Time Crisis 3 (Sony Playstation 2)

30109_frontTempo de voltar à Playstation 2 para mais uma conversão de um clássico arcade. Tal como Virtua Cop, Time Crisis é outra das séries de ligthgun shooters mais populares da arcade. Mas ao contrário de Virtua Cop, Time Crisis felizmente tem vindo a ter muitas mais sequelas. Time Crisis 3 é mais um jogo da série a ter uma conversão para a PS2, e tal como vários outros jogos típicamente arcade da época, a Namco deu-se felizmente ao trabalho de incluir muito mais conteúdo na versão caseira. O meu exemplar já foi comprado há um ou dois anos na cash converters de Benfica. Não me lembro quanto custou mas certamente terá sido menos de 3€.

Jogo com caixa, manual e um pequeno catálogo de outros jogos da Namco para a PS2.

Jogo com caixa, manual e um pequeno catálogo de outros jogos da Namco para a PS2.

A história passa-se 6 anos depois dos acontecimentos de Time Crisis II, onde uma ilha fictícia de um país mediterrânico acaba sendo invadida por um outro país vizinho. E como tem sido habitual nos outros jogos desta série, nada como enviar uma dupla de agentes da V.S.S.E. para resolver um conflito armado internacional. Por acaso a sequência de níveis até tem a sua lógica e as coisas vão ficando bem encadeadas ao longo do jogo, desde a chegada à ilha pela praia, passando pela cidade, florestas e rios até chegar à base militar das forças invasoras, onde defrontaremos os bosses finais e tentar impedir que sejam lançados mísseis para destruir aquele país.

Não é muito habitual começarmos um jogo destes num dia todo solarengo e na praia

Não é muito habitual começarmos um jogo destes num dia todo solarengo e na praia

As mecânicas de jogo na sua essência são similares às dos Time Crisis que lhe antecederam. Existe um botão de cover que também serve para recarregar a arma, que nos deixa completamente em segurança enquanto estivermos abrigados. Mas para não se abusar disso, temos um tempo limite para completar as várias sequências de jogo e limpar todos os inimigos do ecrã. Temos então de ter em conta as balas que temos no revólver antes de recarregar, bem como os inimigos que vão surgindo no ecrã. Quando estamos prestes a ser atingidos, há uma espécie de clarão vermelho à volta do oponente durante uns milissegundos, mesmo para nos alertar que estamos prestes a levar um tiro. Existem no entanto outras armas e a principal mudança nas mecânicas de jogo está mesmo aí. Podemos ir alternando livremente entre a pistola, metralhadora automática, shotgun e lança granadas, sendo que apenas a pistola normal possui munições infinitas. As outras têm de ser arrancadas a ferro dos nossos inimigos, geralmente os soldados com armaduras amarelas têm munições. Ainda sobre os soldados inimigos, alguns possuem uma barra de vida, pelo que temos de ter também isso em conta.

Cada jogador vai assumindo posições diferentes no ecrã, o que quer dizer que no multiplayer as experiências vão ser ligeiramente diferentes.

Cada jogador vai assumindo posições diferentes no ecrã, o que quer dizer que no multiplayer as experiências vão ser ligeiramente diferentes.

O fluxo do jogo é bastante dinâmico e cinemático. Acho que a Namco está de parabéns pela forma como foi apresentando as sequências, sempre cheias de acção e coisas novas a acontecer, como um barco a afundar-se, ou um comboio prestes a cair de uma ponte, obrigando-nos a lutar pela sobrevivência. A dinâmica de termos o segundo jogador (ou CPU) a tomar posições diferentes nos cenários e termos de lhe dar fogo de cobertura e vice-versa está novamente aqui presente. Isso implica que, no caso de jogarmos o modo multiplayer com um amigo, cada jogador vai ter uma experiência ligeiramente diferente. Falando do multiplayer, para além de suportar multiplayer em split screen, este é um dos poucos jogos que aceita a possibilidade de jogar em 2 televisões diferentes, com recurso a um cabo especial que liga 2 Playstation 2.

De resto, para além do modo arcade que pode ser concluído em cerca de uma hora se formos bons nisso (ou tivermos continues ilimitados), a versão Playstation 2 deste Time Crisis traz ainda outros modos de jogo. Um deles são as Rescue Missions de Alicia Winston, personagem não jogável no modo arcade, mas central na história. Aqui jogamos uma side story inteiramente protagonizada por ela, com jogabilidade idêntica à versão arcade, ocasionalmente com alguns segmentos de sniper shooting, que me fazem lembrar bastante a série Silent Scope. Depois temos também as Crisis Missions, pequenas missões com objectivos definidos, tal como apareceram também no Time Crisis II.

A escolha do mediterrâneo é algo incomum, mas agradável

A escolha de cenários tipicamente mediterrâneos é algo incomum, mas agradável

Graficamente é um jogo muito bem conseguido para a altura, com gráficos bem detalhados, e cenários variados. A pequena cidade mediterrânica está muito bem detalhada, conseguiram mesmo capturar o feeling típico dessa zona. Depois os cenários vão sendo destrutíveis, desde os objectos que podemos partir, aos veículos que podemos explodir, ou mesmo às marcas das balas deixadas nas paredes ou rochas. No que diz respeito ao audio, as músicas são cativantes, bastante épicas e orquestradas, representando bem a magnitude de todo o caos que vemos no ecrã. O voice acting não é brilhante, nem precisa de o ser, mas cumpre bem o seu papel.

No fim de contas temos aqui um light gun shooter muito sólido. Talvez o melhor de todos os que joguei até agora na PS2, faltando-me ainda o Crisis Zone desta série em específico. Mas não há-de estar para muito longe esse eventual novo artigo.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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