Final Fantasy VIII (Sony Playstation)

FF VIIIBom, recentemente estive a jogar de forma algo paralela dois RPGs. Por um lado tinha (e ainda tenho) o fantástico The Witcher no PC, por outro lado continuo com a minha quest de ir jogando todos os JRPGs pós-16bit que fui deixando de lado ao longo do anos e tinha chegado finalmente a altura do Final Fantasy VIII que aqui trago hoje. Sinceramente continuo mais entusiasmado com o The Witcher, mas este jogo também tem algo que me agradou. Só ainda não percebi muito bem o quê, pois toda a experiência se tornou algo agridoce. Mas já lá vamos. Este jogo foi comprado já há algum tempo, creio que por volta de 2011 no ebay UK. Com portes ficou-me algo não muito longe dos 20€, o que não me pareceu um mau preço de todo, mesmo não sendo a versão “black label“.

Final Fantasy VIII - Sony Playstation

Jogo com caixa, manual e 4 discos. Versão Platinum

O seu predecessor, Final Fantasy VII, foi um dos JRPGs modernos mais influentes de toda a indústria e não é por acaso que legiões de fãs esperam há muito por um remake em HD. Eu não sou um dos mega fãs do jogo e talvez por não o ter jogado na altura em que saiu me permitiu ter uma visão mais “fria” sobre o mesmo. No entanto dá para entender perfeitamente o porquê do seu sucesso. E dito isto, a Squaresoft deixou a fasquia bem alta para esta sequela. E como se sairam? Bom, se são como eu e detestam diálogos e personagens principais muito “emo” e cheias de problemas existenciais para resolver, então este jogo tem um ponto negativo logo à partida. Mas não censuro a Square por si só, muitos outros JRPGs e animes tornaram-se demasiado emotivos nos últimos tempos. Mas continuando, neste jogo a personagem principal é o jovem Squall, um “aluno” da academia militar de Balamb Garden, treinando para se tornar um SeeD, a unidade de elite que luta contra feiticeiras rebeldes. Logo na abertura do jogo vemos Squall à pancada com Seifer, seu rival, uma outra personagem importante no desenrolar da história. Depois vamos sabendo que Galbadia, uma potência militar, tem vindo a invadir outras cidades vizinhas, com a ajuda de Edea, uma feiticeira ao serviço dos seus políticos. As nossas primeiras missões colocam-nos no caminho para travarmos Galbadia, mas também conhecemos desde cedo a jovem Rinoa, líder de um movimento de resistência às forças de Galbadia, acabando também por se tornar numa peça central da história. E apesar de o romance não ser inédito em Final Fantasy aqui ganha mais importância.

screenshot

As cutscenes são de facto de excelente qualidade e devo dizer que gostei bastante da aparência desta Edea

O resto da história deixo para o leitor descobrir, mas tirando os tais diálogos emo de Squall, devo dizer que apesar de não ser uma história tão épica como em alguns outros RPGs, nem com vilões ou heróis memoráveis, é surpreendentemente complexa e acaba por evitar alguns dos clichés que temos vindo a assistir neste ramo, o que até acabou por me agradar, principalmente toda aquela subplot que iamos vendo de Laguna e companhia. Mas também por outro lado todos os plot twists, se é que assim podem ser chamados, fragmentam demasiado a história e não há um grande foco no fio condutor. Começam a perceber porque eu chamei este jogo de uma experiência agridoce?

screenshot

Curiosamente acho que gostei mais destes anti-heróis com um papel secundário do que as personagens principais.

Mas as grandes diferenças deste jogo em relação aos demais residem no seu junction system. Basicamente o jogo pega nos summons que poderíamos obter em FFs anteriores e dão-lhes muitos outros usos. Para além de os podermos invocar nas batalhas para desencadear golpes bonitinhos, “flashy” e poderosos, os summons, agora chamados de Guardian Forces, podem ser equipados nas personagens, dotando-as de outras habilidades em batalha para além de atacar, como usar magias ou itens. Sim, magias e itens, que por sua vez deveriam ser comandos básicos. Equipamento como armaduras, botas e afins? Deixem lá isso. Armas novas? Apenas upgrades da existente. Tudo anda à volta deste Junction System. Não existe MP (magic points), as magias são utilizadas como itens se tratassem. E como as podemos obter? Bom, precisamos de usar o comando “draw” nas batalhas, que as “suga” aos inimigos e as armazena no inventário até um máximo de 100 unidades. Para além disso podemos fazer junction a essas magias a cada personagem, modificando os seus stats como ataque, defesa e outros como resistência elemental (fogo, água, etc). Equipar magias são as armaduras e acessórios deste jogo. Por outro lado, apesar de as personagens ganharem experiência e subirem de nível, os GFs também fazem o mesmo, adquirindo também novas e mais poderosas habilidades.

screenshot

Os golpes especiais continuam todos bonitinhos, mas também acabam por deixar as batalhas mais lentas.

 

O uso inteligente do Junctioning System permite-nos ter personagens com stats bastante poderosos que nos deixam percorrer as batalhas de uma forma mais confortável. O grinding acaba por estar mais a passar batalhas e batalhas a retirar magias dos inimigos para as armazenar e tornar as nossas junctions ainda mais fortes. Para não falar também dos limit breaks, que neste jogo são mais fáceis de se executar e resultam em golpes absolutamente devastadores. Vá lá que ao menos os inimigos normais vão acompanhando a nossa evolução de níveis também. Mas concluindo aqui a conversa das junctions, eu até percebo a preocupação da Square em querer implementar sistemas de batalhas que se diferenciem dos tradicionais, mas este em particular pareceu-me desnecessariamente descabido. E pior, eu já não gostei das materias do FF VII devido ao elevado grau de customização que ofereciam, descaracterizando por completo as personagens. Aqui a customização ainda é maior, o que diferencia ainda menos as personagens entre si. Prefiro de longe o bom e velho sistema de classes. Aliás, prefiro de longe o bom e velho sistema clássico do Dragon Quest, esses sim, não inventam.

screenshot

Os cenários continuam a ser pré renderizados, mas agora com mais qualidade

Graficamente o jogo é de facto muito bom. As cutscenes em CGI são em maior número e geralmente são de altíssima qualidade. As personagens têm um design um pouco mais maduro e realista, que eu sinceramente até que gostei, embora também não desgoste nada das personagens mais super deformed de outros FFs. As batalhas e a exploração no open world são todas apresentadas em 3D, enquanto que a exploração dentro de cidades, edifícios e afins são como em FF VII, com fundos estáticos em 2D pré-renderizado. No entanto os backgrounds são igualmente melhor detalhados e as “entradas/saídas” de cena são menos confusas que no jogo anterior. A banda sonora é competente, sendo bastante variada com os já habituais temas acústicos, novas roupagens de faixas já conhecidas, outros temas mais rockeiros ou electrónicos em especial nas batalhas para dar um pouco mais de pica, ou aquelas mais épicas com coros. Eu pessoalmente gostei mais de faixas acústicas como a Breezy ou Roses and Wine.

screenshot

O Triple Triad Card Game foi uma agradável surpresa

Bom… resumidamente é isso. Para mim o Final Fantasy VIII é definitivamente um jogo estranho na série. A história tanto tem de bom como de mau, e o sistema de combate na minha modesta opinião tenta ser tão radical que acaba por um lado complicar o que é simples e oferece tanta customização que retira muito do potencial que cada personagem deveria ter individualmente. Uma coisa que realmente achei piada foram os joguinhos das cartas com o Triple Triad. Para além de ganharmos cartas poderosas ao jogar contra os NPCs, podemos transformá-las em items úteis. Ora cá está uma invenção que a Square meteu aqui que eu realmente gostei. De resto espero em breve jogar o Final Fantasy IX que me parece ser bem mais clássico e tradicional, o que será certamente mais prazeroso de jogar para mim. Entretanto o Geralt está à minha espera para esventrar mais uns bandidos e engatar umas camponesas.

Anúncios

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PS1, Sony com as etiquetas . ligação permanente.

2 respostas a Final Fantasy VIII (Sony Playstation)

  1. Mike diz:

    Boa análise e concordo com tudo o que assinalaste. O VIII apesar de ser o que menos gostei não foi um jogo que tivesse desgostado de todo. Ainda que de inicio o jogo deixe um pouco a desejar vai melhorando bastante no desenrolar e acaba de forma épica deixando aquela sensação de experiência FF =)… Mas fica sempre aquele sabor agridoce

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s