Atlantis II (PC)

Atlantis IIO artigo de hoje será mais uma rapidinha pois mais uma vez o tempo que tenho para escrever não é o maior. O Atlantis original já tinha sido aqui analisado anteriormente, mais precisamente a versão Sega Saturn que apesar de ser aquela que é tecnicamente inferior, e o jogo em si também não ser propriamente o melhor de sempre, não deixou de me agradar, principalmente por todo o imaginário criado. Isso deixou-me com o apetite aguçado para alguma das sequelas, e apesar de já ter o Atlantis III na PS2 em vista há algum tempo, eventualmente lá me cruzei com a versão PC do Atlantis II, em Big Box, embora um pouco em mau estado pois apanhou chuva. Custou-me uns 2 ou 3€ na Feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás.

Atlantis II - PC

Jogo completo com caixa, manual, 4 discos e papelada

As ligações entre o primeiro Atlantis e esta sequela não são evidentes logo de início. Afinal começamos o jogo em pleno Tibete no meio das montanhas, numa caminhada que nos leva a uma das máquinas voadoras do primeiro jogo. Lá dentro nos esperava uma pessoa que nos dizia que teríamos de fazer uma viagem a Shambala e cumprir o nosso destino, mas que para isso teríamos de primeiro explorar 3 diferentes locais ao longo do tempo, de forma a preparar a nossa “nave” para essa viagem final. Iremos visitar um mosteiro irlandês durante os primeiros séculos do cristianismo e falar com deuses pagãos, um rei morto e entrar dentro de um livro. Podemos avançar depois para a civilização Maia, onde um Quetzacoatl adormecido causa muitos transtornos a um povo que se prepara para sacrificar centenas de pessoas, incluindo o Rei e sua pequena filha. O outro destino é na China, onde estamos presos dentro de um templo cuja única saída está bloqueada por um demónio e teremos de visitar outros mundos fantasiosos para arranjar maneira de o exorcizar.

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À semelhança do primeiro jogo, os tópicos de conversa são dados por ícones

A jogabilidade é muito semelhante à do primeiro jogo. O mesmo é visto numa perspectiva de primeira pessoa, e apesar de podermos olhar livremente para tudo à nossa volta, os movimentos são todos pré definidos, com o ícone do rato a mudar de forma quando o apontamos para uma zona onde nos podemos movimentar. É mostrado depois um pequeno vídeo que mostra o movimento de câmara de um sítio para o outro, mas podem ser avançados com um clique. Depois é o costume, teremos obrigatoriamente de falar com vários NPCs, pegar em itens e usá-los com os NPCs, ou noutros locais, de forma a avançar com a história. Eventualmente teremos alguns puzzles a sério para resolver também. Mas no geral achei este jogo muito mais complicado que o primeiro. Alguns puzzles, como o de uma certa ponte de arco-íris são mesmo muito puxados. A navegação por vezes também é bastante confusa, e isto é especialmente verdade no “mundo dos mortos” da civilização Maia, uma densa selva repleta de pequenas passagens. E estas transições entre ecrãs também não ajudam muito. Em suma, Atlantis II é um jogo difícil se não tivermos nenhum guia como auxílio.

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O detalhe gráfico durante os diálogos é impressionante para a altura

Tecnicamente era um jogo impressionante para a época. Os gráficos, em especial as pequenas cutscenes e as personagens durante os diálogos eram excelentes, cheios de detalhes e cores vibrantes. As personagens fora dos diálogos já eram um pouco mais pixelizadas, porque os cenários eram no geral pré-renderizados e as personagens estavam um pouco “a mais”. Mas ao menos desta vez já tinham animações. O voice acting não é o melhor do mundo, mas daquela altura já ouvi bem pior. As músicas continuam bastante calminhas na sua maioria, adequando-se ao clima “pacífico” que é muitas vezes incutido neste jogo. Algumas músicas mais épicas também fazem parte do elenco, incluindo reimaginações de temas do primeiro jogo.

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Só para que conste: há alguma nudez parcial e gore. Nada de mal!

Atlantis II é um jogo muito interessante para a época em que foi lançado. A sua história é profunda, embora eu tenha pena que pouco tenha estado relacionada com a civilização da Atlântida propriamente dita. De resto peca pela sua dificuldade acima da média, seja em “saber o que fazer a seguir”, como na resolução de alguns puzzles propriamente ditos. A sua quase-impossibilidade de ser corrido em sistemas operativos modernos sem recorrer a magias negras também não lhe abonam muito.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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