Legend of Kage 2 (Nintendo DS)

Legend of Kage 2Continuando com as consolas da Nintendo, o próximo jogo que escreverei é uma sequela a um jogo há muito esquecido que, mesmo sendo um dos jogos que eu mais gostava de jogar na minha famiclone, o Legend of Kage original não deixava de ser um jogo algo obscuro do catálogo da NES e condenado ao esquecimento, após tantos anos sem se ouvir falar mais nele. E foi precisamente isso que me surpreendeu quando soube que a Taito estaria a fazer uma sequela para este jogo. Nos dias de hoje, com a indústria dos videojogos a apostar cada vez mais em sequelas a jogos million sellers, o espaço para IPs novas tem vindo a reduzir-se e ainda mais para IPs há muito esquecidas. Felizmente não foi esse o caso do Legend of Kage e apesar do duplo ecrã da Nintendo DS, este parece-me a sequela que a SNES há muito teria merecido. O jogo entrou na minha coleção há uns meses atrás, após ter sido comprado por 5€ numa das últimas promoções da Fnac. Foi na do Norteshopping se a memória não me falha.

Legend of Kage 2 - Nintendo DS

Jogo com caixa, papelada e manual

Não sei bem se este Kage 2 é uma sequela ou um remake do original, mas ambos começam com o mesmo tema: o rapto de uma princesa por ninjas com más intenções. Mas aqui a história é dada um tratamento mais completo, começando-nos por colocar no papel de um ninja masculino, Kage, ou feminino, a Chihiro. Ambas as personagens têm diferentes backgrounds, mas a história principal mantém-se idêntica. A princesa Kirihime foi raptada por forças demoníacas e a razão pela qual houve esse rapto é o facto de a princesa ter alguns poderes especiais que nunca foram muito bem explicados. Resumindo, os maus da fita precisam dos poderes dela para poderem dominar o Japão e o mundo e seremos nós a atravessarmo-nos nos seus caminhos.

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Combinando as gems que encontramos ao longo do jogo podemos desbloquear vários tipos de Ninjutsu

O Legend of Kage original não era nada de especial para ser sincero. Mas eu adorava jogá-lo pelos seus saltos gigantes e poder disparar shurikens em todas as direcções e esquartejar todos os ninjas que se metessem à nossa frente, bem como saltitar graciosamente de árvore em árvore. E essa “verticalidade” dos níveis mantém-se, mas desta vez dotaram os ninjas de muitos movimentos extra. Kage apresenta a mesma jogabilidade básica, tendo uma espada e shurikens. Já Chihiro é mais fraquinha fisicamente, mas tem armas que lhe permitem atacar vários inimigos ao mesmo tempo. De resto vamos desbloqueando imensas skills, como saltar cada vez mais alto ou novas combos para executar ou mesmo Ninjutsus para construir e utilizar. Outras habilidades que se tornaram standard em outros jogos de ninjas estão também aqui presentes, como correr e saltar em paredes, agarrar-se a tectos ou deslizar pelo ar. Infelizmente os controlos não são tão precisos como gostaria, por vezes os saltos não saem exactamente da maneira que queremos, havendo também algum delay entre saltar e atacar. Felizmente não existem abismos sem fundo neste jogo.

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Os 2 ecrãs da DS adaptam-se muito bem à verticalidade exigida pelo jogo

Os níveis são bem grandinhos e embora não seja necessário explorá-los todos a 100%, seja pela sua verticalidade, sejam pelos imensos inimigos que vão fazendo respawn, mas a exploração é algo encorajado nem que seja para encontrar powerups escondidos que nos permitirão depois desbloquear novas habilidades mágicas de Ninjutsu. No final de cada nível temos sempre um ou mais combates contra bosses, e essas lutas são bem mais complicadas que os níveis propriamente ditos. Se não fossem o bosses desafiantes, este era um jogo em que se conseguiria terminar em pouco tempo. Ainda assim, o facto de a história ser ligeiramente diferente entre Kage e Chihiro, bem como o conteúdo bónus que vamos desbloqueando ao terminar o jogo em várias dificuldades ou no boss rush mode são incentivos a jogar este Legend of Kage 2 mais que uma vez.

Graficamente não é dos jogos 2D mais bonitos da Nintendo DS. Aliás, se não fosse o facto de a acção ocupar 2 ecrãs (o que é excelente tendo em conta a verticalidade dos saltos que damos), eu diria até que este é um jogo de SNES. O estilo das músicas e mesmo o grau de detalhe de todas as sprites me parece retirado da consola 16bit da Nintendo e certamente que ficaria bem nessa consola. Não quero com isso dizer que é um mau jogo a nível gráfico, simplesmente que já vi melhor. O artwork dos cenários de um Japão feudal agradaram-me, apenas tenho pena por não ter havido uma maior variedade em alguns dos cenários.

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Entre cada nível e antes de cada boss temos acesso a cutscenes com diálogos para prosseguir com a história

Este Legend of Kage 2 não é uma hidden-gem nem um must-have da consola, no entanto não deixa de ser um bom jogo cujo lançamento me surpreendeu bastante visto o jogo original ser bastante antigo e ter-se ficado na obscuridade. Gostava de ter visto mais sequelas deste género nos tempos que correm.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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