The Conduit (Nintendo Wii)

Gráficos, gráficos e mais gráficos. Na altura em que a Wii foi lançada, era do que mais se falava, pois por um lado tinhamos a Xbox 360 e a Playstation 3, com todo os seus visuais impressionantes, o suporte a resoluções de alta definição, e por outro tínhamos a Nintendo Wii, uma consola com um hardware ligeiramente superior ao da Gamecube, mas com a novidade dos controlos por movimento e o maior foco nas audiências casuais. Isto fez com que a High Voltage Software visse ali uma oportunidade de mercado e anunciaram que queriam ser a third party que melhor conteúdo iria trazer para a Wii, pois a consola seria capaz de muito melhor, de um ponto de vista técnico. O resultado foi este The Conduit. O meu exemplar foi comprado por 12.5€ na Cash Converters do Porto, há uns anos atrás. É uma edição especial em caixa de cartão que inclui um livro extra.

Edição especial, com sleeve de cartão, manual, um livro com extras e papelada.

A história passa-se num futuro próximo, onde a cidade de Washington tem sido alvo de uma praga, depois de uma série de atentados terroristas que visaram assassinar o Presidente Norte-Americano e uma série de outras pessoas ligadas ao Governo. Por fim, no meio de todo esse clima de tensão, havia ainda uma invasão alienígena para travar, mesmo na capital americana. Nós encarnamos no papel do Agente Michael Ford, que trabalhava para a organização secreta Trust. A sua missão inicial era a de interceptar o terrorista Prometheus a todo o custo e recuperar um protótipo que tinha sido roubado à agência secreta pelos terroristas. No entanto as coisas acabam por sofrer um revés, pois somos traídos pela própria agência, e é o suposto terrorista Prometheus que nos tenta ajudar a travar uma grande conspiração para ganharem o poder sobre os EUA e o mundo.

Os aliens dos the Grudge são parte integrante em todo o jogo

No que diz respeito à jogabilidade, esta mistura alguns conceitos de FPS mais da velha guarda com outros modernos. Isto porque a vida é regenerada através de medkits e, apesar de haver imensas armas diferentes, tanto de origem humana como alienígena, apenas podemos carregar com 2 em simultâneo, para além de uma série de granadas. Os controlos são intuitivos na medida em que o Wiimote é usado como apontador, da mesma forma que usamos o rato no PC. Isto permite-nos ter um controlo algo preciso, mas também trouxe os seus problemas. Por exemplo, não conseguimos mirar muito para cima, o que me trouxe alguns problemas para combater alguns inimigos que nos atacam do ar. De resto até que conseguiram dar um bom uso ao Wiimote + Nunchuck, com cada botão a ter funções específicas, mas ficou a faltar ali um botão para os sprints.

Alguns aliens têm respawn infinito enquanto não destruirmos os seus casulos, ou os portais que atravessam.

De resto, uma das funcionalidades mais interessantes no modo single player é o uso do ASE (All Seeing Eye), o tal artefacto que tinha sido roubado à Trust e que nós recuperamos. Esta é uma esfera toda high-tech, que server para fazer hacking de alguns computadores, mas também para revelar alguns itens, minas ou mesmo inimigos que estejam invisíveis a olho nu. Para além disso podemos também revelar objectos que servem para abrir passagens que estejam trancadas, ou mesmo passagens secretas da Trust, onde teremos acesso a munições, e algumas armas, incluindo protótipos poderosos, mas sem munições extra ao longo do jogo. O ASE pode também ser usado para indicar o caminho a seguir para o próximo objectivo, caso estejamos algo perdidos.

Para além de desbloquear portas e interagir com equipamentos electrónicos, o ASE tem a capacidade de revelar objectos ou inimigos invisíveis

O modo campanha infelizmente é algo curto, consistindo em 9 missões que podem ser completadas em menos de 6h. Iremos demorar muito mais tempo se o quisermos completar a 100%, pois existem uma série de achievements internos, ou discos secretos para procurar ao longo dos níveis. Isto depois vai-nos desbloquear diversas galerias de artwork ou mesmo batotas para usarmos no modo single player. Já o multiplayer, esse é online e com diversos modos de jogo diferentes. Infelizmente não cheguei a experimentar, mas continha vários modos de jogo de “Free for All”, onde era cada um por si, ou outros modos de jogo divididos em equipas. Temos diversas variantes de modos de jogo como o deathmatch e capture the flag (neste caso o ASE), mas também alguns mais originais como o Bounty Hunter onde teremos de assassinar um oponente em específico.

A história deste Conduit assenta em várias teorias de conspiração.

No que diz respeito aos audiovisuais, bom, o jogo realmente apresenta uns gráficos acima da média, quando comparado a muitos outros jogos third party na Wii. E acredito que com um cabo componente fique realmente bonito, mas não é o meu caso. Ainda assim, tal como já referi, nota-se que é um jogo tecnicamente bem conseguido, principalmente por todos os efeitos de luz fancy que vamos vendo, especialmente ao usar as armas mais futuristas. Os cenários em si vão sendo algo variados, atravessando várias localizações e edifícios icónicos de Washington, como a Casa Branca ou o Pentágono. A nível de efeitos sonoros não tenho nada a apontar, o jogo cumpre o seu papel. O mesmo pode ser dito do voice acting que é competente, mas devo dizer que as cutscenes entre cada nível deixam um pouco a desejar na narrativa.

Este Conduit acaba então por ser uma boa experiência de jogo, que peca principalmente por ser uma experiência curta. A nível técnico e de jogabilidade é uma obra bem conseguida, pelo que fico bastante curioso com a sua sequela, o Conduit 2, que por acaso ainda não adquiri.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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