Commander Keen Complete Pack (PC)

Estas colectâneas de hoje em dia por vezes são uma grande banhada. É o que dá quando se metem pelo meio direitos de diferentes publishers, mesmo quando a produtora em si é a mesma. Isto porque comprei recentemente o Commander Keen Complete Pack para o steam, para reavivar a minha memória de uma série de platformers clássica do PC no início da década de 90. Mas de “complete” tem pouco pois faltam 2 capítulos na saga. E se por um lado o Keen Dreams, um jogo que sempre foi um spin-off e publicado pela Softdisk (antiga publisher da id Software), o último capítulo da saga, o “Aliens Ate My Babysitter” também não está incluído, pois apesar de também ter sido produzido pela id Software e distribuído pela Apogee, pelos vistos a publisher era a Formgen e não devem ter chegado a acordo para incluir esse jogo na compilação. O que é pena! Este “Complete” Pack entrou na minha conta steam algures durante o mês passado, tendo-me custado muito pouco numa promoção.

Commander Keen Complete PackE em que consistem estes jogos? Bom, são uma série de jogos de plataforma, lançados originalmente no ano de 1990 e ficaram conhecidos por serem dos primeiros jogos do género deste calibre a saírem para o PC. Também com pessoas como John Carmack, Romero e Tom Hall na equipa de desenvolvimento só poderia sair coisa boa. Sim, os mesmos senhores da id software que desenvolveram mais tarde jogos tão violentos quanto revolucionários como o Wolfenstein 3D e o Doom também fizeram uma série de jogos de plataforma bastante coloridos e family friendly. O Commander Keen é apenas um miúdo de 8 anos com um QI de 318 e, com meia dúzia de objectos aleatórios que descobriu lá por casa, construiu uma nave espacial e lançou-se à aventura no espaço. Mas chegou a Marte, despenhou-se e viu certas peças da sua nave espacial serem roubadas pelos Vortikons, uma raça extraterrestre! Está lançado o pronúncio dos três primeiros capítulos da saga “Invasion of the Vorticons”.

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A primeira trilogia de Invasion of the Vorticons ainda muitas coisas eram algo cruas, a começar pelos gráficos simples.

Em todos estes jogos aqui referidos, existem uma série de mecânicas chave que se mantêm idênticas. Antes de entrar em cada nível temos um pequeno mapa para explorar, um pouco como o que se fazia no Super Mario Bros 3 e World, mas com um pouco mais de liberdade de movimentos, tanto que os podemos começar practicamente com qualquer ordem e nalguns casos, nem todos são necessários para se terminar o jogo. Depois os níveis em si costumam ser bastante amplos, com muitos cantos e recantos a explorar, se quisermos apanhar todos os objectos que por lá andam. Em alguns níveis apenas temos de descobrir a saída, noutros um objecto ou uma pessoa, ou fazer uma acção específica como desactivar armas apontadas a várias cidades humanas, como no capítulo 2 “The Earth Explodes”. Keen pode correr e saltar. Alguns inimigos podem ser atacados como no Super Mario, saltando-lhes em cima, mas outros apenas sofrem dano após dispararmos a nossa arma laser de munições limitadas. Mas muitos dos Vorticons são completamente inofensivos, deixando-nos apenas temporariamente “tontos” sem poder reagir. É preferível em grande parte dos casos simplesmente evitá-los do que estar a gastar munições quando outros inimigos mais poderosos representam mais perigo. Mas o objecto que mais fama trouxe ao Commander Keen é o pogo stick, aquele “pau” com uma mola na ponta que nos permite saltar bem mais alto e atingir locais que de outra forma seriam inacessíveis. O único revés é que enquanto estivermos a utilizar o pogo stick não podemos usar a nossa arma.

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Mas na segunda trilogia, apesar de os gráficos ainda serem EGA, a evolução foi notória. E na jogabilidade também.

Bom, mas falando um pouco mais particularmente de cada jogo que vem aqui, o primeiro jogo da saga é o “Invasion of the Vorticons”, lançado em 1990 pelo esquema de shareware, onde temos um primeiro capítulo inteiramente grátis – o Marooned on Mars, e os restantes The Earth Explodes e Keen Must Die!, apenas distribuídos a quem o encomendasse. Neste primeiro jogo, as coisas ainda eram muito primitivas. A jogabilidade apesar de ser melhor que muitos outros jogos de plataformas que assolavam o PC nessa época, ainda não é das mais refinadas, com os saltos a não serem os melhores e a falta de um HUD obrigava-nos a clicar no espaço sempre que quiséssemos ver a nossa pontuação, vidas e munição restante, ou o inventário. A nível técnico pode não parecer mas para os padrões de 1990 até que não era mau de todo. Os PCs (arquitectura x86) foram desenvolvidos a pensar unica e exclusivamente em uso para trabalho. E se por um lado em 1990 já tínhamos uma Mega Drive, uma SNES em alguns territórios ou mesmo os Commodore e os computadores Atari, os PCs tinham algo estrondoso: gráficos em EGA, onde se podem apresentar 16 cores em simultâneo e as placas de som para muitos eram ainda uma miragem. O fenómeno do “PC Master Race” só veio a aparecer uns aninhos depois… Ora isso explica o porquê de ser um jogo com cores fraquinhas e todos os sons serem em PC-speaker, o que eu sempre achei completamente irritante.

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Algures no capítulo Keen Must Die podemos ver o alfabeto Vorticon e depois descodificar todas estas mensagens nos níveis anteriores

Passando o Keen Dreams que não é para aqui chamado, temos depois o Commander Keen: Goodbye Galaxy composto pelos capítulos 4 e 5, The Secret of the Oracle e The Armageddon Machine, mais uma vez com gráficos em CGA, mas com muito mais detalhe em todos os níveis. Os backgrounds são muito mais detalhados, as sprites maiores, melhores animações, jogabilidade mais refinada, etc. Tudo melhorou! O som agora também já suportava placas de som, o que se traduziu nalgumas músicas bem competente. Para além de ambos os episódios, tínhamos ainda um mini jogo baseado no Pong – o Paddle War – que poderia ser jogado logo no menu inicial. Bonito detalhe. Por fim teríamos ainda o tal Aliens Ate My Baby Sitter! que continua a história iniciada pelos capítulos 4 e 5, mas pelas tais questões de copyright não chegou a ser incluido nesta compilação, o que é pena.

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A ordem pela qual fazemos os níveis é maioritariamente livre. Se o nível estiver ao nosso alcance, podemos jogá-lo antes dos outros!

Commander Keen é um nome esquecido no mundo dos videojogos, mas quem teve um PC na década de 90, certamente já se terá deparado com a personagem nos seus capítulos gratuítos em shareware. Apesar das limitações que os PCs ainda tinham em comparação com as consolas no aspecto audiovisual, este acabou por ser um passo muito grande face à concorrência nessa plataforma. Até na questão do alfabeto alienígena, coisa que se calhar só era vista em RPGs e livros de fantasia… Mas essa fama acabou por se ir perdendo, até porque em 2001 alguém decidiu lançar um novo Commander Keen para a Gameboy Color que acabou por passar perfeitamente despercebido na imensidão de platformers para a GBC, mas também não era um jogo muito melhor que medíocre.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Commander Keen Complete Pack (PC)

  1. drac0nian diz:

    Muito bom!

    O primeiro Keen que joguei foi o ep4 e foram muitas horas de volta dele, e continua a ser um dos meus platformers preferidos.

    Apontaste o lançamento no GBC mas não disseste nada sobre os cameos dele, principalmente o mais conhecido no Doom 2 😛

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