Comix Zone (Sega Mega Drive)

Comix ZoneUm dos melhores e mais originais videojogos que passaram pela mítica consola de 16bit da Sega foi um produto do seu já extinto estúdio norte-americano Sega Technical Institute, que nos trouxe também outros clássicos como Kid Chameleon ou uma valiosa participação no desenvolvimento de Sonic the Hedgehog 2. Comix Zone é um jogo de pancada lançado em 1995, mas ao contrário de clássicos como Final Fight ou Streets of Rage, a sua jogabilidade e conceito acaba por ser inteiramente diferente, como irei mencionar em seguida. Este meu exemplar foi comprado salvo erro no mês passado de Abril, tendo-me custado 5€, faltando-lhe o manual e o famigerado CD com a banda sonora.

Comix Zone - Sega Mega Drive

Jogo com caixa.

Então de que se trata este Comix Zone afinal? É um jogo de pancada à lá Final Fight, mas também não tem nada a ver. A semelhança está apenas no facto de termos de andar à pancada com vários inimigos até chegar ao fim do nível, mas em vez de vaguearmos em ruas, edifícios ou afins, vamos estar dentro de um livro de banda desenhada, saltando de quadradinho em quadradinho. E como tudo isso aconteceu? Bom, a nossa personagem chama-se Sketch Turner, um artista de banda desenhada que estava precisamente a trabalhar no seu livro Comix Zone numa noite de tempestade. Até que um relâmpago atinge o livro e claro, aconteceu o inevitável no mundo das comics. O vilão Mortus, um poderoso mutante ganha vida e troca de lugar com Sketch, enviando-o para a sua própria criação, o projecto do seu livro de BD. Aí Sketch vê-se a lutar contra as criaturas que idealizou, sendo ajudado pela Alissa Cyan, uma das líderes da resistência humana e com Mortus do outro lado do livro a tentar complicar-lhe a vida ao máximo.

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Na banda desenhada norte americana, muitos super heróis surgem com alguma catástrofe… aqui é mais ao contrário.

A jogabilidade é simples, embora Comix Zone não seja propriamente um jogo fácil pois os inimigos não nos dão lá muito sossego. O botão A distribui pancada, o B serve para saltar e podemos usar combinações desses botões para desencadear diferentes golpes ou combos. Um dos golpes especiais consiste em Sketch arrancar um pouco de papel do seu próprio livro e com isso fazer um avião de papel capaz de causar dano a todos os inimigos que se atravessem no seu caminho, no entanto a custo de um pouco da sua própria barra de vida, pelo que deve ser utilizado com moderação. Por outro lado, são detalhes como esse que fazem este jogo tão original, essa interacção com a própria banda desenhada onde estamos inseridos, muitas vezes temos mesmo de romper “papel” que separa os vários quadradinhos para progredir no nível.

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Esta secção inicial do jogo é das coisas que me ficou gravada na memória ao longo de todos estes anos.

Mas para além das cenas de pancadaria da velha, Comix Zone incorpora na sua jogabilidade alguns elementos de puzzle game, onde teremos de interagir com o cenário, para avançar  para o painel seguinte, sejam simples acções como pressionar um botão ou mover uma alavanca, ou usar a sua ratazana de estimação para alcançar zonas estreitas e assim conseguir avançar. A ratazana está incluida no sistema de inventário do jogo, onde Sketch pode armazenar até 3 itens, incluindo armas como bombas ou facas, itens que regeneram vida, ou um power up bem poderoso que transformam Sketch num super-herói, pelo menos temporariamente.

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo muito bem conseguido. Toda a acção se passa num mundo pós apocalíptico, pelo que iremos lutar em cidades em ruínas como Nova Iorque e a sua estátua da Liberdade desfeita em pedaços, os seus esgotos, mas somos também transportados para o outro lado do mundo, como os Himalaias ou outras aldeias Asiáticas que surpreendentemente têm importantes bases mutantes lá instaladas. O diálogo é também dado através de balões de banda desenhada, embora como é habitual nos jogos 16bit lá vamos tendo um ou outro voice sample. Os efeitos sonoros cumprem o seu papel, já a banda sonora tem uma toada mais rock que me agrada. Até porque o herói do jogo para além de desenhar BD também é um artista rock, calha tudo bem! O CD da banda sonora que vem com o jogo já contém músicas tocadas por uma banda “a sério”, mas não está no âmbito deste artigo. Até porque não o tenho!

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Como sempre o Mortus a não nos deixar em paz.

De resto, para além de uma dificuldade acima da média, só tenho mesmo pena que seja um jogo curto. Mesmo existindo algumas bifurcações de caminho que por vezes temos de optar, o que lhe dá logo alguns pontos para voltar a pegar no jogo, ainda assim acaba por saber muito a pouco. É uma pena que o Comix Zone só tenha saído em 1995, numa altura em que consolas como a Saturn ou a Playstation já estavam no mercado (ou prestes a entrar nele). Se tivesse saído mais cedo teria sido certamente um jogo com muito mais sucesso e reconhecimento do que aquele que goza hoje em dia.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Comix Zone (Sega Mega Drive)

  1. João Marques diz:

    Este jogo é genial, nota-se bem que já é de uma altura de final de geração, em que todo o poder da mega drive já estava a espremido ao máximo 😛 Para além disso foi feito por um dos estúdios mais geniais que a sega teve, que teve um fim um bocado triste devido ao infame sonic xtreme. Se a produção desse jogo tivesse corrido bem, talvez o STI ainda existisse hoje xD

    • cyberquake diz:

      Infelizmente não sei até que ponto o STI existiria hoje pois a Sega deu muitas voltas e reviravoltas em practicamente todos os seus estúdios internos até agora… Mas sim, o Comix Zone é excelente a nível técnico! 😉

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