The Cat Lady (PC)

Mais uma análise para PC, e não deverá ser a única nos próximos tempos, já que esta semana estou numa de “despachar” alguns jogos indie relativamente curtos que tenho aqui no steam, sem dúvida a plataforma para a qual tenho um backlog maior. E este The Cat Lady é um jogo de aventura “point and click” com uns controlos bem diferentes dos habituais, mas mais que isso é mesmo a sua história bizarra ao extremo e bastante sádica que nos deixa muitas vezes algo desconfortáveis. Invariavelmente este jogo também entrou na minha conta steam após ter sido comprado num de muitos indie bundles a um preço reduzido.

cat-lady-new-coverSusan Ashworth é a nossa “heroína”, uma senhora de 40 anos que adora gatos e que está a atravessar uma depressão gigante E o jogo lá começa com Susan a cometer suicídio após ingerir uma embalagem inteira de comprimidos para dormir e logo depois somos levados para um estranho mundo no “além”. Um mundo bastante sádico, onde após uma série de eventos chocantes acabamos por conhecer uma misteriosa divindade na forma de uma velhinha que nos propõe algo: devolver a nossa vida (e imortalidade) a troco de Susan eliminar uma série de psicopatas violentíssimos, uns “parasitas” como lá são chamados.

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Sim, o jogo está cheio de psicopatas bizarros e extremamente violentos

É muito difícil estar a escrever sobre este jogo sem estar a “spoilar” coisas que eu preferia mesmo que vissem com os vossos próprios olhos e ficassem tão surpreendidos quanto eu. Só me resta então descrever as coisas de uma forma algo genérica ou vaga, que não lhe fazem toda a sua justiça. The Cat Lady é um jogo deprimente, sádico e bastante violento, onde representações de homicídios chocantes e bem sangrentos vão ser coisas que não faltarão ao longo da aventura. Não é certamente para todos os públicos e bem que o avisam antes de começarmos o jogo. Ainda assim gostei da maneira como foram encadeando a narrativa ao longo dos sete capítulos dos quais jogaremos. Por exemplo, após regressar do mundo dos mortos acordamos num hospital onde vamos recebendo algum apoio psicológico e entretanto outras coisas acontecem, até que estamos num capítulo seguinte e já em casa.

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The Cat Lady é um jogo depressivo, como se pode perceber pela sua tonalidade constantemente escura

As mecânicas de jogo emulam um point and click tradicional, embora apenas se use o teclado. O jogo é apresentado num plano totalmente em 2D, onde nos movimentamos com as setas do teclado ou o esquema WASD. Quando nos deparamos em frente a algum objecto ou pessoa que pode ser interagido, temos de carregar na seta para cima (ou letra W) para ver quais as opções que podemos escolher, coisas como “olhar”, “falar”, “pegar”, “usar”, entre outros. Também temos um inventário, cujo pode ser activado ao pressionar na seta para baixo ou através da tecla S. Activando o inventário movemo-nos pelos itens através das setas e ao carregar na seta para cima no objecto pretendido vemos também quais as opções que esse mesmo objecto nos deixa fazer. Para além disso, no que diz respeito aos diálogos por vezes teremos várias escolhas a tomar, escolhas essas que irão alterar um pouco a maneira como o restante capítulo irá decorrer, ou mesmo influenciar o final que poderemos obter.

Nos audiovisuais este mantém-se um jogo sinistro e bem sádico. Tudo é em tons de cinza, excepto o sangue que é bem vermelhinho. A arte das personagens e backgounds é muito caricata, parecem recortes de jornais misturados com pinturas, com animações (e movimentações) minimalistas que acabam também por nos causar algum desconforto. É sem dúvida um look bastante diferente que me deixou satisfeito precisamente por essa diferença, não pela qualidade gráfica em si. Infelizmente no audio as coisas já não são tão boas. A voz de Susan e de Mitzi  – “mas quem é essa Mitzi que só agora falaste?”, perguntam-me vocês – são bem representadas e gostei bastante do sotaque britânico das mesmas. Infelizmente nem todas as personagens estão bem representadas, e principalmente alguns dos vilões têm vozes muito mázinhas, o que foi mesmo uma oportunidade perdida, pois seriam vilões fenomenais se não fossem as más representações. As músicas também deixam um pouco a desejar por vezes. Se em certas alturas apenas temos ruídos ou músicas mais ambientais que se adequam perfeitamente a toda a atmosfera opressiva que estamos a viver, noutras vezes já temos um rock depressivo mais comercial que para mim estragou logo a festa.

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Mitzi acaba por ser uma personagem bastante importante no jogo

Em suma este The Cat Lady apesar de ser um jogo rotulado de terror, eu rotulo-o apenas de desconcertante. Pois é na sua atmosfera depressiva, sádica e desconfortável, onde testemunhamos as maiores das barbaridades, na sua história complexa, na evolução de Susan (e não só) como personagem que este jogo marca todos os seus pontos. A parte gráfica é algo que não irá agradar a toda a gente, mas eu sinceramente achei que ainda realçou mais toda a bizarrice e demência que o jogo apresenta. Vale a pena experimentar, mas não é mesmo para toda a gente.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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