Journey Collector’s Edition (Sony Playstation 3)

Journey CEJá há algum tempo que não escrevia nada sobre a PS3, pois o tempo que tenho tido não dá para realmente jogar tudo o que me vem parar às mãos. Mas este é um jogo especial, pois para além de ser uma colectânea de 3 jogos bastante invulgares e completamente distintos entre si, é também especial por ter sido um presente de aniversário que me foi oferecido pela minha namorada. Todos os jogos aqui incluídos foram desenvolvidos pelo estúdio indie “thatgamecompany”, que desde cedo assinaram um acordo de exclusividade com a Sony e o seu serviço PSN, após o sucesso de um dos seus primeiros jogos, Flow.

Journey Collector's Edition - Sony Playstation 3

Jogo com caixa e manual

E esta versão do Flow é uma versão bem melhorada do original jogo “flash based“. Aqui controlamos um microorganismo multicelular que se encontra a vaguear pelo oceano, onde nós podemos ir “comendo” outras células ou pequenos microorganismos de forma a crescermos, ou evoluir, ficando uma criatura cada vez maior e complexa. Ao longo do jogo vamos também poder encontrar outras criaturas, na sua maioria inofensivas, ficando à nossa escolha se as queremos atacar, sacrificando-as para o nosso próprio crescimento e evolução ou não. Mas há criaturas agressivas e é engraçado vê-las a crescer e evoluir se nos comerem algum segmento do nosso corpo e vice-versa. Podemos controlar várias criaturas distintas, desde seres parecidos com serpentes, a outros que me fazem lembrar das alforrecas. Todos eles são controlados com o sensor de movimento do Sixaxis/Dualshock 3, o que de início até me chateou um bocado mas depois lá me habituei. Depois cada criatura tem uma habilidade especial, seja fazer um sprint, rodopiar sobre si mesma, paralizar quem esteja à sua volta, etc. Tudo isto é feito com um botão facial apenas.

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Estas criaturas com as setinhas azuis ou vermelhas são as que nos transportam para os planos superiores ou inferiores

De resto o jogo é todo ele jogado em vários planos 2D, todos sobrepostos entre si. Excepto nos planos de topo e de fundo, todos os outros possuem criaturas especiais que, ao serem consumidas pela nossa criatura, nos leva a um plano abaixo ou acima, dependendo da criatura em si. Os visuais são bastante simples, mas bem eficazes. Todas as criaturas têm um design interessante, e o  brilho de todos os organismos multicelulares contrasta bem com o “deep blue” em que nos encontramos. As músicas são bastante atmosféricas e adaptam-se muito bem ao que o jogo transmite e, tal como veremos nos outros jogos desta compilação, foi tido um cuidado muito especial com todos os efeitos sonoros, onde cada microorganismo ou célula que consumimos produzem uma nota síncope entre si, dando ainda uma maior musicalidade a toda a experiência. O jogo tem ainda uma vertente multiplayer que eu não cheguei a experimentar.

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Por vezes temos de fugir, ou combater cautelosamente criaturas enormes. Quando brilham vermelho, é sinal que estão a atacar

Passando para o jogo seguinte, Flower é mais outro jogo muito original, mais outra interessante viagem com um conceito mais ecológico, se lhe quisermos chamar assim. Essencialmente controlamos o vento que inicialmente sopra uma pétala de uma flor. Temos liberdade total para onde quisermos levar a pétala, mas depressa nos apercebemos que existem outras flores que traçam um caminho a seguir e cada vez que passamos próximos das mesmas, largam mais uma pétala que nos acompanha, sendo o resultado final um turbilhão de cores a seguir pelo ar. Essencialmente em cada nível teremos mesmo de “tocar” muitas dessas flores espalhadas, que vão trazer nova vida a paisagens que outrora seriam mais desertas. É à medida em que vamos prosseguindo nos níveis que nos vamos apercebendo também da mensagem ecológica que os criadores nos estão a tentar passar, com o que o início eram campos verdejantes, passaram a ser ruínas escuras e sinistras.

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Onde quer que o vento leve estas pétalas, ao tocarem numa flor, trazem vida a uma região envolvente

Tal como Flow, também este jogo é inteiramente controlado pelos sensores de movimento do comando da PS3, embora aqui as coisas já me tenham sido mais naturais. Os botões faciais apenas servem para “soprar” pétalas, sendo mais uma vez controlos bem simples. E tal como no Flow mais uma vez, a banda sonora é completamente atmosférica, dando-nos melodias relaxantes e apaziguadoras, mas também quando necessário consegue tocar algo mais tenso e a musicalidade nos efeitos sonoros persiste, com melodias a serem tocadas cada vez que passamos próximo de uma flor ainda não tocada pelo nosso vento. Os gráficos são no geral bonitos, com belas paisagens de campos abertos, áreas abertas com um bom nível de detalhe, desfiladeiros e as tais ruínas já faladas em cima, onde os jogos de cores acabam sempre por ficar muito bons.

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O trilho de flores dá-nos a indicar qual o caminho que devemos seguir

Mas passemos ao prato principal deste artigo, Journey. Este foi o último jogo desenvolvido pela thatgamecompany sob o contrato de exclusividade assinado com a Sony e que melhor maneira de se despedirem senão com este jogo? Tal como o nome indica, esta é mais uma viagem, estando repleta de misticismo e mistério, a começar logo pela estranha criatura com as suas longas vestimentas que controlamos. Somos largados num imenso deserto, com uma panorâmica de uma longínqua e imponente montanha que devemos alcançar. À medida que vamos atravessando as suas dunas vamos descobrindo ruínas de uma antiga civilização, onde após o final de cada um destes níveis onde “descansamos” em frente a uma pedra com umas gravuras, temos uma visão onde somos “contactados” por seres parecidos connosco, mas maiores e com umas vestes brancas, que nos vão dando uma panorâmica dessa mesma civilização perdida e do caminho que ainda nos resta. É uma magnífica viagem que temos pela frente, com uns excelentes visuais. As mecânicas de jogo são simples, um dos analógicos controla a personagem, o outro a câmara, embora esta também possa ser controlada pelo sensor de movimento do próprio comando. Depois temos um botão para salto e um outro para soltar uma nota musical com propriedades mágicas: sempre que o fizermos em contacto com pedaços de tecido que vamos encontrando, absorvemos essa mesma magia que pode ser utilizada para saltar, ou mesmo voar durante um curto intervalo de tempo. Essas habilidades vão sendo usadas para resolver simples puzzles, seja para abrir caminho em algumas partes nos níveis, seja para os elementos de platformem que exigem que saltemos de tecido em tecido, ou mesmo para apanhar alguns powerups que muitas vezes estão escondidos ou em sítios de mais difícil acesso. Esses power-ups extendem o comprimento do nosso longo cachecol e ao tocar nesses tecidos mágicos o nosso poder é recarregado, permitindo-nos saltar ou voar mais tempo, algo que varia consoante o tamanho do nosso cachecol.

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Poucos jogos conseguiram ser tão imersivos quanto este

Também vamo-nos cruzando com outros jogadores anónimos ao longo da nossa viagem e a única maneira que temos de comunicar é mesmo soltando essas notas musicais. Se as nossas vestimentas se tocarem, também recarregam os poderes mágicos umas das outras. Para além desses elementos de plataforma, temos uma ou outra situação em que temos de evitar que sejamos atacados por outras criaturas, se formos atingidos, parte do nosso longo cachecol é destruído, mas nada que nos impeça de chegar ao fim desta viagem que peca por ser muito curta – tal como os outros jogos desta compilação, entre 2 a 3 horas é tempo suficiente de os terminarmos, embora se quisermos descobrir todos os seus segredos então ainda teremos de perder mais algum tempo.

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O jogo tem alguns elementos de plataformas, que devem ser ultrapassados com as mecânicas dos tecidos mágicos, incluindo o do nosso cachecol que nos permite dar longos saltos, se estiver carregado “magicamente”

Os gráficos deste jogo são fenomenais e os paralelismos traçados com as obras da Team Ico que nos trouxe Ico e Shadow of the Colossus não são de estranhar. As ruínas de uma civilização antiga e misteriosa, bem como o próprio design de todas as personagens do jogo parecem encaixar-se perfeitamente com o género de visuais e misticismos próprios da Team Ico. As paisagens são belas e deslizar por entre as dunas douradas é de facto uma sensação indescritível numa Playstation 3. Para além disso, este jogo segue a boa tradição na musicalidade da thatgamecompany. As músicas são épicas e também muito envolventes, estando directamente relacionadas com as nossas acções e ao que se vai passando à nossa volta. Os efeitos sonoros também são dinâmicos o suficiente para dar ainda mais um contributo à ja excelente música. Os cenários apesar de muitas vezes terem a areia e ruínas como ponto comum, também vão variando. No fim de contas é um excelente jogo, apesar de curto.

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Esta descida pelo deserto é sem dúvida um dos pontos altos dos visuais do jogo

De resto esta compilação traz ainda 3 protótipos, jogos desenvolvidos numa game jam de 24h que o estúdio tinha realizado eventualmente. Muitos destes jogos foram até desesnvolvidos com o multiplayer em mente, pelo que não perdi muito tempo com eles, até porque não passam mesmo de pequenos protótipos. São eles: Gravediggers, Duke War e Nostril Shot. Para além disso, o disco contém vários videos e developer’s commentary sobre os 3 jogos principais, incluindo também muito artwork, e a própria banda sonora. Esta é uma boa compilação e o Journey, apesar de curtinho, merecia uma release física também a um preço justo, até porque são todos jogos curtos. Mas não deixam de ser todos eles uma interessante viagem e também relaxantes quanto baste. Fico bastante curioso com o que a thatgamecompany irá lançar no futuro.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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