Far Cry 2 (PC)

Far Cry 2Ora cá está um artigo a um jogo que já o tenho na colecção há quase 3 anos e só agora é que me dei ao trabalho de o jogar (infelizmente não são poucos assim). O Far Cry original foi um FPS interessante. Se por um lado nos apresentava algumas mecânicas ainda algo old-school, como seguir uma sequência de níveis, por outro lado os seus mapas gigantescos já nos davam alguma ilusão de não linearidade ou liberdade de escolha de caminhos ou de tácticas. Mas foi com esta sequela que a componente de sandbox se assimilou em força nesta série. E a minha cópia do jogo foi comprada algures nos finais de 2011, ou inícios de 2012 na antiga TVGames no Porto. Creio que foi por menos de 5€.

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Jogo com caixa e manual – versão Fortune’s Edition que traz uma série de conteúdo adicional mas nada de importante

Tal como no jogo anterior, aqui encarnamos uma vez mais no papel de um mercenário. Mas ao invés de explorarmos uma ilha paradisíaca que albergava instalações de manipulação genética que escondiam algumas aberrações contra as quais lutávamos, aqui somos largados num qualquer país africano em plena guerra civil. A nossa missão? Matar The Jackal, um traficante de armas que tem vindo a fornecer o armamento às duas facções envolvidas no conflito. Ora chegamos lá e shit hits the fan. Pelos vistos contraímos malária, perdemos os sentidos e acordamos com o próprio Jackal à nossa frente que, depois de saber do plano para o assassinar, deixa-nos à nossa sorte com a doença. Ora depois vemo-nos envolvidos num enorme tiroteio entre as duas facções e somos resgatados por um dos líderes de uma das facções, que nos mandam depois cumprir algumas missões básicas. E após essas missões iniciais, somos então livres de progredir livremente no jogo, seja para “limpar” pontos de controlo e safehouses, ou cumprir missões para cada uma das facções. Eventualmente teremos de escolher lados e muita coisa pode acontecer, levando também a finais diferentes do jogo.

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Podemos escolher o nosso protagonista de entre vários candidatos. Os restantes poderão aparecer no jogo como NPCs

A jogabilidade é simples, este é um FPS em que podemos usar uma série de armas, tanto roubá-las aos cadáveres dos inimigos que limpamos o sebo, ou usar os diamantes que recebemos de recompensa (ou encontramos espalhados pelo mapa) para comprar armas e upgrades em várias “lojas” da especialidade. Apenas podemos carregar 3 tipos de armas diferentes ao mesmo tempo – primária como assault rifles, shotguns e afins, secundária como os revólveres e a especial como lança chamas ou rockets, ou morteiros. A diferença entre as armas dos inimigos e as que compramos está na sua durabilidade. As que vamos encontrando podem encravar, o que é algo muito bonito de acontecer quando estamos em pleno tiroteio no meio do caos, já as que compramos com os nossos diamantes suadinhos, são mais duráveis. O sistema de saúde consiste numa barra de vida dividida em 5 segmentos. Cada vez que sofremos dano, essa barra vai diminuindo. Mas ao passar algum tempo em segurança, existe alguma auto regeneração de vida, que nos regenera até a ao segmento mais próximo da barrinha em si. Para regenerar a vida na totalidade podemos usar uma seringa com uma substância qualquer… felizmente essas podem ser encontradas em diversos pontos chave no jogo.

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Seja a pé ou num veículo, podemos sempre consultar os nossos mapas e o GPS que nos indicam a direcção do próximo objectivo

Infelizmente as missões em si acabam por ser bastante repetitivas e a história não é assim muito cativante. Tanto podemos ter de assassinar algum alvo, destruir certas infraestruturas ou resgatar alguém… mas acaba por cansar ao fim de algum tempo. Isto porque a àrea do jogo é enorme e mesmo podendo conduzir uma panóplia de diferentes veículos (e também apanhar autocarros como meio de fast travel entre certos pontos), vamo-nos SEMPRE cruzar com jipes de rebeldes que andam a passear pela selva só porque sim e torna-se repetitivo também por isso. Mas para quem gosta de jogos em sandbox, há de facto muita coisa a fazer e muitos pontos opcionais do mapa para assaltar se assim o desejarmos. Um tema em particular que até gostei foi a questão dos companheiros. Em certos pontos do jogo poderemos salvar algumas pessoas que futuramente nos podem apoiar nalgumas missões. Seja ao ajudar em várias missões, como provocar algumas distracções que nos facilitem a vida, outros podem ajudar-nos caso estejamos à rasca, outros podem ainda oferecer algumas missões extra.

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Para encomendar armas ou upgrades, nada como aceder a uns certos terminais

Graficamente é um jogo bonitinho para os padrões da época, mesmo não tendo utilizado os motores gráficos da Crytek. Confesso que nunca estive numa savana africana, mas as paisagens naturais eram de facto muito boas. E ainda assim, tanto poderemos ter selva densa, como zonas mais desérticas, pequenas vilas em estado de sítio, lagos ou cavernas. Para além disso, o jogo possui um sistema de dia/noite e também de condições climatéricas dinâmicas, o que também influencia a forma como os fogos que causamos se possam propagar. O voice acting pareceu-me competente, mas à semelhança da história principal pouco profunda, não me cativou. Ainda na parte técnica, reparei que por vezes… por muitas vezes aliás, o jogo não respondia bem aos controlos, coisas básicas como abrir portas por vezes eram um martírio até que surgisse o ícone no ecrã para autorizar essa acção.

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O nosso trabalho vai sendo o de um mercenário, onde podemos alternar entre missões de várias facções

De resto convém também referir a vertente multiplayer deste jogo que invariavelmente acabou por me passar ao lado. Não sei se ainda está activa, mas para além das variantes de deathmatch e capture the flag, temos o Uprising. Aqui é mais um modo de jogo em que jogamos em equipas com o objectivo de controlar todos os pontos importantes de um mapa. Mas o twist é que cada equipa tem um capitão e é o capitão que pode capturar esses pontos. Para além disso, no final ainda se tem de assassinar o capitão adversário. Existem várias classes disponíveis, com diferentes armamentos à disposição, mas o meu backlog não me permite perder muito tempo com multiplayers, pelo que este modo de jogo se ficou para trás.

Far Cry 2 não é um jogo mau de todo. O conceito de sandbox até que acaba por ser benvindo por oferecer ainda mais liberdade e a não linearidade pelo menos nas escolhas que vamos fazendo são pontos positivos. De menos positivo está mesmo a história que é fraquinha e o tipo de missões que temos pela frente que acabam por não ser lá muito entusiasmantes. O Far Cry 3 pareceu-me bem melhor, mas esse ainda não chegou cá ao tasco.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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