688 Attack Sub (Sega Mega Drive)

Continuando pela Mega Drive, o jogo que cá trago hoje não é dos mais excitantes que a Mega Drive pode oferecer, pois é um simulador militar de submarinos, o que é duplamente aborrecido pois o fundo do mar é algo practicamente deserto e os submarinos obrigam-nos a tomar uma abordagem muito furtiva, até para a nossa própria segurança. É um jogo que eu já tive alguma curiosidade em pegar, na altura em que o conheci em emulação, mas só o fiz quando finalmente o comprei. Veio num bundle de duas Mega Drive mais um conjunto de 7 jogos que comprei na feira da Vandoma por 40€, algures no ano passado.

Jogo com caixa e manual de quase 90 páginas. Em português!

Este 688 Attack Sub era na verdade um simulador lançado originalmente em 1989 para DOS, tendo sido publicado pela Electronic Arts. Algures em 1991 a Sega, por intermédio da EA, decidiu lançar em seu nome 2 simuladores militares para a Mega Drive, e um deles era precisamente a conversão do 688 Attack Sub. Aqui tanto podemos controlar o submarino norte-americano cujo modelo faz parte do título do jogo, como um submarino soviético da classe alfa. A maior parte das missões em que podemos participar estão divididas entre a metade americana e depois a soviética. Por exemplo, como americanos podemos ter como missão de escoltar um carregamento marítimo de material militar, do lado dos soviéticos poderemos ter como missão afundar os navios de carga. Podemos ter missões de evasão, e do outro lado de perseguição e por aí fora. Inicialmente a primeira missão é apenas um exercício militar, até para nos habituarmos aos controlos e às funcionalidades dos sumbarinos, depois vão passando para missões típicas do cenário de guerra fria que se vivia na altura, onde só poderíamos ripostar fogo se o inimigo disparasse primeiro, até as coisas terem escalado para eventuais conflitos armados.

O ecrã com o mapa da área onde estamos é onde passamos a maior parte do tempo, até porque dá para controlar a velocidade e profundidade do submarino

É um jogo em que na maior parte do tempo teremos de o jogar furtivamente. É possível mandar pings de sonar, mas isso deve ser feito com muita precaução, pois apesar de nos indicar contactos vizinhos, também revela a nossa posição actual. Para encontrar os inimigos devemos então navegar lentamente e usar o towed array, que usa um mecanismo de sonar mais passivo, mas que por outro lado também nem sempre é muito eficaz. Usar diferentes profundidades, incluindo atravessar camadas termais para melhor camuflar o submarino, usar o periscópio com muita precaução, são tudo coisas que teremos de ter em conta de forma a detectar o inimigo e não ser detectado. Se formos detectados nem tudo está perdido, mas temos de ter em conta que podem estar a enviar torpedos contra nós e teremos de tomar medidas para prevenir que isso aconteça. Um dos instrumentos que temos à nossa disposição é também uma espécie de imagem digital do fundo dos oceanos, que pode ser observado através de diversos ângulos. Isso é algo também bastante útil caso queiramos navegar em profundidades altas, e controlar o submarino de forma manual.

Navegar em águas profundas é algo que nos ajuda a não ser detectados e a vista digital do fundo do oceano deve ser tida em conta para não batermos contra as rochas.

E isto até acaba por ser bastante interessante, pela forma como o estou a descrever, mas na verdade a interface do jogo não nos dá muita margem para tornar as coisas emocionantes. Iremos passar a maior parte do tempo a olhar para um mapa onde nos mostra a nossa posição e trajectória e tentar descobrir e manter contacto com os potenciais alvos, seja através de sonares passivos ou activos, ou simples observação por periscópio. As coisas ficam ainda mais desafiantes quando navegamos num submarino soviético, pois os displays e controlos possuem todos caracteres cirílicos, ou seja, estão em russo. O manual de 85 páginas não nos dá nenhuma dica, pelo que temos de ir experimentando coisas e estando atento ao que as legendas nos vão indicando.

Espreitar pelo periscópio deve ser feito com muito cuidado para não sermos descobertos

Graficamente é um jogo simples, pois a maior parte do tempo vamos estando a navegar entre diferentes interfaces, como  o mapa, análise de sonar, preparar os torpedos e/ou mísseis, etc. O mais interessante é quando espreitamos pelo periscópio e vamos espreitando o que nos rodeia, com os navios ou helicópteros inimigos a aparecerem como sprites. O ecrã que nos dá uma imagem digitalizada das curvas de nível do fundo do mar também é interessante, pelos seus efeitos 3D, mas fora isso nada de especial. A nível de áudio, a única coisa que vamos ouvindo é o leve ruído dos motores do submarino a trabalhar, bem como as ordens que vamos dando à nossa tripulação. Se conduzirmos um navio soviético, então ouvimos as coisas em russo, o que foi um toque interessante.

Portanto, este 688 Attack Sub até que é um jogo algo interessante para quem se interessar por simuladores militares. Mas de todo o tipo de simuladores militares, os de submarinos devem ser aqueles mais exigentes, por toda a furtividade e “cegueira” face ao que nos rodeia. Não é de todo um jogo para todos os públicos, mas quem gostar do género vale a pena experimentarem.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Mega Drive, SEGA. ligação permanente.

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