Flashback (Sega Mega Drive)

A Delphine Software foi uma empresa muito interessante durante a década de 90. Os primeiros screenshots que vi do Another World deixaram-me boquiaberto e ainda hoje acho que as cutscenes que eles conseguiram criar para o Another World e Flashback bastante impressionantes. Portanto foram dois jogos que sempre criei grandes expectativas, e apesar de o resultado final ter sido um pouco diferente da expectativa que criei, acabou por me agradar. O Flashback foi uma interessante evolução dos conceitos introduzidos no Another World e Heart of the Alien, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado na Cash Converters de Alfragide algures durante o ano passado. Se bem me lembro o jogo custou-me 8 ou 10€.

Jogo completo com caixa e manual europeu.

Flashback é um jogo que ocorre no future, onde o nosso protagonista é o amnésico Conrad Hart, que vemos na cutscene de abertura a ser perseguido por mutantes e a sofrer um acidente que o leva para o meio de uma selva em Titã, uma das luas de Saturno que entretanto tinha sido colonizada. O seu único pretence era uma mensagem gravada por ele mesmo num holograma, que o indicava para encontrar o seu amigo Ian na cidade de New Washington. Eventualmente quando conseguimos atravessar a selva e chegar à cidade, Conrad consegue recuperar as suas memórias. Acontece que Conrad desenvolveu uns óculos que consegue ler a densidade molecular das coisas e inadvertidamente descobriu a existência de uma raça de aliens que se mascaravam de humanos. O resto da trama vai-se desenrolando a partir daí, com a conspiração crescent de uma ameaça alienígena que quer exterminar a raça humana.

Apesar de podermos gravar o progresso no jogo em algumas estações próprias, no início de cada zona é-nos dada uma password

A nível de jogabilidade, é um jogo que faz lembrar bastante o Prince of Persia, tanto pela qualidade das suas animações que foram também capturadas por rotoscoping, bem como pelos cenários se apresentarem em ecrãs únicos sem scrolling. Existe também aqui um elemento maior de jogos de aventura, pois teremos de falar com vários NPCs ou apanhar e interagir com vários objectos, incluindo barreiras de força ou escudos que também são parte integrante nos combates. Aqui a jogabilidade é muito mais furtiva, pois os inimigos são resilientes e facilmente nos causam problemas se nos enfrentarem em grandes números. O escudo acaba por servir de certa forma de barra de energia pois permite-nos sobreviver a uma série de tiros, podendo este ser recarregado em vários pontos ao longo do jogo. Depois para além da jogabilidade furtiva a nível de combate, existem também alguns puzzles que teremos de ter em conta, nomeadamente para abrir certas portas de forma a progredir no jogo.

Visualmente é um jogo espectacular, especialmente para os fãs de visuais mais cyberpunk

Graficamente é um jogo impressionante, como já tenho vindo a referir ao longo do texto. Os cenários estão muito bem detalhados, mostrando um futuro algo sombrio e com aquele aspecto cyberpunk mesmo à Blade Runner. Mas mesmo assim existe alguma variedade de cenários como a selva onde começamos a aventura, quando participamos no concurso “The Death Show“, ou o mundo inóspito e hostil dos próprios aliens, que é muito diferente daquele visto em Another World. Depois temos ainda as cutscenes, que possuem o mesmo nível de qualidade daquelas vistas no Another World. É quase como se fosse full motion video, mas num jogo de cartuchos! O som também é excelente e a banda sonora acaba por ser bastante contida, com algumas melodias a tocar apenas em momentos críticos, o que juntando a todo o pacote audiovisual, promove uma experiência bastante cinematográfica.

As cutscenes são muito boas, o que é algo de extraordinário tendo em conta o espaço limitado do cartucho

Existem várias versões deste Flashback, e apesar de a versão Mega Drive ter sido das primeiras, não fica muito atrás das restantes, apesar de se notar que esta versão possui uma paleta de cores menor, o que já seria de esperar. É um grande clássico que viu pelo menos uma sequela, o Fade to Black que irei jogar muito em breve para a Playstation. Infelizmente pelo pouco que já vi do jogo deixa muito a desejar, mas isso é tema para explorar noutro artigo.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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