Genji (Sony Playstation 2)

Genji PS2A Playstation 2, consola com tamanho sucesso que teve, no meio do seu imenso catálogo de videojogos, é perfeitamente natural nos escapar um ou outro do radar. E este Genji é para mim um perfeito exemplo disso, revelando-se depois num jogo que passei a adorar. Essencialmente é um hack and slash com alguns elementos de RPG e exploração, mas com óptimos controlos, ideias, visuais e um setting centrado em plena era feudal japonesa com os seus samurais e outros guerreiros, tema que eu sempre gostei. O jogo entrou na minha colecção algures no final do ano anterior ou início deste, tendo-me custado 3€, comprado a um familiar.

Genji - Sony Playstation 2

Jogo com caixa e manual

O jogo coloca-nos num Japão oprimido pelo rejime do exército Heishi, liderado por Taira no Kagekiyo, vencedor de um brutal conflito entre as facções Heishi e Genji que haviam decorrido uns anos atrás. Esses guerreiros possuiam as Amahaganes, umas “bolas de cristal” muito especiais, conferindo poderes mágicos aos seus donos. Os sobreviventes Genji, derrotados, acabaram por se escoder espalhados pelo Japão e encarnamos em Minamoto Yoshitsune, filho do antigo líder Genji que, em conjunto com Musahibo Benkei, iremos lutar contra os Heishi e restaurar a liberdade ao povo. Claro que também temos Amahaganes para nós próprios e o seu uso será essencial nos combates que nos esperam.

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Em Genji, os combos são muito importantes para ganhar mais pontos de experiência. Se usarmos o Kamui como deve ser, ainda melhor.

A jogabilidade mistura os hack and slashs repletos de combos à lá God of War, com a exploração e backtracking para procurar locais e items que anteriormente não conseguiríamos alcançar (ou apenas poderiam ser alcançados por Yoshitsune ou Benkei), bem como alguns elementos ligeiros de RPG, ganhamos ponto de experiência por cada combate que temos, podendo posteriormente subir de nível, comprar e equipar várias armas ou peças de equipamento ou mesmo items de suporte que podem facilmente ser utilizados ao mapeá-los para uma direcção do D-Pad. Outra maneira de aumentarmos alguns atributos específicos como a vida, ataque e defesa, consiste en encontrar fragmentos de cristais escondidos ao longo do jogo, podendo depois atribuí-los a um destes atributos e por cada 3 que juntarmos num atributo, subimos aí também de nível. Ao contrário do nível normal da personagem, cuja pool de experiência é partilhada entre as 2 personagens, esta aqui é independente.

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Yoshimitse é o típico guerreiro mais ágil, já Benkei é mais lento, mas com muito mais força bruta.

Os controlos são bastante agradáveis e fluídos. As batalhas decorrem deliciosamente e a ideia do Kamui foi muito bem conseguida. Kamui é o poder das Amahaganes, que essencialmente deixam toda a acção em câmara lenta e permite-nos dar fortíssimos contra-ataques a inimigos, muitas vezes matando-os com um só golpe e tirando também uma grande fatia de vida dos bosses. Esse Kamui pode ser utilizado sempre que enchemos uma barrinha de energia com os golpes normais e combos que vamos executando, podendo depois ao longo do jogo ganhar mais umas 3 dessas barrinhas, permitindo-nos utilizar Kamuis em cima de Kamuis, para resultados ainda mais espectaculares, se bem executados. E de facto executar bem os Kamuis é a chave para o sucesso deste jogo, para além de dar muito mais dano nos inimigos, também ganhamos muitos mais pontos de experiência no fim do combate.

A vertente mais de exploração resulta da maneira como o jogo está distribuído. Temos um overworld com várias localizações que vão sendo desbloqueadas à medida em que vamos progredindo na história. No entanto podemos ir visitando zonas anteriores, seja para combater e ganhar mais experiência, passar pelos mesmos locais com outra personagem de forma a aproveitar as suas habilidades para encontrar passagens secretas e/ou outros items, ou simplesmente para interagir com NPCs e lojas para comprar mais equipamento ou items. Tudo isto pelo menos dentro do capítulo em que estamos, pois ao longo dos 3 capítulos vamos mudar de zona e as áreas anteriores deixarão de poder ser visitadas.

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Inicialmente vamos lutar contra oponentes humanos, mas mais tarde entram também forças de outros mundos à disputa.

Visualmente é um jogo excelente. Os gráficos estão muito bem detalhados, pelo menos falando em relação às capacidades da Playstation 2 e tudo está muito bem caracterizado, sejam os nossos guerreiros, outros samurais ou criaturas místicas, ou mesmo as próprias paisagens naturais, repletas de cores vivas e as aldeias/castelos/templos japoneses, com uma arquitectura muito própria e aqui muito bem representadas. Uma outra coisa que eu gostei bastante é o facto de o jogo nos permitir ouvir o voice acting original em japonês, com legendas em inglês ou noutras línguas europeias. Sendo assim nem sequer toquei no voice acting inglês, portanto nada tenho a dizer do mesmo. Só tenho pena que em cada vez que fazia boot à consola com o jogo, ela pedia-me se queria fazer o display em 50 ou 60Hz e mudar as línguas do jogo e lá tinha eu de fazer sempre a mesma alteração. A meu ver estes settings deveriam ficar logo guardados no cartão de memória e pronto, se depois quiséssemos alterar bastaria ir ao menu das opções. E devo então dizer que gostei bastante do voice acting japonês, todas as vozes iam de encontro às minhas expectativas perante as personagens em questão e aqui não temos aquelas vozes fofinhas de muitos animes actuais. Gostei bem do trabalho e espero sinceramente um dia que compre o Genji da PS3 venha a ser agradavelmente surpreendido uma vez mais neste campo. Outro ponto a referir são as cutscenes, que tanto são num CG muito bem trabalhado, como podem também usar o próprio motor gráfico do jogo que, face à quantidade de detalhes que apresenta, porta-se mesmo muito bem.

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Por vezes é impossível ficar indiferente perante tal beleza nos cenários

No fim de contas, este é um jogo que recomendo a todos os donos de Playstation 2, em especial se preenchem pelo menos um destes requisitos: gostar de hack and slashs 3D e/ou gostar de samurais e temática afins. Nesses campos Genji é um excelente jogo. Convém também referir que temos algum conteúdo bónus se chegarmos ao fim do jogo em Normal e Hard, como as cutscenes ou bastante artwork das personagens principais, inimigos e cenários. Por fim, devo dizer que fiquei bastante curioso com o Genji “giant enemy crab” que acabou por sair para a Playstation 3, vamos a ver como se safaram.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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