Killer Instinct Gold (Nintendo 64)

4572_frontContinuando pelas rapidinhas, voltando agora à Nintendo 64 para aquele que muito provavelmente é o jogo de luta mais interessante de todo o seu catálogo. O Killer Instinct original foi um jogo que tentou unir o melhor de dois mundos: a jogabilidade diferenciada e repleta de combos de vários fighters japoneses da época, com a violência e os ambientes sinistros trazidos pelo Mortal Kombat. O jogo teve as suas origens na arcade e acabou por ser convertido para a Super Nintendo. A conversão da Super Nintendo foi muito bem aceito pelo público, no entanto tiveram de ser feitos muitos cortes devido ao hardware da versão arcade ser muito mais poderoso. A sequela acabou então por ser trazida para a Nintendo 64, e apesar de também ter tido alguns cortes, acabou por ser bem mais fiel ao original. Mas já lá vamos. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo bem onde e quando foi comprado, mas certamente que não foi caro.

Apenas o cartucho.

Apenas o cartucho.

Mais uma vez a trama anda à volta das maquinações da Ultratech, uma megacorporação muito poderosa que organiza o torneio de artes marciais acima de tudo para testar os seus “produtos” como máquinas de guerra, desde mutantes, robots ou até mortos-vivos como é o caso do esqueleto. Por outro lado, também temos alguns “bons da fita” que entram no torneio justamente para tentar travar a Ultratech de atingir os seus fins. Mas isso não interessa, o que a gente quer é pancada da velha e esta versão da Nintendo 64 até nos traz muitos modos de jogo. Como não poderia deixar de ser, temos os habituais arcade e versus para 2 jogadores, onde podemos defrontar um amigo numa série de combates “amigáveis”. O arcade coloca-nos a defrontar todos os outros oponentes até chegar a Gargos, o novo boss final deste segundo Killer Instinct. Ainda no multiplayer temos a opção de torneios que podem englobar até 8 jogadores que vão jogando à vez, ou duas variantes do “Team Battle”, onde dois jogadores escolhem equipas de 2 a 11 jogadores e os combates terminam quando todos os lutadores de uma das equipas forem derrotados. O Team Elimination requer que os lutadores sejam derrotados com os golpes especiais. Depois temos várias formas de practicar os golpes, combos e counters que o Killer Instinct tem para nos oferecer. O Practice e duas vertentes do Training. O primeiro é um modo de jogo mais liberal, onde podemos practicar livremente o que nos apetecer. Os modos training já são mesmo tutoriais onde aprendemos à risca todas as estratégias que podemos executar.

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Alguns dos fatalities continuam a ser um pouco mais cómicos do que propriamente violentos

De resto a jogabilidade deste Killer Instinct Gold mantém as suas bases. Há um grande foco nos combos, com diferentes tiposde golpes especiais que se podem executar. Os combates são divididos por rounds, mas de uma maneira diferente que a dos demais jogos de luta. Assim que depletarmos a barra de vida do nosso oponente pela primeira vez, o segundo round inicia connosco com a mesma vida que tínhamos antes. Há então 2 barras de vida por lutador e vence aquele que o conseguir derrotar duas vezes. E depois, tal como Mortal Kombat temos uma série de “fatalities” e outros finishers especiais, como os Ultra Combos. Notei também que houve um ligeiro aumento na violência dessas fatalities, embora o Mortal Kombat continue a levar a taça nesse campo.

A práctica faz o mestre e o jogo possui vários modos de treino bastante interessantes.

A práctica faz o mestre e o jogo possui vários modos de treino bastante interessantes.

Do ponto de vista técnico este é um jogo muito mais próximo ao arcade do que a Super Nintendo alguma vez poderia conseguir. Os cenários são agora completamente em 3D, embora a jogabilidade seja em 2D, assim como os personagens que se mantêm pré-renderizados, mas bem maiores e cheios de detalhes e animações. Ainda assim tiveram de haver cortes, como os full motion videos que a versão arcade do Killer Instinct 2 contém, assim como muitas das vozes ficaram de fora, face às limitações de espaço nos cartuchos. É incrível pensar no quão a história poderia ter sido diferente se a Sega e a Nintendo não tivessem cometido erros colossais naquela geração… mas adiante. As músicas pareceram-me muito boas e variadas, eu gosto particularmente da faixa título, por ser mais “futurista”.

Em suma, este Killer Instinct Gold parece-me ser um óptimo jogo de luta, um género que ficou muito aquém das expectativas quando olhamos para o catálogo da Nintendo 64 neste campo.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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