Clockwork Knight 2 (Sega Saturn)

Clockwork Knight 2A Sega Saturn pecou pela falta de um jogo de plataformas impactante e verdadeiramente 3D, um pouco como Mario 64 e Crash Bandicoot o foram nas consolas rivais. O Sonic Xtreme nunca veio a acontecer, mas a Sega não deixou os fãs de jogos de plataformas de mãos a abanar, com franchises como Bug e este Clockwork Knight a tomarem de certa forma o papel de destaque. Destaques por destaques, o melhor jogo de plataformas da Sega na época da Saturn até nem sequer saiu do Japão, mas isso seria outra conversa. Este Clockwork Knight 2 veio de um particular, após umas trocas e baldrocas feitas há poucos meses atrás. Já era um jogo que procurava a um bom preço há bastante tempo, pelo que foi uma troca muito benvinda!

Jogo com caixa

Jogo com caixa

E as coisas não são assim tão diferentes do primeiro Clockwork Knight. São de tal forma parecidas que no Japão temos a compilação Clockwork Knight: Pepperouchau no Fukubukuro que traz os 2 jogos num só disco, com mais algum conteúdo bónus incluído. Mas voltando a esta sequela, a história decorre logo depois dos acontecimentos do primeiro jogo cujo tinha até terminado num cliffhanger, e o combate contra o último boss do primeiro jogo é também a primera coisa que fazemos aqui. Dito isto, voltamos a controlar o cordial cavaleiro Sir Tongara de Pepperouchau III (“Pepper” para os amigos), que uma vez mais percorre diferentes divisões da casa para recuperar a sua amada. Uma vez mais, aquele carisma que encontramos em filmes como Toy Story está aqui presente, pois todos os intervenientes são brinquedos (Pepper é um brinquedo mecânico daqueles de dar à corda), e atravessamos divisões distintas, onde objectos banais do nosso dia a dia são plataformas, obstáculos ou mesmo inimigos.

Os níveis em que andamos a cavalo parecem quase uma montanha russa

Os níveis em que andamos a cavalo parecem quase uma montanha russa

As mecânicas de jogo são então também muito semelhantes ao original. Apesar de os mundos serem em 3D poligonal, o jogo é na realidade jogado inteiramente em 2 dimensões, embora por vezes existam algumas brincadeiras, como os cenários rodarem em 90º, ou Pepper ir transitando entre foreground e background. Existem ao todo mais 4 divisões da casa a serem exploradas, cada qual com uma temática diferente. Começamos pelo quarto de uma criança, depois numa sala de leitura repleta de livros, uma casa de banho e por fim uma clock tower, mesmo a condizer com o Pepper! Para atacar os inimigos, Pepper usa a sua espada, que é na verdade uma chave (acho que já sei onde Kingdom Hearts foi buscar essa ideia), mas podemos também pegar em objectos e atirar contra eles, bem como pegar nos inimigos, depois de atordoados e atirá-los contra outros! De resto as mecânicas de jogo são essencialmente essas, em cada divisão temos 2 níveis normais mais um boss e por fim o boss final. De vez em quando alguns desses níveis são montados a cavalo, assemelhando-se um pouco àqueles níveis em que somos levados por um minecart em descidas vertiginosas por cavernas.

No final de alguns confrontos com os bosses somos levados a um mini jogo de apostas, onde poderemos ganhar vidas extra

No final de alguns confrontos com os bosses somos levados a um mini jogo de apostas, onde poderemos ganhar vidas extra

No que diz respeito aos audiovisuais, achei esta sequela mais bem trabalhada graficamente. Os cenários são bem mais detalhados, com objectos grandes, bem definidos e cores mais vívidas. Existem ainda alguns efeitos gráficos interessantes, em especial no nível da casa de banho. É certo que a água e as ondas não são as mais bonitas que podemos ver em máquinas de 32bit, mas pelo menos as transparências e efeitos de vapor de água sim. As músicas continuam também a serem na sua maioria temas jazz. Alguns cantados, como na abertura e encerramento do jogo, outros meramente instrumentais. Há um maior foco nos teclados e saxofone que apesar de não serem os meus instrumentos predilectos, no geral até achei uma banda sonora bem agradável.

É no confronto com os bosses que melhor se vê os gráficos poligonais deste jogo

É no confronto com os bosses que melhor se vê os gráficos poligonais deste jogo

No fim de contas este Clockwork Knight 2 é um bom jogo de plataformas, embora tal como o primeiro, seja curto e não muito desafiante. Apesar de a nível gráfico ser uma obra superior e bem mais trabalhada que o primeiro, não deixa de ficar a sensação no ar que os 2 jogo deveriam ser um único e talvez à ultima da hora tenham decidido então repartir-lo em duas metades.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Saturn, SEGA. ligação permanente.

Uma resposta a Clockwork Knight 2 (Sega Saturn)

  1. Joguei pouquissimo do primeiro clockwork, mas também tive essa impressão de que ele podia ter sido mais interessante. Achei muito interessante essa parte de um jogo ser cliffhanger do outro.

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