Phoenix Wright: Ace Attorney (Nintendo DS)

phoenix_wright_-_ace_attorney_coverartMantendo-me pelas portáteis da Nintendo, o jogo que cá trago agora é o primeiro capítulo de uma série que se revelou numa óptima surpresa para mim. Phoenix Wright: Ace Attorney é uma interessante mistura de aventura gráfica e visual novel, com a temática da defesa de casos “impossíveis” em tribunal. É uma série que já existia no mercado desde 2001 de forma exclusiva para a GameBoy Advance apenas no Japão. Felizmente que, com a introdução da Nintendo DS, a Capcom decidiu pegar nos jogos já existentes dessa série e relançá-los na nova portátil da Nintendo, com diversas mudanças e melhoramentos, principalmente pelo facto de o mercado ocidental não ter ficado esquecido. O meu exemplar é uma versão norte-americana, que foi comprada na Feira da Ladra em Lisboa, no último Sábado que passei por lá, no final de Setembro. Custou-me 15€ se a memória não me falha.

Jogo com caixa, papelada e manual na sua versão norte-americana

Jogo com caixa, papelada e manual na sua versão norte-americana

A personagem principal é o jovem advogado Phoenix Wright, que se encontra a iniciar a sua carreira na firma de Mia Fey, a sua mentora. Ao longo do jogo teremos 5 casos para resolver, onde o primeiro serve como uma espécie de tutorial, onde Mia Fey nos vai auxiliando no tipo de acções que teremos de ter em conta e mais precisamente no seu timing. Cada capítulo está dividido em 2 secções distintas, com uma cutscene de abertura onde assistimos a uma cena de um assassinato, sendo que depois ficaremos com o papel de defender o principal suspeito da sua inocência. Essas duas secções distintas dividem-se na parte de exploração, onde iremos percorrer por vários cenários, de forma a recolher e examinar pistas que possam ser usadas como provas e entrevistar pessoas para recolher os seus testemunhos. A outra parte são claro as sessões do tribunal, onde teremos de interrogar testemunhas e procurar contradições nos seus diálogos, recorrendo também às provas encontradas anteriormente. Eventualmente as testemunhas vão sendo descredebilizadas e o verdadeiro culpado dos crimes vai sendo encontrado.

Ao questionar as testemunhas da maneira correcta, acabamos por descobrir algumas inconsistências e mentiras que muitas vezes nos levam a situações hilariantes.

Ao questionar as testemunhas da maneira correcta, acabamos por descobrir algumas inconsistências e mentiras que muitas vezes nos levam a situações hilariantes.

É precisamente nestas sessões dos julgamentos que o jogo ganha todo o seu charme, pois é aí que todo o dramatismo acontece, e as personagens são todas bastante carismáticas. O jogo balanceia muito bem o drama com o humor, até porque a grande maioria das personagens são bem bizarras e muitas vezes quando os contradizemos eles começam a dizer parvoíces. Depois claro, temos as “regras” do jogo em que todo o suspeito é considerado culpado até prova em contrário, os julgamentos têm um prazo máximo de 3 dias para se chegar a um veredicto e as nossas acções se feitas à sorte ou com o ou fora do seu timing vão irritando o juíz, até que podemos vir mesmo a perder o caso se lhe esgotarmos a paciência. Gritar “Objection!” pode ser bem bonito com todos os gestos elegantes que os advogados fazem, mas não adianta de nada se não tivermos um argumento que o suporte. E sim, o próprio juíz também não é propriamente imparcial ou isento…

Todas as acções que tomamos durante o julgamento devem ser meticulosas, pois se metermos água várias vezes o juiz chama-nos incompetentes, considera o réu culpado e dá o caso por encerrado.

Todas as acções que tomamos durante o julgamento devem ser meticulosas, pois se metermos água várias vezes o juiz chama-nos incompetentes, considera o réu culpado e dá o caso por encerrado.

Felizmente podemos gravar o nosso progresso no jogo a qualquer momento, e o facto de os casos terem no máximo 3 dias para ficarem fechados não influencia em nada a história, pois a mesma é bastante linear e esse limite nem sempre é necessário para ser atingido. Quando temos mais que uma sessão de julgamento o jogo remete-nos novamente para a parte de exploração de forma a recolher novas provas e testemunhos. Quando tivermos encontrado tudo o que é necessário ao round seguinte, somos então encaminhados para uma nova sessão no tribunal. Aí, a arte e o engenho está precisamente no saber o que dizer, ou que provas apresentar para descredibilizar as testemunhas entrevistadas. Temos de estar bastante atentos aos diálogos de forma a procurar alguma frase chave que não bata certo com os perfis que temos das personagens e das provas recolhidas, o que nem sempre é evidente, principalmente naqueles casos mais “avançados” no jogo.

As provas que encontramos depois de analisadas meticulosamente são usadas como forma de provar a inocência do réu

As provas que encontramos depois de analisadas meticulosamente são usadas como forma de provar a inocência do réu

O quinto e último caso foi desenvolvido especialmente para esta conversão da Nintendo DS, pois usa as características únicas da DS no decorrer do jogo, como a possibilidade de usar o touch screen para rodar objectos, ou um kit de análise forense para procurar outras pistas que também recorre ao touchscreen ou microfone.  No entanto, ao longo de todo o jogo, os diálogos e cutscenes vão sendo vistos no ecrã superior, com o inferior a servir de interface para aceder ao inventário, escolha de diálogos e afins. Vem também com a possibilidade de usar comandos por voz, mas sinceramente não testei, porque sempre o joguei em espaços públicos e queria evitar gritar “objection!!” para não pensarem que sou maluquinho.

De resto, graficamente é um jogo interessante, mesmo sendo uma conversão de um jogo de Game Boy Advance. As personagens têm todas um traço manga tipicamente japonês e as suas expressões faciais são hilariantes. As músicas são também variadas e bastante agradáveis, como a Capcom sempre nos habituou.

Na fase da exploração teremos de procurar por pistas escondidas e entrevistar várias pessoas

Na fase da exploração teremos de procurar por pistas escondidas e entrevistar várias pessoas

Phoenix Wright Ace Attorney é uma excelente série que me surpreendeu bastante e à Capcom também, pois lançou o jogo nos Estados Unidos de uma forma contida e rapidamente se popularizou, gerando várias rupturas de stock. Ainda bem que tal aconteceu pois dessa forma quase todos os outros acabaram por sair também no Ocidente, e deram também azo a um interessante crossover com a série Professor Layton que planeio jogar assim que comprar uma 3DS. Ainda assim a Capcom não deve ter produzido cópias suficientes dos jogos desta série, pois todos eles são algo complicados de aparecer nos círculos normais, pelo menos a preços apetecíveis.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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