WarioWare: Smooth Moves (Nintendo Wii)

Voltando à Nintendo Wii, o jogo que cá trago hoje é mais uma das encarnações da brilhante e bizarra série WarioWare, em que somos levado a um mundo de vários microjogos onde dispomos apenas de meros segundos para fazer várias acções, incluindo assoar o nariz ou puxar rolos de papel higiénico. Após o lançamento do primeiro WarioWare na Gameboy Advance e da sua conversão para a Game Cube, os seguintes usaram as novas inovações de hardware para criar microjogos ainda mais bizarros. O WarioWare Twisted para a Gameboy Advance possuía um giroscópio incorporado no cartucho, pelo que os seus minijogos já usavam alguns controlos por movimento, o WarioWare Touched para a Nintendo DS tirava partido dos duplos ecrãs, touchscreen e microfone, pelo que este Smooth Moves foi desenvolvido a pensar no Wiimote e nas suas propriedades. Veremos se resultou bem! O meu exemplar foi comprado há coisa de uns 2 ou 3 meses atrás, tendo-me custado 6€ numa das CEX aqui do Norte.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história nos WarioWares é sempre algo ligeira e secundária, mas aqui o Wario descobre por acaso umas ruínas com um artefacto antigo que se assemelha a um wiimote. Ao querer levá-lo consigo, começa então a despoletar a sequência habitual de vários microjogos com direito a um boss no final, que tipicamente é um microjogo um pouco mais comprido e complexo. Terminando o nível do Wario vamos desbloqueando níveis de outras personagens, a maioria já conhecidas dos WarioWare anteriores.

Aí está, o microjogo clássico

A grande novidade aqui está na introdução do wiimote para completar os microjogos, que continuam doidos e bastante bizarros. Como a Nintendo pensou as coisas é que é mais surpreendente, pois ao longo do jogo vamos desbloqueando vários métodos diferentes de controlo. O primeiro é consiste em usar o Wiimote como tradicionalmente é usado, meramente como pointer como se um controlo remoto de uma TV se tratasse. À medida em que vamos progredindo vão-nos ser introduzidas novas formas de pegar no Wiimote, tais como agarrá-lo verticalmente como um guarda-chuva, horizontalmente como um guiador de bicicleta, à cinta como alguém a sacar uma espada da baínha, deixá-lo na palma da mão como se estivéssemos a segurar uma bandeja, entre muitos, muitos outros. Incluindo um onde temos de colocar o wiimote no nariz, como se uma tromba de um elefante se tratasse.

Neste microjogo “boss” somos uma espécie de polícia sinaleiro que indica a casa de banho correcta a pessoas aflitas

Na primeira vez em que estes modos de controlo são necessários, é-nos dada uma pequena descrição dos mesmos por um tutorial, e posteriormente apenas somos avisados de antemão antes de cada microjogo, de qual a posição a adoptar com o wiimote. Os microjogos depois acabam por ser intuitivos e os movimentos que teremos de fazer com o wiimote fluem naturalmente. Mas infelizmente nem sempre é assim, por vezes não é tão claro o que é suposto fazer, se temos de pressionar algum botão em conjunto com o movimento necessário, ou então nem sempre é claro se o receptor que está na TV é necessário. É que acredito que algumas das vezes em que falhei tenha sido mesmo por falha da Wii em reconhecer os movimentos. Vá lá que vamos tendo sempre “4 vidas” em cada nível, tal como nos WarioWare anteriores.

Na primeira vez em que surje uma maneira nova de segurar o wiimote para o microjogo seguinte, é-nos mostrado um pequeno tutorial

Os microjogos em si podem ser tarefas corriqueiras como saltear a comida numa frigideira, levantar pesos, atender o telefone, matar moscas, colher cenouras ou coçar o nariz, claro. Mas também coisas mais bizarras, como apanhar fruta pela tromba de um elefante, por exemplo. Mas ao contrário dos WarioWare anteriores, cada personagem (à excepção do 9-volt) não possui microjogos que sigam uma determinada temática, desta vez são sempre coisas mais generalizadas e é normal haver repetições de microjogos em diferentes níveis. A excepção está claro nos microjogos do 9-Volt, que são todos influenciados pelos clássicos da Nintendo, tanto antigos como as portáteis do Game & Watch, jogos como Super Mario Bros  ou o Starfox da NES, ou mesmo coisas mais recentes como o Metroid Prime, Animal Crossing, Pikmin, entre muitos outros incluindo uma reimaginação em 3D do Baloon Fight. São sempre bonitas homenagens!

À medida em que vamos progredindo no jogo, novas coisas vão aparecendo no mapa, incluindo diferentes modos de jogo

A nível gráfico não há muito  a dizer pois este Smooth Moves mantém-se fiel a si mesmo neste campo. As personagens continuam com o mesmo design e os micro jogos tanto podem ter gráficos bem minimalistas, como já com algum detalhe considerável, tanto em 2D como 3D. As músicas vão sendo também agradáveis mas sinceramente acho-as uns furos abaixo dos jogos anteriores, que nos deixavam sempre empolgados pelo seu crescendo constante à medida em que a velocidade dos microjogos ia aumentando. Uma coisa que ficou muito boa foi mesmo a parte dos tutoriais, que são narrados de uma maneira brilhante, com uma voz e melodias de fundo super calmas e relaxantes, mas também com algum bom humor.

Das coisas que eu mais gosto nos WarioWare são os microjogos adaptados de outros videojogos da Nintendo. Aqui não é excepção. Em cima temos um Baloon Fight em 3D!

À medida em que vamos progredindo na aventura principal vamos também desbloqueando algum conteúdo adicional, como minijogos para serem jogados separadamente. Temos uma interessante mistura de ping pong com arkanoid, onde com o wiimote a fazer de raquete vamos destruindo os blocos que nos vão surgindo em cima, shooters que nos fazem lembrar os light gun shooters de outros tempos ou mesmo uma versão mais completa da adaptação em 3D do clássico Balloon Fight, entre outros. No fim do modo história desbloqueamos também o multiplayer, que se resume a várias maneiras diferentes de ir jogando os microjogos que já bem conhecemos, mas de forma alternada entre cada jogador. Podem participar até 12 jogadores no total. Isto numa festa até deve ser engraçado, mas confesso que não os cheguei a experimentar.

No fim de contas, para mim este WarioWare, apesar de continuar agradável, bizarro e bem humorado, acabou por ficar uns furos abaixo dos anteriores, na minha opinião. Por um lado por achar que nem sempre os controlos de movimento são intuitivos ou por vezes o sensor da Wii pode não ler correctamente os movimentos. Por outro lado, a variedade de minijogos e o humor bizarro estava uns furos acima nos jogos anteriores, assim como a banda sonora que nos acompanhava.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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