MirrorMoon EP (PC)

Já há algum tempo que não trazia cá um daqueles jogos mesmo estranhos mas que ao mesmo tempo nos agarram bastante. MirrorMoon EP é um desses. Pensem numa espécie de Proteus, mas passado no espaço onde temos centenas de estrelas e planetas para explorar e em cada um desses planetas teremos uma série de puzzles para resolver. Mas já explicarei melhor o conceito em seguida. E como muitos outros, este jogo indie veio parar à minha conta no steam após ter sido comprado num indie bundle por uma bagatela.

MirrorMoonIniciamos a nossa aventura dentro de um cockpit transparente de uma nave espacial, estando à nossa frente toda a maquinaria necessária para a operar, inicialmente desligada, com um botãozinho diferente de todos os outros – a vermelho. Ao clicar nesse botão, qualquer coisa na nave se liga, e um outro botão muda para vermelho, indicando que será esse o passo a seguir. Ao seguirmos essa sequência de botões, acabamos por ser transportados para a superfície de um estranho e deserto planeta, munidos apenas de um misterioso objecto na nossa mão direita. Benvindos ao tutorial  do jogo, onde nos vão dando pequenas indicações de como prosseguir: WASD para nos movimentarmos, as setas do teclado ou o próprio rato para movimentar um estranho objecto que acabamos por adquirir para a nossa “arma”, entre outros.

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O cockpit da nossa nave

Mas desde cedo nos apercebemos de um enorme paradoxo. Eventualmente podemos ver no céu uma lua que é na verdade uma espécie de espelho do planeta em que estamos. Com o nosso equipamento, e mediante os módulos que colectamos, podemos interagir com essa lua, rodando-a, arrastando-a no céu, ou mesmo marcá-la temporariamente com “pilares” de energia. O objectivo? Para que consigamos guiar-nos no planeta em que estamos de forma a encontrar vários edifícios que nos permitem resolver os puzzles e progredir no jogo. Confusos? Eu também estou. Mais um exemplo: se arrastarmos a lua para o sol, dá-se um eclipse, ficando tudo às escuras, e na lua conseguiremos ver a nossa posição marcada como uma seta, bem como outros edifícios que eventualmente não se vêm durante o dia.

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A lua que controlamos é um espelho do planeta em que estamos, um paradoxo que dá para fazer muitas coisas

Mas eis que eventualmente lá nos safamos e conseguimos resolver os mistérios desse planeta. Somos induzidos para encontrar uma “anomalia” no espaço (como se aquela lua já não fosse anomalia que chegue) e sentamo-nos novamente no cockpit da nossa nave espacial. Agora dispomos de mais botões para mexer, e um mapa interestelar à nossa frente, mostrando a disposição em 3D das estrelas (podemos rodar o mapa livremente em 360º). Muitas dessas estrelas já têm nomes, outras apenas números de série como ADC/345, ou XYZ/390. Mais nenhuma dica é dada. Após javardar um pouco com os controlos, lá acabamos por iniciar uma viagem em direcção a um sistema solar. Assim que lá chegarmos (algumas viagens podem demorar bem mais de 10 minutos) a nave fica estática. Após mais uma vez mexermos nalguns botões, acabamos por ir parar à superfície de um outro planeta.

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Um dos módulos da nossa “arma” permite disparar pilares de luz que podem servir para activar coisas, ou apenas para servirem de marcadores de orientação. Notem como os pilares tanto estão na lua como no nosso planeta.

E aqui as coisas ficam muito interessantes, pois muitos planetas têm estas luas-espelho, edifícios misteriosos onde podemos encontrar aqueles equipamentos para manipular as luas, ou então são completamente desertos e sem nada para fazer, a não ser activar um misterioso artefacto em forma de esfera. Se formos os primeiros a fazê-lo, poderemos nomear o sistema solar que descobrimos (daí as diferenças de nomes que mencionei no parágrafo acima e sim, o universo é partilhado com todos os jogadores em simultâneo). Depois cada planeta tem as suas peculiaridades, fruto do estilo gráfico bem estiloso do jogo. Podemos encontrar objectos estranhos, efeitos atmosféricos como pequenas chuvas ou tornados luminosos, entre outros. As próprias luas que encontramos também podem ter peculiaridades, algumas não as conseguimos controlar, mas vamos vendo-as a descreverem as suas órbitas e lá tentamos tirar algumas orientações dessa forma.

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Muitas das estruturas que encontramos têm módulos adicionais para a nossa “arma”

A exploração é então uma parte muito importante neste jogo, tanto ao explorar os próprios planetas, como nas viagens interestelares. E a coisa que mais gostei foi mesmo da imersão que conseguiram incutir ao jogador durante todo o jogo, fazendo-nos mesmo sentir pioneiros e solitários exploradores do universo. A estética do jogo, aliada à sua banda sonora minimalista, mas também envolvente foram os grandes responsáveis por eu ter perdido várias horas de uma só assentada a explorar todo aquele universo. Mas o objectivo de encontrar “a anomalia” é muito difícil de alcançar, e isso acaba por cansar um pouco termos de ir fazendo sempre as mesmas coisas. Claro que podemos ter a sorte de escolher uma estrela/planeta ao calhas e acertar na anomalia, mas o jogo exige mesmo que sejamos espertos e que tentemos fazer algumas triangulações malucas para estimar onde estará a anomalia. Isto porque existem alguns planetas especiais (que uma vez mais apenas podemos descobrir por sorte, ou por dicas de outros jogadores que os tenham nomeado de forma sugestiva). Em alguns planetas iremos ver uma estrela marcada com um círculo à volta do céu. Esse círculo é precisamente a tal estrela que temos de descobrir, estando marcada no céu por uma máquina misteriosa algures nesse planeta onde estamos. Outro tipo de planetas que podemos descobrir são os observatórios, que vão marcando algumas estrelas no céu na forma de constelações, e mais uma vez a “anomalia” encontra-se marcada com um círculo. O resto é “simples”, só temos de descobrir essa constelação e a tal estrela e voilá.

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A direcção artística deste jogo é algo de fantástico!

Visitei dezenas de planetas e a única coisa que vi foram alguns planetas que simplesmente marcavam a tal anomalia no céu. Como já tinha jogado quase 12h e já estava um pouco cansado de fazer sempre a mesma coisa, e assustado com a tarefa hercúlea que me era imposta, resolvi fazer batota. O jogo tem várias “seasons”, onde a cada season o universo é gerado aleatoriamente, com os sistemas solares a serem distribuidos de formas completamente diferentes. Fui ao fórum do steam e descobri que na Season 64 alguém tinha partilhado as coordenadas de alguns observatórios e da anomalia. Perdi uns 10, 15 minutos até encontrá-las no mapa e voilá. Não me sinto orgulhoso disso, mas o tempo é precioso e apesar de ter adorado o conceito do jogo senti que o mesmo já não teria muito a oferecer. E fiquei um pouco desiludido com o final.

No fim de contas, acredito perfeitamente que tenham achado este meu artigo algo confuso. Afinal o MirrorMoon tem alguns conceitos paradoxais e abstractos que são difíceis de explicar. Mas as viagens espaciais, mesmo as mais demoradas onde apenas ouvíamos uma calma, mas imponente música enquanto iamos vendo todas as estrelas a passarem por nós bem lentamente no ecrã deixou-me completamente agarrado. Os puzzles nos planetas, e o enorme sentido de orientação que nos era exigido também achei um bom desafio, mas por muito bom que eu o tenha achado, chegou a um ponto em que acabou por aborrecer por ser sempre a mesma coisa. Mas não deixo de o recomendar para quem quiser experimentar algo diferente e original.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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