Shadow Warriors (Nintendo Entertainment System)

A censura nunca é algo bom, mas por vezes é absolutamente atroz. A violência nos videojogos sempre foi um tema quente, e durante os anos 80 e parte dos 90, alguns países Europeus possuiam regras bem apertadas. Uma delas era a palavra “ninja” e tudo o que lhe estivesse associado. Ora a série Ninja Gaiden é uma excelente série de acção da Tecmo, e para que o jogo saísse na Europa sem levantar muitas ondas, decidiram-lhe mudar o nome para Shadow Warriors. Felizmente o nome foi a única coisa que mudaram e o jogo não foi tão lobotomizado quanto o Contra/Probotector. O meu exemplar veio da Cash Converters no Porto há uns meses atrás. Custou-me 19€.

Apenas cartucho

A série teve as suas origens nas arcadas, como um jogo de acção curto, mas visualmente muito interessante. Ao trazerem a série para as consolas, a Tecmo decidiu não optar por uma conversão directa, mas sim fazerem um jogo novo de raiz, mais direccionado para o público das consolas domésticas, ao apresentar uma aventura mais longa e com mais conteúdo. Ainda bem que o fizeram! E mesmo não estando no mesmo patamar gráfico do original, a primeira coisa que reparamos ao iniciar o jogo são as suas belíssimas cutscenes em anime (pelo menos para uma NES).

Ryu é um ninja muito ágil. Wall jumps? Sim senhor!

Basicamente este Ninja Gaiden conta a história de Ryu Hayabusa, um ninja em busca de vingança pela morte do seu pai, que é assassinado após um duelo com outro ninja desconhecido. A sua missão leva-o de viagem para os Estados Unidos, em busca do arqueólogo Walter Smith, que lhe teria mais informações para lhe dar sobre o que tinha acontecido. Pelo meio somos baleados e raptados por uma misteriosa mulher, que antes de nos libertar nos entrega uma estatueta demoníaca para mostrar ao tal arqueólogo. Pelo meio lá vamos sendo envolvidos numa conspiração de um grupo secreto de ninjas que tenta ressuscitar um demónio antigo e claro, somos nós que os iremos enfrentar.

O jogo tem fama de ser bastante difícil e é fácil entender o porquê. Basta sermos tocados por um inimigo que potencialmente caímos num abismo sem fundo.

Acima de tudo, Ninja Gaiden é um excelente jogo de acção que de certa forma me faz lembrar os jogos clássicos da série Castlevania. Isto porque temos sempre duas barras de energia presentes no ecrã, uma do herói, outra do boss que iremos efrentar eventualmente no final do nível. Para além da arma principal (uma katana), vamos poder destruir vários objectos luninosos espalhados pelos níveis e que nos escondem alguns power ups como armas secundárias e as suas munições. Mas ao contrário de Castlevania, aqui controlamos um ninja que se mostra muito mais ágil do que qualquer Belmont. Até podemos saltar de parede em parede! De resto, o jogo é também muito conhecido pela sua dificuldade bem acima da média. Principalmente naqueles segmentos com algum platforming mais apertado e inimigos a surgirem constantemente de todos os lados, o que nos dificulta imenso os saltos. Isto porque a cada vez que sofremos dano, Ryu ressalta um pouco para trás, e nessas alturas é muito normal caírmos em abismos sem fundo. O truque está mesmo em ir com calma e usar os power ups certos na hora certa. Mas claro, nos últimos níveis onde temos de defrontar vários bosses de uma assentada nada nos adianta tentar planear as coisas pois vamos morrer. E muito.

As cutscenes são muito bem detalhadas e narradas, para um sistema 8bit.

A nível técnico, este jogo é realmente muito bom. Os gráficos vão sendo variados, levando-nos por àreas urbanas que me fazem lembrar o jogo arcade, bem como montanhas, florestas e ruínas. Mas é mesmo nas já faladas cutscenes que o jogo brilha no campo audiovisual. Para um sistema 8bit bastante limitado como é a NES, devo dizer que estas estão mesmo muito boas, bem detalhadas e muito bem animadas. As músicas são também excelentes, o que também ajuda a tornar este jogo num clássico.

De resto, para além da série ter sido renomeada para Shadow Warriors aqui na Europa, a sua distribuição dos jogos da NES deixou muito a desejar. Isto porque, apesar deste jogo ter sido lançado originalmente no Japão no final de 1988, apenas chegou cá em 1991. O segundo jogo, lançado no Japão e Estados Unidos em 1990, só chegou cá ao velho continente já em 1994, já bastante tarde no seu ciclo de vida. Devido a esses enormes atrasos, o terceiro título já não chegou a ver as luz do dia por cá, só mesmo através da Nintendo Virtual Console. A colectânea para a Super Nintendo que incluía um remake dos 3 clássicos também nunca chegou cá, infelizmente.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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