Ultima Underworld (PC)

Ultima Underworld 1Voltando aos RPGs clássicos de PC, o Ultima Underworld é um spin-off da série principal, mas onde o dungeon crawling dos primeros jogos da série foi novamente explorado e bastante evoluído, resultando num jogo muito avançado para os padrões de 1992, tanto a nível de jogabilidade e liberdade de escolhas, como tecnicamente, sendo superior em muitos aspectos a jogos como Wolfenstein 3D ou mesmo o próprio Doom que saiu mais tarde. De resto, tal como todos os outros Ultima que tenho no PC (pelo menos por enquanto) foram comprados no site GOG.com, numa das habituais promoções em que eles disponibilizam toda a série por um preço reduzido. A versão física que tenho é de uma compilação com o Wing Commander II, que veio de oferta dentro de outro jogo que comprei enquanto estive em Belfast no Outono de 2016.

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Aqui mais uma vez encarnamos no papel de Avatar, embora desta feita não fomos chamados pelo Lord British. Após os acontecimentos do Ultima VI, alguém chamado Sir Cabirus quis fundar uma nova colónia na Isle of the Avatar, berço da perígosíssima dungeon The Stygian Abyss, que unisse todas as raças e virtudes num único lugar. Por algum motivo Sir Cabirus morreu, a sua colónia utópica entrou em desgraça, sobrevivendo apenas a população à superfície, selando depois a entrada da dungeon, deixando lá os restantes sobreviventes. Bom, mas o que isso tem a ver connosco? Somos chamados da terra pela aparição de um antigo feiticeiro que nos diz que Britannia corre grande perigo. Somos então levados à povoação da Isle of the Avatar, onde vemos Ariel, filha do Barão Almric, a ser raptada pelo feiticeiro Tyball. Somos depois interceptados pela guarda real, que achando que somos nós os culpados, nos atiram para a dungeon, com a missão de sair de lá com Ariel, ou nunca mais sair.

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Vamos subindo de nível com a experiência ganha em combates ou quests, mas mais uma vez para ganhar outros atributos teremos de meditar nas várias shrines.

Como é habitual nos RPGs ocidentais, antes de começar o jogo propriamente dito, temos de criar a nossa personagem, desde definir o seu sexo, classe e skills extra para a customizarmos à nossa medida. As classes variam de guerreiros, paladinos, druidas ou feiticeiros, cada uma com as suas próprias fraquezas e mais valias, mas podemos também assignar alguns skill points a outras áreas, como um feiticeiro ter habilidade em manusear espadas por exemplo. Claro que podemos também customizar o aspecto da nossa personagem. A partir daí somos então largados na grande caverna que é o The Stygian Abyss e desde cedo teremos de por à prova as nossas habilidades. Este é um jogo totalmente visto na primeira pessoa, mas permite-nos olhar em 360º, coisa que nem o Doom deixava. A nossa HUD mostra-nos à esquerda uma série de acções que podemos desempenhar, quer ao clicar nas mesmas com o ponteiro do rato, quer utilizando os atalhos do teclado. Acções como observar, apanhar, atacar e usar são alguns dos exemplos.

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Guardar, usar, ou equipar items é tão simples como arrastá-los para o inventário, boneco ou mesmo a própria boca, se forem comestíveis.

A movimentação também pode ser feita inteiramente com o rato. Ao mover o ponteiro na view do jogo, vemos o ponteiro do rato a mudar de direcção. Por exemplo, se mantivermos o ponteiro no meio, mas acima e clicarmos, iremos mover em frente. Mas se deslizarmos o ponteiro para baixo, a sua forma muda para uma seta que aponta para baixo, o que nos deixa movimentar nessa direcção e por aí fora nas outras direcções. Mas também podemos usar uma espécie de proto-WASD, em que o A e o D não fazem strafe, mas sim viram-nos nessa direcção. O strafing fica para os botões Z e C, o que não é nada habitual para os jogos em 3a pessoa a que estamos habituados. Olhar para cima e para baixo também tem teclas próprias pelo que para quem jogar isto pela primeira vez ainda vai causar alguma confusão. Sinceramente não sei se existe algum patch não oficial que mapeie os controlos de uma forma semelhante ao WASD+rato que temos nos dias que correm, mas era bom que existisse. De resto, equipar e usar items, tudo é feito ao arrastar os objectos para o inventário ou para o “boneco” da nossa personagem do lado direito do ecrã. De resto, para as magias, precisamos de encontrar runestones, e com elas construir os feitiços ao agrupá-las (até um máximo de 3 pedras), formando as palavras que nos permitem invocar os feitiços, que tanto podem ser de ataque, como tremores de terra, ou simplesmente de suprote, como criar comida. Os ataques também são feitos com o rato e tal como o movimento, manter o ponteiro em diferentes posições do ecrã resultam em ataques um pouco diferentes.

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O automap foi uma adição benvinda, bem como a possibilidade de escrever notas

De resto este é um jogo exigente numa perspectiva de simulação. Isto porque podemos morrer à fome, as nossas fontes de luz extinguem-se, a personagem fica fatigada e precisa de descansar e o equipamento desgasta-se. Sendo assim, à medida em que vamos explorando este enorme labirinto temos de o fazer sempre de forma cuidada. Os inimigos estão sempre à espreita e estando nós sempre às escuras, arranjar fontes de luz, como velas, archotes, candeeiros a óleo ou mesmo através de magias é algo muito importante. A fadiga também deve ser combatida ao descansar por várias horas, mas por favor apaguem os archotes senão eles são consumidos com o passar do tempo e podemos mesmo acordar completamente às cegas. Interagir com NPCs que vamos encontrando, e encontramos bastantes e de várias raças e linguagens, é outro aspecto muito importante, pois permite-nos fazer trocas, cumprir sidequests (e as principais claro), ou em alguns casos também podemos pedir para reparar o nosso equipamento, sempre com algo para dar em troca. De resto, tudo se resume à exploração, e o facto deste jogo ter automapping e também nos deixar escrever notas no mapa é uma grande ajuda. Ainda falando nos diálogos, mais uma vez podemos dar diferentes respostas aos NPCs, o que por sua vez resulta em diferentes diálogos e resultados, pois podemos facilmente irritar alguém e não receber mais nada em troca.

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Podemos abordar os diálogos de várias formas, que por sua vez vão dando resultados diferentes nas conversas

Como já referi por aí, graficamente é um jogo impressionante. A movimentação é completamente em 3D, ao contrário da movimentação em “grelha” de dungeon crawlers na primeira pessoa que foram lançados anteriormente, como os primeiros Wizardry ou mesmo os próprios Ultimas, por exemplo. Os cenários, para além de terem texturas detalhadas para a altura, também permitiam desníveis e paredes oblíquas, algo que no Wolfenstein 3D, também lançado em 1992 e aclamado como um dos mais importantes jogos que fizeram alavancar os videojogos na primeira pessoa, não fazia. Outras coisas como efeitos de iluminação e a tal capacidade de olhar quase em 360º eram algo verdadeiramente inédito para a época. Claro que um jogo como Doom ou mesmo o Wolfenstein 3D têm uma jogabilidade muito mais simples e frenética, mas não deixa de ser impressionante tudo o que conseguiram fazer neste jogo. As músicas são boas, mudando dinamicamente ao longo do jogo, consoante se estamos a atacar ou ser atacados, ou a explorar.

Por todas estas razões, e ainda muitas outras haveria a mencionar, Ultima Underworld é um clássico absoluto dos RPGs ocidentais. Para além de ter sido uma obra prima a nível técnico, tornou-se num dos videojogos basilares que influenciou muitos outros que lhe seguiram, desde a série The Elder Scrolls, passando por outros “RPGs” de culto como Deus Ex, ou as próprias séries System Shock / Bioshock que lhe sucederam.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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4 respostas a Ultima Underworld (PC)

  1. drac0nian diz:

    Apesar de ter o jogo nunca fui grande fâ da série, mas, verdade seja dita, também nunca perdi muito tempo com os jogos.

    Quanto ao mapear teclas, podes fazer isso com o AutoHotkey em que crias uma script com o mapeamento, convertes a script para .exe e executas antes de entrares no jogo. A script é bastante fácil:

    z::a
    c::d
    a::q
    d::e
    WheelUp::w
    WheelDown::s

    Se não troquei a posição dos mapeamentos, apenas precisas dessas linhas no script 😉

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