Medievil Resurrection (Sony Playstation Portable)

Medievil ResurrectionGosto muito da PSP. Não propriamente pelo seu catálogo de jogos que foram desenvolvidos de raíz para essa consola (embora tenha excelentes títulos) mas principalmente pelo facto de nos ter dado algumas conversões de RPGs clássicos da Playstation 1 como o Valkyrie Profile Lenneth, Persona 1, Innocent Sin entre outros que se os fossemos a comprar no ebay para a sua consola original, gastaríamos um balúrdio. Mas nem todos os jogos repescados da PS1 e outros sistemas foram RPGs e este jogo que trago cá hoje é um desses exemplos. Medievil Resurrection, mais do que uma simples conversão, é um remake completo do clássico de aventura da PS1, com muito conteúdo completamente novo, e outros níveis quase irreconhecíveis. Foi comprado na Feira da Ladra, quando já não consigo precisar, mas sei que me custou uns 5€, pois é o preço standard dos jogos de PSP desse vendedor.

Medievil Resurrection - Sony Playstation Portable

Jogo completo com caixa e manual

O jogo decorre no outrora pacífico reino de Gallowmere, algures durante a idade média. Reza a lenda que esse reino havia sido invadido pelo feiticeiro Zarok e o seu exército de seres demoníacos, mas Sir Daniel Fortesque valentemente o derrotou e é reconhecido como um herói do reino. Na verdade Dan para além de ser algo cobarde, foi logo o primeiro a morrer no campo de batalha, tendo levado com uma flecha num olho. 100 anos depois, Zarok regressa e lança um feitiço por todo o reino de Gallowmere, onde roubou as almas dos seus habitantes e mais uma vez invadiu o território com zombies e outros seres não muito amigáveis. Ao trazer os zombies de volta à vida, Dan também ressuscitou, e acaba por ter ele o papel de derrotar Zarok, fazendo assim justiça à sua lenda. A acompanhar-nos durante as aventuras temos um génio chamado Al-Zalam a viver dentro da caveira de Dan, mais uma vítima de Zarok. Al-Zalam vai-nos aconselhando várias vezes sobre o que devemos fazer ao longo do jogo.

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Os níveis têm todos um aspecto muito spooky, mas também bem agradável

Eu confesso que nunca prestei grande atenção ao original da PS1, mas a jogabilidade em si parece-me idêntica. O jogo para além de misturar conceitos de hack and slash no seu combate, tem também uma vertente muito acentuada de exploração, na medida que temos de procurar vários objectos como chaves ou runas para progredir nos níveis, ou mesmo resolver pequenos puzzles que tanto podem ser coisas simples de mexer numas alavancas, como guiar umas galinhas para comer uns fardos de palha, por exemplo. Relativamente ao combate em si, nós vamos adquirindo várias armas diferentes ao longo do jogo, sejam elas melee ou de longo alcance, como facas para atirar, ou vários tipos de bestas e arcos. Os inimigos acabam por ser mais susceptíveis a alguns tipos de armas do que outros, por exemplo contra esqueletos é preferível usar armas mais maciças, como um martelo gigante, do que propriamente espadas. Mas infelizmente o conjunto de movimentação mais combate e controlo de câmara deixam um pouco a desejar, tenho pena que a versão PS2 deste jogo nunca se tenha chegado a concretizar, pois o dual shock iria resolver muitos destes problemas, estou certo.

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O dinheiro que vamos encontrando pode ser gasto a comprar munições ou outros items

A versão PSP trouxe também uma série de mini jogos, onde eles até podem ser jogados numa de multiplayer, tanto pelo modo de infraestrutura usando os servidores da PSN, como no modo ad-hoc, ao criar uma pequena rede com os nossos amigos. Temos vários mini-jogos diferentes, como disparar flechas em alvos, derrotar uma série de inimigos dentro de um tempo limite, um clone do “whac-a-mole” ou mesmo coisas como pastorear rebanhos ou grupos de galinhas. Sinceramente não cheguei a experimentar a vertente multiplayer, pelo que não sei se todos estes mini-jogos estariam disponíveis em multiplayer, até porque acho que alguns ficariam bem estranhos.

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Cada nível está cheio de segredos, portanto podemos rejogá-los as vezes que quisermos

Graficamente é um jogo bonitinho dentro dos possíveis. Enquanto os níveis em si não são do mais bonito que vimos na PSP, cumprem bem o seu papel, mas quando o jogo nos apresenta algumas cutscenes, então aí já vemos as coisas com muito mais detalhe. De qualquer das formas este Medievil tem um look que me parece directamente retirado de um Nightmare Before Christmas, com imensas localidades mais sinistras, mas sempre com um toada cartoonesca. O voice acting para mim está excelente. O jogo foi desenvolvido por um estúdio britânico da Sony e isso nota-se. Se forem fãs de britcom como eu, então esperem por imensas cutscenes repletas de um bom sentido de humor, que está também presente nas mensagens que vamos encontrando ao longo dos níveis ou mesmo as bocas que Al-Zalam nos vai mandando. Aliás, o narrador que vai contando a história entre cada nível (bem como a personagem Death) é nada mais nada menos que Tom Baker, um conhecido actor britânico que, se forem tão fãs de Little Britain como eu, vão imediatamente reconhecer a sua voz. As músicas na minha opinião são também excelentes, tendo todas elas sido gravadas com uma orquestra. Alguns temas dos jogos anteriores foram reaproveitados, outros são inteiramente novos, mas todos eles são óptimos, poderiam até passar por uma banda sonora de algum filme de cinema como o Nightmare Before Christmas, mais uma vez.

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Até nos tutoriais este é um jogo bem humorado.

Resumindo, no audiovisual e no storytelling em si, este Medievil é um jogo excelente que me enche por completo as medidas. Infelizmente na jogabilidade existem algumas arestas a limar, mas o facto de a PSP não ter 2 analógicos também limita um pouco as coisas. De qualquer das formas, adoraria que o jogo tivesse tido sucesso suficiente para se justificar um remake do Medievil 2, ou mesmo algo inteiramente novo. Sir Daniel é uma personagem bastante carismática que não deve ser esquecida do mundo dos videojogos. E Tom Baker não pode morrer nunca, pois quero ouvir mais coisas dele como “Scarecrow Fields- Prepare to be scared. If you’re a crow”.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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