Orcs & Elves (Nintendo DS)

Orcs and elvesO nome de John Carmack e Nintendo DS na mesma frase era algo que eu sinceramente não estaria à espera de um dia ouvir/ler. Mas eis que a certa altura compro este Orcs & Elves, sabendo que era um RPG dungeon crawler na primeira pessoa, algo simples, mas com algumas das mecânicas da velha guarda e só depois vejo na DS o símbolo da mítica id Software a surgir no ecrã. Após uma breve pesquisa na internet é que me apercebi que este jogo era baseado nos projectos Doom/Wolfenstein RPG para os dispositivos móveis, cujo Orcs & Elves original também tinha sido produzido. O meu exemplar foi comprado na New Game do Norteshopping por cerca de 5€, estando completo e em bom estado.

Orcs and Elves - Nintendo DS

Jogo com caixa, manual e papelada

A primeira coisa que vemos é que isto não tem um décimo da complexidade de um Ultima Underworld, mas os princípios estão lá. A nossa personagem é um elfo, acompanhado de uma varinha mágica falante chamada Ellon, que nos incumbe de uma “simples missão”: resgatar o rei Brahm, da cidade dwarf de Zharrakarag enfiada dentro de uma enorme montanha, que tinha sido tomada de assalto por um exército de Orcs. Mas à medida em que vamos progredindo na aventura, os únicos dwarfs que vamos vendo são espíritos que tinham morrido nos combates, o que não é um bom sinal para o que viríamos a enfrentar de seguida.

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Por vezes interagimos com alguns NPCs que nos vão pondo ao corrente das coisas

Este é daqueles jogos em que cada acção que façamos corresponde a um turno. Seja atacar alguém (ou simplesmente a atmosfera), dar um passo em qualquer direcção ou utilizar um item, sempre que fizermos alguma acção os inimigos que estão ao nosso redor também fazem algo. Isso dá-nos sempre todo o tempo do mundo para planearmos as nossas estratégias o melhor possível, embora a movimentação dos inimigos nem sempre seja assim tão fácil de se prever. De resto vamos poder encontrar poções que nos regenerem a vida, curem veneno, aumentem temporariamente qualquer um dos nossos stats e por aí fora. Também existem algumas passagens secretas que nos levam a mais itens ou tesouros, pelo que interagir com todas as paredes é sempre uma boa ideia. Inicialmente apenas temos uma pequena espada e a tal varinha mágica como armas de ataque, mas eventualmente poderemos visitar um grande dragão na montanha que serve também de shopkeeper, vendendo-nos poções, outras armas ou armaduras e respectivas munições. Uma coisa engraçada é a possibilidade de negociarmos os preços, e apenas ao derrotar alguns dos bosses é que o dragão nos “oferece” algumas das armas mais poderosas.

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Infelizmente os inimigos não são muito variados, existindo vários palette swaps

Graficamente é um jogo muito simples, e as suas origens em plataformas mobile dos idos de 2006 são bem notórias. Pensem que este jogo é uma espécie de Wolfenstein 3D medieval, com uma jogabilidade lenta pautada pelos turnos e com texturas melhoradas. Os inimigos são na mesma sprites em 2D. Infelizmente no som é um jogo que deixa um pouco a desejar, existem algumas músicas mas apenas tocam em certos momentos chave do jogo e os efeitos sonoros não são nada por aí além.

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O ecrã debaixo tanto serve para explorar o nosso inventário, como para ver o mapa do nível actual

Em suma Orcs & Elves é um pequeno jogo que sem dúvida irá entreter os fãs de RPGs na primeira pessoa. Mas têm de o jogar logo com a mentalidade que será um jogo curto e simples, sem as complexidades de inventários com limite de peso, fome, puzzles complexos ou enormes labirintos para desvendar de outros jogos bem conceituados do mesmo género. E as limitações técnicas que se calhar deveriam ser melhoradas com a conversão para a DS, pois basta olhar para os jogos da série Etrian Odyssey ou os Shin Megami Tensei dessa consola para ver que a mesma consegue apresentar RPGs na primeira pessoa bem mais detalhados.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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