Goldeneye 007 (Nintendo 64)

Goldeneye 007Sempre fui um grande fã de FPS, mas no PC. E mesmo quando era mais novo, apesar de ter jogado Quake, Duke Nukem 3D e Doom na Sega Saturn, não era bem a mesma coisa, mesmo numa altura em que o esquema de controlo “WASD+rato” ainda não era o standard. Mas eis que sai Goldeneye que, apesar de não ser de todo o primeiro FPS exclusivo para uma consola, é possivelmente dos exclusivos o primeiro que deixou os donos de PC com alguma inveja. O meu exemplar, do qual possuo apenas o cartucho, entrou na minha colecção algures há uns meses atrás, vindo num bundle juntamente com outros jogos em cartucho e uma N64 com 2 comandos que me ficou por 40€.

Goldeneye 007 - Nintendo 64

Apenas cartucho

Tal como o título do jogo indica, o mesmo é baseado no filme de James Bond do mesmo nome, o Goldeneye protagonizado por Pierce Brosnan, que coloca o agente britânico mais uma vez no encalço de algum grupo terrorista que se preparava para aprontar das suas. E o jogo era de facto muito sólido, e embora não tenha envelhecido da melhor forma, os seus controlos já eram um protótipo do que viriam a ser os controlos standard de FPS em Gamepads. O gamepad da Nintendo 64 sempre foi bizarro, mas o Goldeneye tenta tirar o máximo partido possível do mesmo. Com o analógico central a servir para mover em todas as direcções e tanto o D-Pad como o C-button (esquema ambidestro) a permitir olhar para cima ou para baixo e sidestep para a esquerda ou direita. Não é de todo perfeito, até porque o eixo dos Ys é invertido e seria melhor usar o analógico para apontar livremente, mas já é alguma coisa. O botão de disparo é o Z, como se um gatilho se tratasse, e os restantes faciais são para desempenhar acções. Os botões de cabeceira L e R servem para mirar livremente de uma forma estática ou seja, manter o ecrã fixo e mover a mira de um lado para o outro. Mas isto é apenas a configuração standard, existem várias outras configurações diferentes, uma delas utiliza 2 comandos para controlar apenas uma personagem (utilizando os 2 analógicos em separado).

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A barra da esquerda é a da nossa vida e não pode ser regenerada. À direita temos a armadura e essa sim, pode ser regenerada ao encontrar novas armaduras.

E os níveis são na sua larga maioria baseados em acontecimentos do filme, decorrendo em diferentes anos, desde a introdução em 1986 numa União Soviética gelada, passando por várias cidades europeias e uma selva cubana. Existem ainda outros níveis baseados noutros filmes clássicos, como “O Homem da Pistola Dourada” ou “Aventura no Espaço” que podem ser desbloqueados. E tal como um autêntico espião, muitos segmentos no nível requerem algum stealth, com o jogo a fornecer-nos armas com silenciadores para o efeito. Aliás, neste jogo cada nível tem os seus objectivos que muito raramente são “destruir tudo que mexa”, mas sim “destruir equipamento x”, “resgatar pessoa y”, ou “infiltrar na base z”, o que é sempre refrescante tendo em conta os restantes jogos do género da época. Mas voltando ao stealth, teremos também de destruir algumas câmaras de vigilância ou alarmes, pois em certas alturas caso sejamos descobertos, iremos despoletar uma infinidade de inimigos gerados aleatoriamente e tendo em conta que não existem itens de regeneração de saúde, não é uma boa ideia sujeitarmo-nos a esse perigo.

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Apesar de existirem alguns níveis inéditos, o jogo segue de uma forma relativamente fiel os acontecimentos do filme

Apesar de não ser de todo o meu caso, uma das razões pela qual este jogo foi muito bem recebido e ainda hoje provoca reacções de entusiasmo pelos mesmos que o viveram na sua época, é a sua vertente multiplayer em split screen que poderá ir até 4 jogadores em simultâneo. Bom, sinceramente não sou uma das pessoas que perdeu muito tempo com isto, apesar de o meu primeiro contacto com este jogo ter sido precisamente uma partida multiplayer em casa de primos meus, já há uns bons anos atrás. Todos os modos de jogo são baseados em deathmatch ou capture the flag, com variantes como team deathmatch, ou outras em que só podemos morrer 2x, ou onde nos podemos transformar no Scaramanga e usar a sua super-poderosa pistola dourada. Interessante e acredito perfeitamente que tenha sido algo bem divertido mas eu em 1997 estava bem mais entretido com outras consolas e hoje em dia pegar neste Goldeneye já não é a mesma coisa.

Do ponto de vista técnico este Goldeneye era bem sólido. Os inimigos eram bem detalhados e inclusivamente o jogo possuia um sistema de detecção de colisões bem interessante, afinal acertar numa perna é muito diferente de um headshot limpo e este Goldeneye foi dos primeiros FPSs a ter atenção a detalhes desses, ou mesmo a vista zoom de algumas armas que hoje é bem conhecida como “aiming down the sights“. E se jogarem jogos como o Turok, o “nevoeiro” é bem cerrado e aqui neste Goldeneye a Rare conseguiu atenuar bastante esse efeito, embora em alguns níveis mais amplos ainda seja notório o aparecimento “do nada” de alguns inimigos. Os níveis estão muito bem detalhados, assim como os modelos poligonais de James Bond e seus inimigos. Os cenários também estão bons, embora um ou outro nível acuse o eterno problema da N64 e das suas pobres texturas devido ao pouco espaço de armazenamento de um cartucho. As músicas também são óptimas, utilizando por base vários temas do filme ou da própria franchise. Só é pena por não haver voice acting, mas lá está, o cartucho não aguenta com tudo, já foi muito bom o que conseguiram espremer em 12MB.

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Graficamente é um jogo que aproveita muito bem as capacidades da N64

É por estas razões que o 007 Goldeneye é um clássico da Nintendo 64 e com razão. Conseguiram desenvolver um FPS revolucionário para a época, conseguia rivalizar com os colossos de PC, com uma boa jogabilidade, variedade de objectivos a cumprir e um multiplayer local muito competente. Também foi o jogo que abriu as portas a uma enxurrada de FPS sobre a série do James Bond que pelo menos os que experimentei foram todos bem competentes.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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