Fade to Black (Sony Playstation)

A Delphine Software fez coisas incríveis na primeira metade dos anos 90, para os vários sistemas 16-bit que suportou. Obras como Another World ou Flashback foram importantes marcos tanto a nível artístico, com os seus belíssimos gráficos e som que lhes conferiam uma atmosfera muito rica, bem como pela jogabilidade, muito similar ao que Prince of Persia já nos tinha trazido antes. Ora este Fade to Black é uma sequela do Flashback, mas desta vez feito inteiramente em 3D, a pensar nas consolas de próxima geração. E apesar de versões para a Saturn e Nintendo 64 terem sido inicialmente planeadas, o jogo acabou por sair apenas no DOS e na Playstation, cuja versão cá trago hoje. O meu exemplar foi comprado numa das minhas idas à Feira da Vandoma, algures em 2015 se bem me recordo. Creio que me custou uns 4€.

Jogo com caixa e manual

No Flashback, a história recaiu sobre Conrad Hart, um jovem cientista que inadvertidamente descobre a existência dos Morphs, uma poderosa raça alienígena que se faziam passar por humanos e planeavam a sua extinção. Mas no final, Conrad acabou por destruir o mundo dos Morphs, acabando a aventura à deriva no espaço, numa cápsula de salvamento, muito como no final do primeiro filme da saga Alien. Acontece que Conrad é resgatado 50 anos depois, infelizmente por uma nave Morph, que o leva de imediato para uma prisão de alta segurança. Na prisão ficamos a saber que os Morph conseguiram conquistar o planeta Terra e rapidamente somos contactados por um “amigo” que nos dá as ferramentas necessárias para escapar: um PDA e uma arma! Começamos então a aventura por escapar da prisão alienígena, viajando depois por vários outros locais, sempre com o objectivo em mente de derrotar uma vez por todas a ameaça dos Morphs, agora com a ajuda de um grupo de resistência.

Quando entramos em combates, a câmara muda para uma perspectiva de quase primeira pessoa

A maior novidade na jogabilidade deste Fade to Black está no facto de na transição para o 3D, se ter perdido aquelas mecânicas de jogo que assentavam no platforming. Aqui temos um botão de salto, mas é para coisas a muito curta distância, geralmente para evitar armadilhas que estejam no chão. Fade to Black é então um jogo com mais foco na acção e exploração, com os ocasionais puzzles e mecânicas de jogo que também víamos o Flashback, como procurar por várias chaves, evitar obstáculos como chão electrificado, ou ir alternando entre equipamento do nosso inventário, como um escudo que nos protege ligeiramente do fogo inimigo, ou outros como fatos anti-radiação para se usar em zonas radioactivas. Na verdade tanto com fato como sem fato vamos perdendo vida, mas ao menos não morremos tão rapidamente. A perspectiva é na terceira pessoa, com a câmara a posicionar-se quase sempre nas costas de Conrad. Nos combates a câmara passa para uma perspectiva quase de primeira pessoa, aproximando-se da nuca do protagonista,  e o jogo apresenta uma espécie de radar que nos indica a posição do inimigo mais próximo. Estamos equipados de uma arma com munição ilimitada, embora a tenhamos de recarregar, e ocasionalmente lá encontraremos algumas minas que nos ajudarão a progredir em zonas mais infestadas.

Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes em CGI para ver

O maior problema neste jogo acaba por ser mesmo os seus controlos. Afinal este é ainda um videojogo de primeira geração da Playstation, o dualshock ainda estava bem longe de chegar às nossas vidas. Controlar o Conrad é um martírio, especialmente nos combates, onde devemos ser o mais ágeis possíveis pois os Morphs têm a capacidade de se desintegrar e surgirem posteriormente bem mais próximo de nós, representando muito mais perigo. E perder a vida aqui é tarefa dura, pois se não gravarmos o nosso progresso no jogo de forma regular pode implicar ter de recomeçar o nível do zero, e sem os itens que trazíamos antes no inventário.

Quando surge este cursor, quer dizer que temos um inimigo prestes a disparar sobre nós.

Do ponto de vista audiovisual já o acho um jogo bem mais competente. É certo que o 3D ainda é algo primitivo, mas mesmo assim, para um jogo de primeira geração da Playstation devo dizer que fiquei impressionado pelo detalhe dos cenários, que tanto nos podem levar para estações espaciais todas futuristas e high-tech, como para mundos alienígenas misteriosos e ruínas antigas. As músicas vão sendo minimalistas, o que resulta bem para a atmosfera do jogo. Sobre o voice acting, bom, não é perfeito, mas está longe de ser mau, na minha opinião.

Portanto, no fim de contas, infelizmente este Fade to Black, apesar de possuir boas ideias, acaba por não envelhecer tão bem quanto a sua prequela, o Flashback. Numa era onde se fazem muitos remasters e remakes, fazia muito mais sentido pegar nalguns destes jogos mais obscuros, que saíram numa fase de transição não muito famosa, e relançá-los com mecânicas de jogo mais intuitivas e uns audiovisuais melhorados. Este jogo merecia-o, sem dúvida.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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