impressionado pelo detalhe dos cenários, que tanto nos podem levar para estações espaciais todas futuristas e high-tech, como para mundos alienígenas misteriosos e ruínas antigas. As músicas vão sendo minimalistas, o que resulta bem para a atmosfera do jogo. Sobre o voice acting, bom, não é perfeito, mas está longe de ser mau, na minha opinião.

Portanto, no fim de contas, infelizmente este Fade to Black, apesar de possuir boas ideias, acaba por não envelhecer tão bem quanto a sua prequela, o Flashback. Numa era onde se fazem muitos remasters e remakes, fazia muito mais sentido pegar nalguns destes jogos mais obscuros, que saíram numa fase de transição não muito famosa, e relançá-los com mecânicas de jogo mais intuitivas e uns audiovisuais melhorados. Este jogo merecia-o, sem dúvida.

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Power Strike (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é um óptimo shmup da Compile. A série Aleste, que apesar de ter tido as suas origens nos computadores MSX no Japão, viu o seu primeiro jogo convertido para a consola da Sega, um shmup vertical que acabou por se tornar num dos melhores do género para a Master System. No ocidente, o jogo passou a ser conhecido por Power Strike. O meu exemplar foi comprado há um mês atrás, tendo-me custado 40€ no eBay.

Jogo com caixa

A história por detrás deste Power Strike é algo original. Em vez de enfrentarmos aliens ou poderosos impérios como costuma ser o habitual em videojogos deste calibre, aqui o objectivo é livrar o planeta Terra de uma série de plantas geneticamente modificadas que procuram dominar o mundo, tendo já infectado e zombificado muitos humanos que teimam em lutar contra nós.

Pessoalmente acho o R-Type ou o Sagaia mais bonitos graficamente

Para isso lá pilotaremos um poderoso avião, onde teremos ao nosso dispor várias armas e power-ups diferentes. Com o botão 1 disparamos a arma principal, que pode ser melhorada ao apanhar os power-ups com o símbolo P que vão surgindo no ecrã à medida que vamos destruindo as naves inimigas. O botão 2 serve para disparar as armas especiais, que podem ser activadas ao apanhar os power ups numerados que também vão aparecendo no ecrã. Estas correspondem a poderosos projécteis que vão sendo disparados de diferentes formas e feitios. Por defeito carregamos a arma especial número 1, que consiste em disparar bolas de energia no sentido em que nos movemos, permitindo assim disparar projécteis de lado ou pelas traseiras, ao contrário das armas principais que apenas são disparadas para a frente. Outros consistem em modos de disparo onde podemos armazenar energia e depois dispará-la numa grande bola de fogo, outras que disparam em círculos, entre outros. Apenas podemos carregar uma destas armas de cada vez, muitas delas possuem munições limitadas por quantidade e/ou tempo, e a sua potência pode ser duplicada à medida em que vamos apanhando outros power ups do mesmo número. Algumas armas não nos deixam também atingir alvos terrestres, pelo que têm de ser escolhidas com algum critério.

Por vezes as coisas ficam bastante caóticas!

Os inimigos também vão surgindo um pouco por todos os lados, com padrões de movimento nem sempre muito previsíveis, e muitas vezes com muito poder de fogo, obrigando-nos a ter uma boa agilidade e esquivar dos projécteis inimigos. É um jogo rápido e por vezes bastante frenético, mas com tanta acção no ecrã, em alturas em que haja muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, notamos alguns slowdowns. Graficamente é um jogo colorido, embora os cenários e as naves inimigas não sejam das mais fascinantes que possamos ver num shmup da Master System. Por outro lado as músicas são excelentes, especialmente se o jogarmos numa Mark III ou Master System japonesa com o suporte ao FM Unit, o som nessa versão é mesmo muito bom.

Portanto este é um excelente shmup, mesmo tendo alguns slowdowns aqui e ali. É um jogo que supostamente seria relativamente comum na Europa (ao contrário dos Estados Unidos onde apenas poderia ser comprado através de encomenda), mas infelizmente o seu preço tem vindo a subir bastante pelo Power Strike II ser um jogo raro (e também excelente!). Se o apanharem baratinho, não hesitem!

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FIFA International Soccer (Super Nintendo)

Continuando pelas rapidinhas, vamos a mais um jogo da Super Nintendo onde não vou perder muito tempo a falar, pois é de futebol e é uma conversão de um jogo que saiu originalmente para a Mega Drive, e cuja versão eu preferiria abordar com mais detalhe. É o jogo que deu origem à franchise FIFA da Electonic Arts e o meu exemplar veio de um bundle que comprei recentemente para a SNES e Nintendo 64, à volta de 30 cartuchos que nos ficaram a menos de 1€. E por esse preço porque não ficar com mais um FIFA?

Apenas cartucho

Este foi o jogo que introduziu a jogabilidade que se manteve fiel nas suas sequelas de 16-bit ao longo dos anos, como a perspectiva isométrica que lhe dava algum sentido de realismo. A jogabilidade ainda não é tão refinada quanto a de um International Super Star Soccer ou FIFA 97, mas começa aqui a dar os seus primeiros passos. Dispomos de vários modos de jogo, como partidas amigáveis ou provas mais longas como campeonatos ou torneios, com fases de grupos ou apenas através dos Playoffs.

A nível de conteúdo parece-me ser idêntico à versão Mega Drive. Já nos audiovisuais a história é outra.

A nível técnico é uma versão que se difere da original precisamente por ser mais colorida, tanto nos estádios, como nos menus que são muito mais agradáveis de se navegar. A música na versão SNES, que também só tocam durante os menus, intervalos e afins, também é agradável nesta versão, com um bom baixo. No resto, na minha opinião a versão Mega Drive é superior. Apesar de possuir menos cor, os jogadores e o detalhe dos estádios pareceu-me melhor na Mega Drive.

Mas pronto, é mais um FIFA e na SNES também temos uns quantos para experimentar, escusamo-nos de ficar pelo primeiro.

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Streets of Rage II (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas na Game Gear, o jogo que cá trago hoje é uma das adaptações 8bit do clássico da Mega Drive, e um dos melhores beat ‘em ups de sempre, Streets of Rage II. A outra versão 8bit seria claro a da Master System, que sinceramente até preferia arranjar devido a já ter o primeiro também para essa plataforma. Mas entretanto lá apareceu este cartucho para a Game Gear numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto e não pude dizer que não.

Apenas cartucho

Esta versão segue a mesma história do mesmo jogo para a Mega Drive, onde 1 ano após os acontecimentos do primeiro jogo, que viram o império do crime organizado ser derrubado pelo trio composto por ex-polícias, o Mr X, líder do gangue criminoso, volta à carga e rapta Adam, um dos heróis da aventura anterior. Axel, Blaze e as novas caras de Skate (irmão mais novo de Adam) ou Max juntam-se e lutam novamente contra o gangue, nas ruas da fúria 2.  Infelizmente Max não está nem nesta, nem na versão Master System.

Em relação à versão Master System, para além de possuir alguns níveis distintos, esta versão está ampliada para melhor se adaptar ao ecrã da Game Gear

A jogabilidade é muito superior à do primeiro Streets of Rage para a Game Gear, que tinha vários problemas. Aqui as coisas são mais fluídas e com uma dificuldade mais balanceada (algo que a versão Master System deste mesmo jogo é muito criticada) e a jogabilidade replica um pouco aquilo que vemos na Mega Drive. Os golpes especiais são também possíveis de ser executados aqui, mas ao contrário do original, não há qualquer penalização para o fazer. Existe também um modo cooperativo para 2 jogadores, que requer o cabo que serve para interligar 2 Game Gears, mas nunca o cheguei a testar.

Graficamente é um jogo colorido e bem detalhado, tendo em conta as limitações da consola e do seu ecrã. No entanto quando temos mais que dois oponentes no ecrã ao mesmo tempo o jogo sofre um pouco com quebras de framerate. Os níveis em si são em menor número e variedade que o original da Mega Drive, embora existam também alguns segmentos inteiramente novos. As músicas são muito boas, até porque mais uma vez o Yuzo Koshiro meteu aqui a mão. Alguns dos temas são logo reconhecíveis da versão Mega Drive e não ficaram nada mal.

Um dos níveis exclusivos desta versão tem um feeling muito alienígena

Streets of Rage II é facilmente o melhor jogo do género para a Game Gear, embora sinceramente a portátil da Sega nunca teve grande concorrência dentro desse género, no seu catálogo de jogos. Está longe do brilhantismo da versão Mega Drive, mas para uma portátil 8bit ficou muito bom.

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Lylat Wars (Nintendo 64)

Voltando à Nintendo 64, Lylat Wars, mais conhecido internacionalmente como Star Fox 64, foi uma espécie de remake do primeiro jogo da série, lançado originalmente para a Super Nintendo. Por algum motivo nem este, nem o original da SNES (que por aqui se chamou de StarWing) tiveram o nome de Star Fox na Europa, mas isso foi algo que mudou quando a série chegou à Gamecube. Desde cedo foi dos jogos que mais curiosidade me despertou, do catálogo da Nintendo 64 e o meu exemplar foi comprado algures durante o ano passado, na Cash Converters de Alfragide. Se a memória não me falha custou-me 7€.

Apenas cartucho

Em Lylat Wars controlamos a raposa Fox McCloud, líder do esquadrão mercenário de pilotos de elite, Star Fox. Um cientista maluco, mas outrora brilhante, de nome Andross está novamente a aterrorizar a galáxia, anos depois do último conflito, onde o conseguiram aprisionar no longínquo planeta de Venom inclusivamente a custo da morte de James McCloud, antigo líder do esquadrão e pai de Fox McCloud. Vamos então começar a aventura, tal como na SNES, por defender planeta de Corneria que se encontra actualmente a ser atacado, avançando depois por vários outros locais como novos planetas, cinturas de asteróides, enormes estações espaciais, entre outros. Mais uma vez poderemos progredir por caminhos diferentes, embora por vezes seja necessário cumprir alguns objectivos opcionais numa dada missão para conseguir desbloquear uma outra num “caminho alternativo”. Ora, tal como no Star Wing, isto aumenta bastante a longevidade do jogo, o que é óptimo.

Sem comentários, Peppy

A perspectiva é mais uma vez uma perspectiva na terceira pessoa, com a câmara nas costas da Arwing. Grande parte do jogo é on-rails, onde a nave se vai deslocando automaticamente ao longo de um corredor invisível, restringindo-nos bastante a nossa liberdade de movimentos. Mas noutras alturas lá nos conseguimos mover livremente e explorar a àrea ao nosso redor á vontade. Isto acontece principalmente em confrontos com alguns bosses ou o esquadrão do Star Wolf, por exemplo, onde nos envolvemos em dogfights mais prolongadas. E mais uma vez temos os companheiros de Fox Mc Cloud a voar connosco, nomeadamente o jovem sapo Slippy, o coelho Peppy (que é o único membro restante do esquadrão Star Fox antigo) e Falco, o eterno rival de Fox. Ora eles nem nos ajudam assim tanto nos combates, a maior parte das vezes até nos pedem ajuda para os safar, mas vão dialogando connosco e dando várias dicas ao longo de cada missão.

Tal como no original da SNES; aqui também podemos chegar ao destino (o planeta Venom, à direita) através de diferentes caminhos.

A Arwing possui raios laser que podem ser carregados ao manter o botão de disparo pressionado. Quando o fazemos, conseguimos também fazer lock-on aos inimigos que passam à nossa volta, lançando depois uma bola de energia tele-guiada e capaz de causar algum dano considerável. Para além disso temos também as bombas que causam muito mais dano, mas vêm em munições limitadas, pelo que temos de as usar com cuidado. Ao longo de cada nível iremos também encontrar uma série de itens e power ups, como upgrades aos lasers, novas bombas, ou anéis que podem ser prateados ou dourados. Os prateados restauram um pouco da nossa energia da nave, enquanto que a cada 3 anéis dourados aumentamos a nossa barra de energia e/ou são-nos atribuídas vidas extra.

O jogo está muito bem conseguido na sua apresentação audiovisual

De resto a Arwing é também bastante flexível, e vamos estar a fazer “barrel rolls” constantemente, bem como outras manobras. Mas não é só no Arwing que nós vamos jogando, pois ao longo da aventura podemos também jogar no Landmaster, um tanque que possui o mesmo arsenal a nível de armas que a Arwing, e embora não tendo a mesma flexibilidade que a nave, pode ainda fazer barrel rolls e suspender-se temporariamente no ar. Num nível específico também iremos conduzir um submarino. O submarino possui raios laser e torpedos infinitos, que, visto o fundo do oceano ser escuro como o breu, acabam por servir de fonte de iluminação, iluminando ligeiramente o caminho que estão a atravessar.

Se os nossos companheiros ficarem com as naves inutilizadas, não aparecem na missão seguinte

Para além da aventura principal o jogo possui também uma forte componente em multiplayer splitscreen com até 4 jogadores, mesmo como manda a lei na Nintendo 64. Inicialmente apenas podemos jogar com as Arwings, mas mediante a nossa performance no modo história poderemos desbloquear também o Land Master ou mesmo usar os membros do esquadrão Star Fox a pé, munidos de uma bazooka. Os modos de jogo multiplayer são variedades do deathmatch incluindo vertentes em que nos permitem definir um número limite de vitórias ou de tempo decorrido em cada partida. Tem tudo para ser divertido, mas confesso que não cheguei a experimentar.

A nível técnico, sempre achei um óptimo jogo para a Nintendo 64. Os Arwings e os membros da equipa Star Fox sempre estão bem detalhados a nível poligonal, com a única falha a ser mesmo aquela que é crónica da Nintendo 64 em jogos em 3D: a maior parte das texturas possuem muito pouco detalhe, muitas delas parecem até pinturas borradas. Isto é especialmente visível logo na cutscene inicial, onde vemos os protagonistas a correr por um corredor iluminado para as suas Arwings. Por outro lado, a nível de audio sempre achei uma obra muito bem conseguida. As músicas são na sua maioria bastante épicas e remetem-me logo para filmes como o Star Wars. E os diálogos são todos com voice acting, o que num jogo de cartucho não é assim tão usual.

Um contraste muito habitual na Nintendo 64. Óptimos gráficos nas personagens, e tudo à volta parece embaciado

Portanto, na minha opinião, Lylat Wars, ou Star Fox 64 como é mais conhecido, é um grande clássico da consola de 64bit da Nintendo. A sua jogabilidade é excelente e a Nintendo conseguiu fazer aqui um título de qualidade, com uma temática e jogabilidade que se acaba por demarcar bastante de outras franchises populares da gigante nipónica.

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