Metal Gear Solid V Ground Zeroes (Sony Playstation 3)

342029_frontSempre que há um novo Metal Gear em desenvolvimento, gera-se uma grande expectativa à volta do mesmo. Principalmente se for um jogo pertencente à série principal. O Metal Gear Solid V não escapou à tradição. Desde a revelação da Fox Engine e das suas capacidades gráficas, até se chegar a conhecimento público dos desentendimentos de Kojima e a Konami, o MGS V muita tinta fez correr. Seria também um jogo de mundo aberto que permitiria diferentes abordagens às missões, Kojima decidiu divider o projecto em 2 partes. Phantom Pain e Ground Zeroes, este último que serviria apenas de introdução aos eventos narrados no jogo principal e também uma demonstração das mecânicas de jogo open world que Kojima planeava introduzir. Embora estariam inicialmente previstos serem lançados em simultâneo, lá decidiram lançar o Ground Zeroes primeiro de forma a aguçar o apetite dos fãs, já que Phantom Pain ainda precisava de mais uns tempos de desenvolvimento. O meu exemplar foi-me oferecido pela minha namorada algures em 2015.

Jogo com caixa e papelada.

Jogo com caixa e papelada.

Ground Zeroes passa-se em 1975, servindo de introdução aos acontecimentos que mais tarde viriam a decorrer em Phantom Pain, que por sua vez se passa em 1984. Aqui controlamos Snake (o Big Boss) numa missão bem curtinha, onde teremos de resgatar Chico e Paz (personagens introduzidas no MGS Peace Walker), que foram levados para uma instalação militar secreta, algures em Cuba, que alberga prisioneiros “especiais”. Um pouco como Guantanamo nos dias de hoje, mas secreta e sem reconhecimento do governo Norte-Americano. Somos então largados de helicóptero perto da entrada das instalações e depois como cumprimos os nossos objectivos é connosco. Logo no início vamos recebendo instruções sobre várias das novas mecânicas de jogo, como o facto dos binóculos estarem agora directamente mapeados num botão, ao invés de ser necessário de os seleccionar e equipar no inventário. Com os binóculos podemos observar as instalações, obter informações sobre as mesmas e acima de tudo, é extremamente útil para marcar os inimigos no mapa. Com os inimigos marcados no mapa, temos sempre a noção de onde eles estão posicionados, facilitando bastante o trabalho de infiltração. Se formos caços por algum inimigo, temos alguns segundos onde a acção decorre em câmara lenta e a câmara vira-se para a pessoa que nos avistou. Nesses segundos temos de os eliminar antes que soem o alarme. O alarme soando lá teremos de nos seconder rapidamente, com o jogo a passar as fases habituais de alerta, caução e resumo à normalidade. Consultando o mapa podemos ver a “zona quente” onde somos procurados, pelo que convém afastarmo-nos rapidamente do local e evitar ao máximo sermos avistados novamente.

Para além de podermos obter dicas e fazer o reconhecimento da área, os binóculos são também muito úteis para identificar os inimigos.

Para além de podermos obter dicas e fazer o reconhecimento da área, os binóculos são também muito úteis para identificar os inimigos.

A missão principal é curta, teremos de resgatar Chico e Paz de locais diferentes e levá-los a uma de várias “landing zones” disponíveis. Quais dos dois resgatamos primeiro, ou a forma como nos infiltramos é deixada completamente à nossa conta. Podemos escalar uma colina e saltar para dentro da base militar, ou simplesmente entrar pelo portão. Podemos conduzir veículos, jogar de uma forma completamente furtiva usando apenas a arma tranquilizante quando necessário, ou entrar mais a matar. Guardas podem ser interrogados dando-nos dicas de locais com outras armas ou onde os prisioneiros estão e por aí fora. Mesmo dentro da base existem vários caminhos alternativos que podem ser tomados. E apesar da missão em si ser curta, existem várias cassetes audio e emblemas XOF que podem ser descobertos, que depois nos desbloqueiam outras coisas. Ao completer a missão principal pela primeira vez desbloqueamos depois outras missões secundárias que decorrem também na mesma base militar. Nem todas serão importantes para a storyline, numa delas temos de resgatar o próprio Hideo Kojima! Ao coleccionar todos os emblemas XOF desbloqueamos as missões especiais Dejá Vu e Jamais Vu, que outrora eram exclusivas da X360 ou PS3. Com um dos patches lançados posteriormente ambas as missões ficaram também disponíveis em todas as plataformas. A Dejá Vu é uma missão que vai buscar eventos do Metal Gear Solid original, já a Jamais Vu é algo ainda mais insano: a personagem jogável é o Raiden, com o objectivo de destruir todos os Body Snatchers que roubaram o corpo dos militares na base, sendo uma óbvia referência ao clássico Snatcher.

Com os inimigos identificados, conseguimos sempre ter uma noção do seu posicionamento

Com os inimigos identificados, conseguimos sempre ter uma noção do seu posicionamento

A nível gráfico é um jogo muito bem detalhado, mesmo na versão PS3. A missão principal é jogada à noite e com chuva, com os efeitos de luz a serem muito bem definidos. As outras missões podem ser passadas noutras alturas do dia e com diferentes climas meteorológicos. Logo a primeira é passada durante o dia com céu limpo e nota-se bem a diferença que faz ao explorar a base, onde tudo é mais nítido. Kojima planeava implementar um sistema de mudança de dia e noite automáticos, mas acabou por deixá-lo apenas implementado no Phantom Pain. De qualquer das formas, jogando missões diferentes em diferentes alturas do dia e condições meteorológicas serve perfeitamente para mostrar a versatibilidade da engine e as diferenças que sentimos ao jogar. De resto é daqueles jogos cheios de atenção ao detalhe como Kojima sempre nos habituou. Nada tenho a apontar quer à banda sonora, quer ao voice acting que continuam excelentes. Apenas é estranho não ser o Hayter a fazer a voz de Snake. Temos imensas tapes com audiologs para irmos ouvindo, algo que presumo que exista em muito maior quantidade no Phatom Pain que deverei começar a jogar muito em breve.

A alusão ao Snatcher foi genial!

A alusão ao Snatcher foi genial!

Portanto, este Ground Zeroes acaba por ser uma óptima introdução ao Phantom Pain, embora não concorde de todo com a sua comercialização, mesmo tendo sido posto à venda com um preço mais reduzido. Ainda assim, apesar da missão principal ser curta, todo o conteúdo adicional, acaba por de certa forma justificar os 20€ que pediam inicialmente.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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