Fatal Labyrinth (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas e voltando à Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é o Fatal Labyrinth, um roguelike que não é lá muito fácil como é habitual nos jogos desse género, mas por outro lado também é bastante simples, pelo que não esperem uma grande complexidade como noutros exemplos. Isto porque o jogo saiu originalmente no Japão como título digital apenas, em exclusivo para os subscribers do serviço MegaNet. Sim, porque no Japão (e não só), foi lançado um modem para a Mega Drive, permitindo aos utilizadores, entre outras funcionalidades, que descarregassem jogos para cartuchos vazios e os pudessem jogar livremente. Este Fatal Labyrinth foi dos poucos títulos desse serviço que acabou por ter um lançamento ocidental em formato físico. O meu exemplar veio de uma loja no Porto, tendo-me custado entre 10 a 15€, já não me recordo bem.

Jogo com caixa

A história é muito simples: controlamos o guerreiro Tryykar, que se aventura no gigante castelo de Dragonia, guardado por um poderoso dragão, em busca do cálice Holy Goblet, que trará a salvação àquela terra. Como em todos os roguelikes, a jogabilidade é a de um RPG de acção, mas com algumas peculiaridades. A mais comum é a de o jogo progredir apenas quando tomamos uma acção. Por cada passo que demos, item que interagimos, golpe desferido ou qualquer outra acção tomada, conta como um turno. E em cada turno todos os inimigos à nossa volta também fazem alguma coisa, geralmente caminham na nossa direcção e atacam sempre que possível. Outra característica é a dos layouts dos níveis serem completamente aleatórios, os itens que apanhamos serem misteriosos e podem ter usos adversos e a morte ser permanente. Portanto, cada acção que tomamos deve ser ponderada ao máximo.

A única altura em que podemos interagir com outros humanos é logo no início

A primeira regra de ouro é evitar sermos encurralados. Conseguir encaminhar os monstros para um canto ou corredor onde consigamos atacá-los um a um já é um bom princípio. A outra regra de ouro está na gestão do nosso inventário e da comida. Enquanto tivermos comida, vamos recuperando vida à medida em que caminhamos, sem comida rapidamente perdemos as energias. Por outro lado se apanharmos mais comida do que a necessária, podemos ser penalizados em ficar temporariamente mais lentos, ou em caso extremo a morte. Existem inúmeras armas diferentes e armaduras que também temos de ter cuidado ao usar. O equipamento pode desfazer-se com alguns ataques inimigos e podemos ter o azar de equipar algo amaldiçoado. No entanto aqui não existem classes, pelo que não há grande preocupação em escolher uma determinada build para a nossa personagem, podemos equipar tudo.

Os restantes itens podem ser poções, canas mágicas (para feitiços) ou scrolls que estão codificados com cores. O que cada cor quer dizer varia também em cada playthrough, pelo que uma Red Potion numa vez pode ser uma poção para recuperar vida, noutro jogo poderá ser algo que nos envenene. Portanto usar um destes itens pela primeira vez é sempre um risco. Existe uma scroll, a scroll of appraisal, que nos permite precisamente identificar algum item do nosso inventário, mas inicialmente também essas são-nos desconhecidas. De resto, existem também armadilhas espalhadas nos níveis, que nos podem inclusivamente mandar-nos para níveis que tenhamos completado anteriormente, obrigando-nos novamente a passar pelo mesmo. De resto, quanto ao permadeath, bom, isso não é bem assim aqui. Cada vez que morremos temos direito a um game over, no entanto os continues são infinitos. Por outro lado não recomeçamos no nível em que morremos anteriormente, mas sim num dos poucos níveis de “checkpoint” que existem ao longo dos 31 andares do castelo.

Deixar ser encurralado é o primeiro erro que devemos evitar a todo o custo. Scrolls para confundir os inimigos são um must!

Tecnicamente é um jogo muito simples, até pelas suas origens como jogo de download. Os visuais não variam nada ao longo do jogo, mudando apenas a cor do chão e paredes consoante os checkpoints que vamos avançando. Os inimigos também são simples e pouco variados, existindo em várias cores diferentes, cada uma representando uma variante mais poderosa da anterior. Por outro lado a sprite do nosso personagem vai sendo variada consoante o equipamento que vamos equipando. As músicas são também bastante simples e pouco variadas, embora sinceramente nem sejam tão más de todo.

Fatal Labirynth, como practicamente qualquer roguelike que se preze, não é um jogo para todos. Não deixa no entanto de ser uma entrada interessante no catálogo da Mega Drive pelas suas origens como título digital apenas. Para quem for fã de roguelikes, é mais uma obra a experimentar!

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Mega Drive, SEGA. ligação permanente.

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