A New Beginning (PC)

Se forem seguidores relativamente assíduos deste espaço já se devem ter apercebido que eu até gosto de aventuras gráficas do estilo point and click. Dessas tenho trazido várias desenvolvidas ou simplesmente publicadas pela label alemã Daedalic, como a série Deponia, Edna & Harvey, Memoria, ou The Night of the Rabbit. Mas nem todos os jogos produzidos pela Daedalic são sinónimo de qualidade, e infelizmente este A New Beginning é um dos que me deixou algo a desejar. A minha cópia digital foi comprada algures num Humble Bundle, tendo-me custado muito pouco.

A New Beginning

A história até tinha algum potencial para ser interessante. Pelo menos é um conceito algo original. A narrativa começa num futuro muito sombrio, onde devido à negligência humana o problema do aquecimento global tornou-se bastante sério, desvastando quase por completo toda a vida do planeta. Os humanos que foram sobrevivendo construiram enormes bunkers debaixo da terra e numa das suas visitas à superfície para analisar a actividade descobrem que estará prestes para acontecer mais um solar flare, que irá por um ponto final na vida no planeta. Com apenas algumas semanas pela frente, uma equipa de corajosos pôs em prática um plano arriscado: voltar atrás no tempo até ao século XX de forma a prevenir que essa catástrofe viesse a acontecer. E após alguns contratempos uma dessas pessoas do futuro, a jovem Fay, lá chega aos anos 80 na escandinávia, para tentar convencer Bent Svensson, um cientista já reformado “à força” a insistir na sua investigação de uma fonte de energia renovável.

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Antes de nos encontrarmos com Bent Svensson, ainda temos algumas peripécias noutras eras

Essas são as 2 personagens com as quais iremos jogar, mas infelizmente têm zero carisma e a própria narrativa não ajuda nada à coisa, com a história a ganhar alguns contornos ridículos (em especial na recta final), bem como introduz uma série de coisas que aparecem do nada e acabam por não ter importância ou seguimento algum na restante aventura. Um exemplo? A maneira como Duve “sai do armário” foi das coisas mais desnecessárias que lá vi. De resto as mecânicas de jogo como um todo são as normais que esperaríamos de um point and click: Com o rato falamos com pessoas, interagimos com objectos, movemo-nos ao longo de vários cenários, combinamos itens no inventário, resolvemos puzzles e por aí fora. Os puzzles lógicos propriamente ditos podem ser avançados a custo de um achievement como tem vindo a ser hábido na Daedalic, mas os controlos são algo que também não gostei. Ao invés de mapear um botão do rato para mover/falar/usar e um outro apenas para “observar” como é feito em muitos outros jogos do género, aqui temos de deixar o botão esquerdo do rato pressionado sob o objecto ou pessoa com a qual queremos interagir, surgindo um anel com diferentes possibilidades: usar, falar, observar, etc. Ainda mantendo o botão do rato pressionado deslocamos o mesmo ao longo do anel para escolher a acção que queremos desempenhar. É um sistema que também não é de todo o mais confortável.

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As cutscenes são apresentadas como um livro de BD

No que diz respeito aos audiovisuais, campo onde a Daedalic geralmente pontua e de que maneira, neste A New Beginning foi mais uma desilusão. Os backgrounds, e especialmente as cutscenes animadas tentam replicar as banda desenhadas europeias, mas sinceramente não gostei muito do estilo utilizado, já para não falar nos problemas de sincromismo de voz com as legendas e os balões de BD das cutscenes. O voice acting também é muito mauzinho, mas eu apenas testei o inglês, não o alemão que é a língua materna do estúdio. Os próprios diálogos muitas vezes não me parecem bem escritos, o que resulta em personagens nada carismáticas e isso para mim é o mais importante em qualquer jogo de aventura que se preze. As músicas sinceramente não me ficaram no ouvido, não tenho muito a dizer.

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A saúde de Fay é outra coisa inútil trazida à história e depois não desenvolve para lado nenhum

Apesar de a história abordar alguns problemas (ou potênciais problemas) reais, como a resistência de lobbies em apostar cada vez mais em energias renováveis, a história como um todo fica aquém das suas potencialidades, o que aliando a uns controlos não muito intuitivos e uma má narrativa resultam numa aventura que poderia e deveria ser muito melhor. Ainda assim para os fãs deste género como eu ainda poderão sentir-se na obrigação de o jogar até ao fim, mesmo que pelo meio apareçam muitos momentos facepalm. Para os restantes, a Daedalic tem jogos no seu catálogo muito melhores que este.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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