Huntsman: The Orphanage (PC)

Continuando pelas rapidinhas, visitando agora um jogo indie que sinceramente me deixou algo desiludido. Huntsman: The Orphanage é mais um daqueles jogos de terror na primeira pessoa onde estamos completamente indefesos, tal como Amnesia ou Outlast, passando-se num orfanato abandonado há mais de 100 anos, algures no interior dos Estados Unidos. Enquanto a premissa até é promissora, ao jogá-lo as nossas esperanças acabam irremediavelmente ir por água abaixo, e já passarei a explicar o porquê. O meu exemplar veio de um indie bundle certamente, tendo sido comprado muito barato.

huntsmanInicialmente podemos controlar um rapaz ou uma rapariga, mas sinceramente não reparei que diferença isso faz a nível de jogabilidade, pois ambos são indefesos. Pelos vistos estavamos a conduzir à noite por uma zona rural norte-americana quando o carro se avaria em frente a um orfanato abandonado há mais de 100 anos. Munidos de um smartphone e lanterna com baterias intermináveis, lá nos lançamos à aventura rumo ao desconhecido. Eventualmente vamos encontrando uns quadros dos antigos residentes do orfanato, incluindo quem lá trabalhava, que nos vão contando um pouco do que se passou e da forma como os 12 órfãos desapareceram sem deixar rasto, a criatura The Huntsman que nos persegue e a missão que teremos de cumprir: procurar um objecto de cada criança e levá-los um de cada vez até ao seu túmulo, para que as suas almas possam finalmente descansar. Ora procurar os objectos nem sempre é fácil pois os mesmos nem sempre são evidentes e saltam à vista. Aos poucos podemos descobrir pistas onde eles poderão estar, mas encontrá-los já não é assim tão simples por vezes. Depois, de cada vez que temos de levar um desses objectos à campa dos miúdos temos de atravessar um labirinto no jardim, às escuras, onde muito facilmente nos perdemos. Tendo em conta que teremos de fazer isso 12 vezes diferentes, cada vez procurando um objecto e uma campa diferente, acaba por ser bastante chato.

Em algumas zonas o jogo até consegue criar uma atmosfera bem tensa

Em algumas zonas o jogo até consegue criar uma atmosfera bem tensa

A essa altura do campeonato já o Huntsman anda atrás de nós e podemo-nos dar de caras com ele a qualquer momento, podendo resultar num game over. Agora isto raramente acontece, pois a estranha criatura possui um barulho característico de mecanismos de relógios, portanto sempre que ouvirmos aquele tic-tac lá temos de ter cuidado. E jogando com phones, facilmente conseguimos ter a percepção de onde anda a criatura. O problema é que o tal labirinto enrola-se bastante sobre si mesmo e por vezes mesmo assim teremos de ter alguma atenção redobrada. Depois de cumpridas as tarefas só nos resta voltar para o carro e finito. Entram os créditos e muitas coisas ficam por responder.

Este é o Huntsman, meio homem, meio aranha e com uma máscara da Peste

Este é o Huntsman, meio homem, meio aranha e com uma máscara da Peste

A nível de mecânicas de jogo, o mesmo controla-se como se um FPS se tratasse, só que em vez de disparar, interagimos com objectos. O smartphone está sempre com a câmara ligada e é o nosso elo de ligação ao paranormal, pois sempre que um dos miúdos fizer uma aparição, seja para nos dar indicações ou simplesmente para nos moer o juízo, aparece no telemóvel, não no ecrã “normal” de jogo. A atmosfera até é tensa, afinal entrar num orfanato antigo, com salas de aula abandonadas, quartos com berços ou manequins é propício para isso. E quando “acordamos” o Huntsman e sabemos que ele anda atrás de nós também contribui para todo o clima de medo, mas quando nos apercebemos que facilmente lhe conseguimos dar a volta e tirando isso não há mais nenhuma ameaça, acaba por se perder alguma da piada.

Ao ouvir o que as crianças nos têm para dizer podemos obter pistas de como prosseguir e sobre o seu background histórico

Ao ouvir o que as crianças nos têm para dizer podemos obter pistas de como prosseguir e sobre o seu background histórico

A nível audiovisual nota-se bem que é um jogo indie. Os gráficos são bastante simples, com os mesmos objectos a serem repetidos até à exaustão. As texturas também não são as melhores, mas o resultado final não é mau de todo. O voice acting infelizmente deixa-me um pouco a desejar, nem todas as personagens estão ao mesmo nível, sendo umas mais bem caracterizadas do que outras. De qualqer das formas mesmo aquelas aparições repentinas mesmo a puxar para aquele susto da praxe na minha opinião deveriam ter sido melhor aproveitadas.

Portanto, este Huntsmang The Orphanage, que inicialmente até foi lançado no steam como early access, continua a parecer um produto inacabado. Até há ali algumas boas ideias, mas sua a execução deixa algo a desejar, assim como a narrativa ou o fio condutor da história deveria ser mais bem trabalhado. Se isso fosse bom, o facto dos gráficos e som não serem grande coisa teria passado despercebido.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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