Year Walk (PC)

Como já há algum tempo que não escrevia (nem jogava) nada de jogos indie, fui à minha extensa backlog do steam e acabei por escolher este Year Walk, sem nada saber a não ser que aparentemente era um jogo não muito longo. E que bem surpreendido que fui! Por um lado é uma experiência que me faz lembrar jogos como Dear Esther, na medida em que é jogado na primeira pessoa e estamos a vagear por uma zona inóspita sem saber muito bem o porquê, por outro introduz de uma forma brilhante o antigo folclore nórdico que muito gostei. E este Year Walk entrou na minha conta do steam através de algum indie bundle, invariavelmente a um preço muito reduzido.

Year Walk PCEscrever sobre este jogo sem divulgar demasiado não é coisa fácil, pois haveria muito que gostaria de dizer mas certamente iria arruinar um pouco a experiência de quem o for a começar pela primeira vez. Year Walk é baseado num suposto ritual pagão sueco, supostamente perdido no tempo desde os finais do século XIX. O ritual consistia nas pessoas trancarem-se em casa, sem comer nem beber nada o dia todo e quando fosse meia-noite, saíam e davam uma caminhada pelos bosques, na esperança de se cruzarem com seres sobrenaturais que lhes mostrassem o que o futuro lhes reservava para o ano seguinte. Apesar de se poder fazer esse ritual a qualquer altura no ano, é nas datas do Natal/Solstício de Inverno ou fim de ano que supostamente o ritual tem mais hipóteses de dar certo. E na verdade é isso que acontece neste jogo. Começamos o jogo em pleno dia, onde somos largados numa zona inóspita e repleta de neve e após caminhar um pouco (inicialmente não temos muito por onde nos virar), damos com um moinho onde visitamos uma jovem que parece ser a nossa namorada/amante/whatever. No entanto ela diz que já está prometida para outra pessoa e alerta-nos para não fazermos uma Year Walk, pois pelos vistos as coisas não correram bem para um primo dela que já tinha tentado no passado. Depois de regressarmos à nossa cabana, damos por nós de novo cá fora, agora noite cerrada e com mais caminhos por onde ir, onde vamos de facto dar com alguns desses seres sobrenaturais que as lendas falam.

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Ao longo do jogo vamos encontrando algumas criaturas estranhas

Este Year Walk foi lançado originalmente para dispositivos móveis como o iPhone e apesar de mais tarde ter saído para steam, as suas influências com os controlos de touch são notórias. Apesar de nos podermos mover para a esquerda/direita ou cima/baixo (quando possível) através das setas do teclado, esses movimentos poderiam facilmente ser executados ao deslizar o dedo em dispositivos móveis e as outras interacções que tenhamos de fazer acabam mesmo por ser feitas com o rato, mesmo para arrastar objectos. Isto porque vamos tendo alguns puzzles para resolver, que podemos buscar pistas tanto nas runas que vamos vendo espalhadas pelo jogo, as marcas das árvores que nos vão orientando de alguma forma (mas também temos um mapa para explorar se o quisermos), ou noutros objectos que vamos encontrando pelo caminho e claro está, os tais seres sobrenaturais também.

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Graficamente é um jogo simples, mas bem eficaz

Para quem gostar deste folclore obscuro e sobrenatural como eu, para entender um pouco melhor o que se está a passar, existe uma pequena “enciclopédia” acessível a qualquer momento na parte superior do ecrã. Aqui encontramos uma explicação do ritual Year Walk e das várias criaturas místicas que encontramos no jogo, e realmente ao ler esses textos acabamos também por ter uma ideia do que fazer quando encontramos algumas delas no jogo. Para além disso, e não vou dizer mais nada do que o estritamente necessário, quando chegarem ao fim do jogo pela primeira vez, esperem pelo final dos créditos. Vão ter umas dicas e uma nova oportunidade de jogar a mesma aventura. Se seguirem essas dicas, vamos desbloquear um “Journal” muito interessante onde muitas outras coisas acabam por fazer sentido e temos a oportunidade de chegar ao verdadeiro final desta aventura, que sinceramente achei muito, muito bom, tudo o que fizeram até lá chegar. E realmente faz todo o sentido chegar ao fim na primeira vez no final normal.

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A pequena enciclopédia que podemos consultar para além de ser interessante, até dá jeito

Nos audiovisuais sinceramente achei este jogo muito bom. É um jogo em 2D com visuais muito minimalistas, mas também muito bem conseguidos, e a atmosfera é sempre um pouco tensa, tal como seria de esperar ao vaguear por bosques suecos numa noite cerrada e com seres sobrenaturais à espreita. Quando o joguei pela primeira vez, não estava nada à espera do que este jogo seria e ainda dei um ou outro saltinho na cadeira, em algumas alturas. E apesar de nos movimentarmos para a frente e para trás, é apenas uma transição de ecrãs, com o jogo a manter sempre esse grafismo em duas dimensões. As músicas e toda a ambiência no geral achei muito, muito boas. As músicas são na sua maioria acústicas, como seria de esperar e por vezes também tensas, adequando-se perfeitamente ao conceito do jogo.

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Se tivermos perdidos nas transições de ecrã, o mapa ajuda

Resumindo, gostei bastante deste Year Walk. Apesar de possuir uma jogabilidade simples e não ser lá muito longo, a forma como abordaram o folklore nórdico e em especial a forma como conduziram a história nos 2 finais distintos achei realmente muito boa e tornam este jogo na minha opinião um must see. Recomendo vivamente.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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