SpellCaster (Sega Master System)

SpellcasterVoltando para uma das minhas consolas preferidas, o jogo que escreverei agora não diria que é uma hidden gem, mas sim um daqueles jogos que muita curiosidade me despertou quando era pequeno e ficava a imaginar como seriam os jogos da Master System simplesmente ao olhar para um screenshot num catálogo. Com um screenshot apenas, esse jogo sempre me deixou com vontade de o jogar, tal era o poder da imaginação naquela altura. E na verdade é um jogo bastante peculiar, misturando conceitos de RPG, sidescroller de acção e aventura gráfica. Este Spellcaster entrou na minha colecção há uns meses atrás, após ter sido comprado a um particular por 7€, faltando-lhe o manual.

Spellcaster - Sega Master System

Jogo com caixa

Originalmente no Japão o jogo chama-se Kujakuou, seguindo a história de uma manga/anime do mesmo nome. Penso que alterações para a release ocidental foram inevitáveis, mas para além do nome da personagem principal, que aqui se chama Kane, não sei que mais foi alterado, até porque desconheço por completo a obra original de onde o jogo se inspira. Basicamente Kane é uma espécie de guerreiro com poderes místicos, onde desde jovem treinou sob a alçada de Kaikak, líder do Summit Temple e dominou uma série de poderes mágicos e poderosos feitiços, tornando-o num grande guerreiro. Ainda assim a vida de Kane era pacífica até que uma onda de violência levada a cabo por um exército desconhecido e com criaturas maléficas destruiu muitos dos outros templos e matou também muitos dos seus guardas. Kane é então enviado ao templo mais próximo de Enriku para investigar esses acontecimentos, e é aí que começa a nossa aventura onde teremos muitos combate e exploração para fazer.

screenshot

O ecrã título japonês é bem mais trabalhado do que o que tivemos direito

O jogo está então dividido em 2 modos de jogo distintos: as secções de sidescrollers, geralmente passadas quando queremos ir de uma localização à outra ou até em combates contra bosses, ou os segmentos de exploração que de acção têm muito pouco. Nos primeiros temos a fórmula tradicional de jogos como Contra ou Shinobi, onde andamos do ponto A ao ponto B, tentando destruir tudo o que mexa e ultrapassar alguns obstáculos de platforming. A diferença é que aqui em vez de termos uma metrelhadora, ou armas brancas, Kane está munido dos seus poderes, lançando bolas de energia que podem até ser carregadas para um golpe mais devastador. Na parte de cima do ecrã temos 2 indicadores: força e energia. Os primeiros referem-se aos pontos de vida, se deixarmos que chegue a zero não é nada difícil adivinhar o que acontecerá. O outro é o medidor de energia, que vai sendo gasto à medida em que usamos os feitiços. Tanto uma como a outra podem ser restabelecidas ao apanhar orbs deixadas pelos inimigos e à medida em que vamos progredindo no jogo o seu limite máximo também pode ser aumentado. Mas falando nos feitiços, parte integral deste jogo, os mesmos podem ser consultados ao pressionar o botão de pausa. Desde o início do jogo que temos logo todos os feitiços à disposição (excepto um que gera uma password com os dados do jogo, para “save game”, que aprendemos pouco depois do início da nossa aventura), o que na minha opinião seria melhor se fossemos aprendendo ou desbloqueando esses feitiços gradualmente.

screenshot

Era por causa de screenshots como este que sempre tive curiosidade com este jogo quando era novinho

De qualquer das formas, esses feitiços são bastante variados, abrangendo coisas como voar, um escudo que nos torna temporariamente invulneráveis, ataques mais fortes, regenerar os pontos de vida, ou então ataques devastadores que afectam todos os inimigos no ecrã e que são bastante úteis contra os bosses. Mais uma vez, o facto de termos todo este arsenal ao nosso dispor logo desde o início do jogo penso que retira algum do desafio do mesmo, mediante a nossa disponibilidade de pontos de energia, para usar estes feitiços continuamente. Avançando para o modo aventura, aqui somos apresentados a vários ecrãs estáticos e com um menu onde podemos escolher vários comandos como “olhar”, “falar”, “mover”, “pegar” ou “usar”. São mecânicas de jogo algo arcaicas mas bastante comuns em jogos de aventura de consolas ou mesmo nos PCs na década de 80, onde o uso dos ratos era ainda uma miragem. Infelizmente estas secções são bastante lineares e não apresentam grandes desafios, a não ser aquela secção em que temos de procurar um item no fundo do mar, isso foi chatinho. Os elementos RPG estão também na parte de podermos equipar várias armas e armadura, aumentando os nossos stats gerais.

screenshot

É nesta parte de “aventura” que os diálogos vão surgindo

Graficamente achei o jogo bom. Nas partes de acção temos sprites detalhadas e níveis coloridos, com vários inimigos no ecrã e coisas a acontecer. Na parte de aventura as coisas são também bastante coloridas e detalhadas, usando bem as capacidades da Master System nesse campo. Os efeitos sonoros, que sempre foram o calcanhar de Aquiles da Master System são OK, assim como as músicas que apesar de não serem memoráveis, também não são irritantes.

No fim de contas, apesar de não considerar este jogo como uma hidden gem da Master System, acabei por gostar bastante dele na mesma pela sua originalidade. O jogo perde na sua linearidade, tornando as secções de exploração e aventura algo inúteis, bem como os elementos de RPG a poderem ser um pouco melhor trabalhados e o facto de termos logo de início acesso a todo o arsenal de poderes não me pareceu a melhor decisão. Mas não deixa de ser um bom jogo e as fases de acção são realmente boas. Para a Mega Drive existe uma sequela que mais uma vez chegou cá com um nome completamente diferente: Mystic Defender. Esse jogo sempre me passou ao lado, mas estou bastante curioso em ver como foi a evolução desde este SpellCaster.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Master System, SEGA. ligação permanente.

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