Wii Music (Nintendo Wii)

Voltando à Nintendo Wii, o jogo que cá trago hoje é um daqueles menos compreendidos de toda a sua biblioteca, causando o desastre que foi a apresentação da Nintendo na E3 de 2008, por exemplo, mas já entramos em maiores detalhes. O meu exemplar deste Wii Music veio de uma das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, algures no ano passado. Creio que me custou uns 5€, estando completo e em estado impecável, o antigo dono não deve ter achado piada nenhuma.

Jogo com sleeve de cartão, manual, caixa e papelada

A primeira coisa que devemos esclarecer aqui, é que este Wii Music não é um jogo rítmico como os Guitar Heroes ou Rockband que muito furor faziam. Aqui basicamente é um jogo bastante casual, onde usamos os movimentos do WiiMote e Nunchuck para ir tocando algumas notas. Mas não escolhemos propriamente as notas que são tocadas, mas sim quando são tocadas. O jogo vai tendo sempre uma música base a tocar de fundo e mediante o instrumento que tocamos, o jogo vai automaticamente preenchendo a música com notas síncopas entre si, pelo que poderemos vir a construir bonitas melodias dentro de músicas conhecidas. O mais importante aqui é mesmo o ritmo que vamos mantendo ao longo das músicas e uma grande parte do jogo é precisamente para explorar a nossa criatividade.

Em Wii Music temos uma grande liberdade de customização das músicas ao escolher que instrumentos queremos que apareçam

Tal como no Wii Sports, em que cada desporto é jogado com o jogador a fazer movimentos similares com o Wiimote, aqui o mesmo é usado com o nunchuck para replicar de certa forma instrumentos reais. Tocar piano e outros instrumentos de teclas, obriga-nos a abanar tanto o nunchuck como o wiimote, onde cada um corresponde a uma mão nas teclas. Abanando um de cada vez, vamos tocando notas soltas, abanando os dois em simultâneo são tocados acordes. Para a guitarra e outros instrumentos de cordas, temos o nunchuck para o braço da guitarra e o Wiimote para a palheta. Para os instrumentos de sopro temos de posicionar o wiimote junto do queixo e com os botões simular que estamos a tocar notas. Por fim, a percussão, é tocada com o wiimote e nunchuck a serem literalmente abanados. No caso específico da bateria, principalmente para os donos da WiiFit Board, podemos simular com algum realismo uma bateria real, visto que teremos de usar os pés e braços em simultâneo. Os controlos mais realistas da bateria são um pouco mais complicados pois o Wiimote não parece ser suficientemente sensível para detectar se estamos a bater no sítio certo. Portanto temos também de usar também diferentes combinações de botões para diferenciar uma tarola, de um timbalão ou dos pratos.

Se formos possuidores de uma Wii Fit board, podemos desfrutar de uma simulador de bateria mais avançado

O modo de jogo principal, o modo Jam, permite-nos pegar numa base de uma música conhecida, escolher quais os instrumentos que queremos que façam parte Jam, e ir interpretando os temas da nossa maneira, com liberdade total para “javardar pelo meio”. Como o jogo é suficientemente inteligente para ir tocando notas que fazem sentido naquele contexto, o resultado final nunca fica muito mal. Inicialmente dispomos de apenas 5 músicas para interpretar, mas ao explorar as jam sessions iniciais que podemos fazer, inclusivamente gravar videos das nossas performances e participar nalguns minijogos, iremos desbloqueando novos conteúdos como músicas, instrumentos extra, ou “lições” de música.

Estas lições de música são interessantes na medida em que nos vão ensinando diferentes ritmos e padrões de baixo, percurssão, harmonias e melodias para diferentes estilos musicais, como o rock, pop, latina, música clássica, tradicional japonesa, entre muitos outros. Cumprindo estas lições, iremos ainda desbloquear outras mais avançadas, que nos tentam ensinar padrões ainda mais complexos. Portanto, apesar do Wii Music ser um jogo que nos encoraja a “sentir” a música e a expressar de forma livre, por outro lado também nos tenta disciplinar ao respeitar tempos e ritmos chave, para que as jam sessions em que participemos acabem por soar cada vez melhor e que consigamos interpreter músicas de uma forma mais interessante. Existe também um modo jam completamente de improviso, onde a ideia é mesmo dar aso à imaginação. Por esse lado, a liberdade que o Wii Music nos dá é também impressionante, pois podemos tocar músicas com instrumentos completamente diferentes, dando uma sonoridade muito distinta do original em certas músicas.

Nas Jam Mastery lessons vamos aprendendo alguns padrões rítmicos típicos de certos estilos musicais.

Os minijogos que falei acima são bastante simples. Num deles somos um maestro que tem de conduzir uma orquestra com a sua batuta. O outro, mais voltado para o multiplayer, é um jogo que já faz lembrar títulos mais tradicionais como o Guitar Hero, onde cada jogador deve tocar um sino (representados pelo wiimote e nunchuck) nos tempos certos e assim reproduzir uma pequena música. O outro é o Pitch Perfect e foi aquele que mais me interessou, pois coloca-nos desafios auditivos como identificar os timbres mais agudos ou graves, ou separar as diferentes notas de um acorde.

Graficamente, tal como qualquer jogo da série Wii qualquer coisa, é bastante simples, pois usa e abusa dos Miis. A nível musical cumpre bem o seu papel, excepto nas guitarras eléctricas, que lhes faltam muita garra. Impressiona pela variedade de instrumentos (incluindo simuladores de cães e gatos ou uma “gaita NES” onde podemos ouvir todas as músicas com uma sonoridade chiptune 8bit. Peca também nas poucas músicas disponíveis, pelo menos poucas músicas de artistas conhecidos e muitas de domínio público. É a Nintendo que bem conhecemos a querer reduzir ao máximo os seus custos…

Aqui podemos gravar vários videoclips das nossas interpretações e partilhá-las com os amigos. Mas na verdade, quem é que quer saber?

Portanto, no fim de contas, eu consigo perceber o porquê deste jogo ter sido um flop commercial. Todos estavam secalhar à espera de algo mais em linha a um Guitar Hero ou Rockband, mas a verdade é que este é um título bem mais casual e que premia a criatividade acima de tudo. Para quem quiser mais alguns desafios, o jogo proporciona-os, com as lições de Jam mais avançadas, ou as lições de bateria para quem possuir a prancha do WiiFit. Aí seremos mesmo obrigados a memorizar ritmos mais complexos. Mas fora isso, devo também dizer que os controlos não estão perfeitos, pelo menos no meu caso muitas foram as vezes em que a Wii não processou correctamente os meus movimentos.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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