Bushido Blade (Sony Playstation)

Bushido BladeVamos para mais uma análise, desta vez de um jogo muito original da primeira Playstation, embora o resultado final ainda não é tão refinado quanto o conceito do jogo o merecia, na minha opinião. Isto porque este é um jogo de luta 1 contra um onde não existe qualquer limite de tempo ou barra de vida, pois lutamos com armas brancas e, tal como na realidade, com apenas um golpe o resultado poderia fatal. E este jogo foi comprado algures no verão do ano de 2013 na feira da Ladra em Lisboa. Creio que me custou algo entre os 4 e os 6€, e apesar de estar completo, o jogo poderia estar em melhores condições.

Bushido Blade - Sony Playstation

Jogo com caixa e manual

A história como sempre não é o mais importante neste tipo de jogos, mas sim a sua jogabilidade. Essencialmente o jogo decorre na era moderna japonesa, onde numa centenária organização de assassinos escolhemos uma das personagens que terá a mesma história ao longo do jogo, apenas com algumas variações. A nossa personagem escolhida torna-se num fugitivo do clan de assassinos (Kage) e, devido a ter demasiados conhecimentos dessa organização secreta, o líder do clã ordena a todos os seus súbditos, sob pena de morte, que persigam esse fugitivo e o abatam. Sendo assim, nós iremos combater contra todos os nossos antigos colegas, até chegarmos ao próprio líder do clã, com a história a desenrolar-se com breves cutscenes entre os combates.

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Podemos cortar alguém nas pernas, deixando-o em séria desvantagem no resto do combate

Cada personagem não possui grandes diferenças no seu modo de lutar, é certo que temos personagens mais fortes ou mais ágeis que outras, mas a grande diferença está no tipo de arma que escolhemos, onde algumas personagens têm também diferentes preferências neste campo. Daqui podemos escolher uma arma branca dentro de várias, como as tradicionais armas japonesas como a katana, nodachi ou mesmo espadas europeias, como a rapier, ou a broadsword. Cada arma tem diferentes características, como o seu peso e comprimento da lâmina, o que nos permite atacar com maior ou menor alcance, mas também se a arma for demasiado leve, pode-nos trazer dificuldades a bloquear golpes. Após escolhermos a arma somos então largados no jogo, onde somos presenteados com um sistema de combate único, podendo lançar golpes altos, médios e baixos e o mesmo se aplica à pose que podemos adoptar. Obviamente que também temos um botão para bloquear ataques, o que será necessário pois a qualquer momento podemos receber um golpe fatal. E é aqui que entram as minhas queixas pois muitas vezes parece que acertamos mesmo em cheio no tórax de alguém e nada acontece, enquanto noutras acabamos por matar o oponente sem saber muito bem onde lhe acertamos. É certo que podemos inutilizar os seus braços ou pernas, mas lá está, a hit detection parece-me ainda algo verdinha. Bushido Blade, tal como o nome sugere, obriga-nos a seguir o código Bushido, lutando honradamente, e se não o fizermos podemos ser penalizados e o jogo terminar mais cedo. Isso acontece quando atacamos alguém por trás, ou quando está no chão, por exemplo.

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Este é o ecrã de selecção de armas, onde uma jovem com o seu kimono nos entrega a arma escolhida nas mãos

Outros modos de jogo, para além do tradicional versus para dois jogadores, temos também um modo de treino, uma espécie de survival onde temos de enfrentar 100 ninjas consecutivamente e um estranho modo de jogo que é inteiramente passado na primeira pessoa. De resto, convém também dizer que uma das coisas que mais gostei neste jogo é o facto de as arenas não serem limitadas. Embora em cada round começamos a acção numa parte específica de um enorme castelo feudal do tradicional japão, podemos explorar livremente todos os exteriores desse castelo, subindo muros, atravessando túneis, riachos ou pequenas florestas de bambu onde podemos inclusivamente rachar ao meio essas canas.

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Se fizermos muitas acções desrespeitosas “vamos para casa mais cedo”.

Infelizmente os gráficos não são os melhores, até porque muitas vezes apenas vemos “quadrados” de parte dos cenários, para além de as texturas não terem lá muito detalhe e os loadings serem consideráveis entre cada secção. Mas não deixa de ser uma boa ideia. E o facto de o jogo ser passado no Japão moderno também retira-lhe algum charme, creio que teria sido muito mais interessante se não houvessem esses modernismos e as personagens estivessem mais fielmente representadas a esse período feudal. De resto gostei do detalhe de, se formos sofrendo muitos golpes, nos combates seguintes e até ao final do jogo vamos lutando com algumas ligaduras, sejam em braços, pernas ou mesmo na própria cabeça. Mas não consegui reparar se isso nos deixa mais debilitados de alguma forma. De resto as músicas são boas, indo buscar muitas melodias tradicionais japonesas que se adequam perfeitamente ao estilo do jogo. O voice acting e a história no geral, apesar de não ser o melhor que já vi e ouvi, é de louvar terem deixado as vozes originais japonesas com respectivas legendas.

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O modo de primeira pessoa para além de ter uns controlos complicados, acaba por ser mesmo estranho.

No fim de contas este Bushido Blade é para mim um jogo bastante original, sendo ainda mais surpreendente o facto de ter sido editado pela Squaresoft, empresa bem mais vocacionada para os RPGs, mas que no entanto não é assim tão estranha aos jogos de luta, os Tobal ou Ergheiz que o digam. Mas apesar de toda a sua originalidade dos golpes fatais, creio que as mecânicas de jogo ainda deveriam ter mais refinadas, bem como o leque de lutadores deveria ser maior na minha opinião, pois seis sabe-me a pouco. Existe uma sequela, Bushido Blade 2, que infelizmente não chegou a solo europeu, mas estou curioso para ver que melhoramentos ou evolução fizeram na fórmula com esse jogo.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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