McPixel (PC)

Mais um indie, mais uma rapidinha pois quero manter os spoilers no mínimo absoluto. McPixel em pouquíssimas palavras pode ser descrito como um point and click com pequenas sequências onde temos 20 segundos para desarmar uma bomba em cenários completamente bizarros. Qualquer acção que façamos a partir daí tem resultados absolutamente imprevisíveis, que tanto podem resultar no “nível” completo, ou avançamos para o seguinte. Mas já explico melhor. Este jogo foi adquirido em um dos vários humble indie bundles por uma bagatela, para não variar muito.

McPixel - PCEntão, McPixel. Antes de começar o jogo temos a hipótese de escolher várias opções ou modos de jogo, mas para já vamo-nos concentrar no story mode. Este é dividido em quatro capítulos, que por sua vez são divididos em 4 níveis. Cada nível tem seis segmentos com situações completamente distintas para resolver em 20 segundos e o último nível de cada capítulo está inicialmente barrado. Para ilustrar a bizarrice que é este jogo, vou tentar descrever o primeiro segmento do capítulo 1, nível 1. Aqui estamos numa pequena ilha deserta, com um vendedor de hotdogs e vemos no chão um hotdog com uma barra de dinamite no lugar da salsicha. Ok, a bomba está ali então vamos pegar nela. Ok, McPixel tem a bomba na mão. E agora? Se clicarmos no carrinho dos cachorros quentes, McPixel pega no Ketchup, espalha-o no seu cachorro explosivo e mergulha-o na sua própria cara. Segundos depois vemos a ilha a explodir com “MCPIXEL” a surgir em letras garrafais e avançamos para o segmento seguinte. A minha primeira reação foi: OK… ganhei? Mas depois ao avançar para o cenário seguinte, que era num hospital, com um machado no chão, uma médica mamalhuda, um paciente cheio de dores numa maca e eu ter feito algo inacreditavelmente estúpido, com o consultório a explodir e mais uma vez as letras garrafais “MCPIXEL” a surgirem no ecrã continuaram-me a deixar confuso. Isso aconteceu com os 4 segmentos seguintes e quando vi que voltei à ilha deserta é que me apercebi que não ganhei coisa nenhuma. Então novamente nessa ilha apercebi-me de uns olhos sinistros por entre as àrvores. Clicando neles, McPixel espreita pelo arvoredo e vemos um extraterrestre a fumar um grande tarolo. E depois a ilha explodiu, mandando-me uma vez mais para o consultório médico. Então ao rejogar todos os outros segmentos, quando voltei à ilha peguei no cachorro bomba e cliquei em seguida nos olhos do ET. O que aconteceu a seguir não digo, mas finalmente resolvi o puzzle, pois para além de aparecer MCPIXEL mais uma vez no ecrã, a ilha não explodiu e surgiu-me um quadradinho branco no ecrã.

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A primeira sequência quie jogamos. Atirar com um cachorro com dinamite para a própria cara é sem dúvida uma acção inteligente.

Então resumindo, todos os outros segmentos vão ter situações bastante caricatas para resolver, onde a jogabilidade muitas vezes é completamente por tentativa-erro, pois as coisas mais lógicas muito raramente funcionam. Muitas vezes a bomba está escondida dentro de algum objecto ou alguém, contribuindo ainda mais por essa jogabilidade de tentativa-erro. Mas quando os resultados são hilariantes, mesmo quando se perde, não posso dizer que achei este jogo frustrante. Por cada segmento que completemos ganhamos um quadradinho branco, se perdermos o segmento seguinte, os quadradinhos brancos que tinhamos amealhado desaparecem. Por outro lado se conseguirmos juntar 3 quadradinhos brancos em seguida, somos levados para um nível de bónus que geralmente são muito, mas mesmo muito mais bizarros que os normais. Os últimos níveis de cada capítulo apenas podem ser completados quando conseguirmos completar todos os segmentos anteriores a “dourado”. Para isto, temos de os rejogar várias vezes e ver todas as combinações possíveis de acções para executar. Terminando os 4 capítulos com tudo a 100%, lá vamos ter acesso aos extras.

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Existe um conjunto de níveis repleto de referências a videojogos

Dos extras temos um editor de níveis, um extra ending que conta o porquê de todas estas aventuras (pelo menos em parte), uma opção para socialização que sinceramente não percebi qual o seu intuito pois mais ninguém a estava a usar, e at last, but not the least um mini-jogo rítmico. O instrumento? Nada mais nada menos que as flatulências de McPixel. Palavras para quê? De resto temos também uma série de DLCs gratuitos para experimentar com vários novos níveis, alguns deles desenvolvidos pelos próprios fãs do jogo.

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Em McPixel não há impossíveis!

McPixel tem um audiovisual propositadamente retro e propositadamente minimalista, o que me parece resultar na perfeição com tamanha bizarrice que vamos vendo. Outra coisa que gostei bastante foram mesmo as inúmeras referências que encontramos a outros jogos ou filmes, existindo mesmo alguns níveis inteiramente dedicados a ambos. As músicas são bastante simples mas mais uma vez adaptam-se perfeitamente a toda a parvoeira de McPixel. São músicas electrónicas com uma batida foleira, mas são suficientemente rápidas para nos manterem focados no nosso objectivo e não desistirmos enquanto pelo menos não completarmos o nível em questão.

No fim de contas, o artigo até acabou por ser um pouco mais longo do que eu inicialmente previa, pois McPixel não é um jogo nada vulgar. Escusado será dizer, sendo eu um ferveroso adepto de humor em videojogos, que recomendo a toda a gente que o joguem. Nas feiras de Natal ou  verão da Steam este jogo costuma estar em promoção e à venda por meros cêntimos. Se foram como eu e o obtiveram num dos indies bundles em que ele foi posto à venda, então não sejam preguiçosos e instalem-no. Vão gostar.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a McPixel (PC)

  1. drac0nian diz:

    “peguei no cachorro bomba e cliquei em seguida nos olhos do ET. O que aconteceu a seguir não digo(…)”

    Zé… com essa convenceste-me a comprar o jogo. E eu que não gasto tusto em jogos com menos de 20 anos :p

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