No One Lives Forever (PC)

No One Lives ForeverVamos voltar aos FPS clássicos do PC para uma análise a um jogo da Monolith, os mesmos que nos trouxeram o fantástico Blood, ou mais recentemente os F.E.A.R.. Este No One Lives Forever, lançado originalmente em 2000 é um excelente FPS, repleto de acção, stealth e bom humor, ao satirizar os imensos filmes de espionagem da década de 60, mais notavelmente a série James Bond, pois também jogamos com um (neste caso uma) agente secreta britânica. Este jogo foi comprado na feira da Ladra há umas semanas atrás, mas já não me recordo se me custou 1 ou 2€. De qualquer das formas foi um óptimo preço visto estar completo e até traz um CD extra com a banda sonora.

No One Lives Forever - PC

Jogo completo com caixa, manual e cd com músicas do jogo e não só.

Cate Archer é o nome da personagem principal, uma agente secreta que trabalha para a organização de espionagem Unity. A nossa primeira missão leva-nos para Marrocos juntamente com o nosso mentor, Bruno Lawrie para proteger um embaixador norte-americano que se encontrava de férias e recebeu ameaças de morte. Mas Cate e Bruno cairam numa armadilha montada por uma misteriosa organização criminosa chamada de H.A.R.M., com o assassino profissional Dmitri Volkov a atacar ambos. Volkov era o principal suspeito de ter liquidado anteriormente um grande número de agentes secretos da Unity, e com este ataque a história vai ganhando outros contornos, com muitas conspirações à mistura e Cate a viajar por todos os cantos do mundo para descobrir mais sobre a H.A.R.M.

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Uma granada disfarçada de baton? check!

E neste NOLF as missões para além de se passarem em localidades completamente distintas, como Marrocos, Alemanhas, Caraíbas e até no próprio espaço ou mesmo debaixo de água. As missões vão tendo também diferentes objectivos, onde muitas vezes o jogo nos tenta persuadir a utilizarmos uma abordagem mais furtiva para irmos passando despercebidos. Outros momentos notáveis como defender um pobre coitado ao assassinar uma série de snipers que o tentam abater, ou matar uns quantos inimigos enquanto saltamos de um avião em plena atmosfera. Vamos descobrindo imensas armas e items ou gadjets que podemos utilizar, desde revólveres, a metrelhadoras, sniper rifles e lança-granadas. Como uma boa sátira a filmes de espionagem, vamos tendo também vários gadjets à nossa disposição, onde até poderemos treinar previamente a sua utilização em alguns níveis de treino antes da missão seguinte. Desses temos granadas disfarçadas de batons de senhora, um travessão de cabelo que tanto pode ser utilizado para fazer lockpicking como atacar os inimigos, uns óculos de sol que nos permitem fotografar ou detectar minas ou lasers invisíveis, ou outros aparelhos electrónicos para descodificar códigos de segurança ou desabilitar câmaras de vigilância. O arsenal de Cate é mesmo longo, existem muito mais coisas a descobrir e usar.

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A variedade de itens e gadjets que Cate tem ao seu dispor é impressionante

Apesar de podermos passar a maior parte dos níveis “à rambo” e atirar para tudo o que mexa, o jogo encoraja-nos sempre a seguir furtivamente e em alguns níveis teremos mesmo de passar completamente despercebidos. Para isso temos de ter a preocupação de fazer pouco barulho enquanto caminhamos e evitar que algum inimigo ou câmara de vigilância nos descubra. Outra preocupação é não deixar cadáveres de inimigos à vista e em alguns níveis eles até nos conseguem descobrir pelo rasto de pegadas que vamos deixando. Para além dos habituais silenciadores e do já referido item para desabilitar as câmaras, temos também um pó para decompor os corpos dos inimigos, de forma a que sejam descobertos, ou outras coisas como equipar chinelos fofinhos para fazer menos barulho enquanto se corre. No entanto como já referi, muitas vezes podemos nos safar bem mesmo que tenhamos sido descobertos, embora com mais dificuldade pois os inimigos vão-nos saltar todos em cima. Para além disso este jogo é também dos primeiros, senão mesmo o primeiro a deixar-nos equipar mais de um tipo de balas em certas armas. Para além das balas metálicas normais, temos também as “Dum Dum” que explodem no impacto ou balas fosfóricas que incendeiam os inimigos.

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Ora cá está uma coisa que não se vê todos os dias num FPS. Andar aos tiros em queda livre

Outra coisa também presente neste jogo são os segmentos onde podemos conduzir veículos, são segmentos também relativamente longos, à semelhança dos vistos em Half-Life 2, e são outra mais-valia para a diversidade do jogo. Ou o facto de podermos descobrir documentos secretos que, mesmo não sendo obrigatórios, dão sempre para rir mais um pouco com algumas das mensagens que vamos lendo. De resto, para além deste modo campanha que é longo quanto baste, o jogo tem uma vertente multiplayer que infelizmente possui apenas 2 modos de jogo, o tradicional deathmatch e uma vertente do team deathmatch onde para além de uma equipa tentar aniquilar a outra, temos de fotografar uma série de documentos secretos da equipa adversária. Não que eu perca muito tempo em vertentes multiplayer, mas penso que poderia haver uma maior variedade de coisas para fazer aqui.

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Durante as cutscenes e mesmo ao longo do jogo, podemos ouvir imensos diálogos bem humorados.

Mas na minha opinião o que realmente marca pontos neste jogo é o bom humor. Apesar de não ter o sexismo de um Austin Powers, o jogo está repleto de cutscenes bem cómicas e dei-me por mim muitas vezes a escutar os diálogos dos inimigos por uns  bons minutos antes de aparecer e cravá-los de chumbo. Com isso devo dizer que o voice acting está excelente, com os clichés do costume de sotaques carregados sejam britânicos, alemães ou outros, mas fazem parte e resultam muito bem no conceito do jogo. A música é agradável e mais uma vez vai buscar inspirações ao rock psicadélico dos anos 60 e 70, tal como nesses filmes de paródias a James Bond e companhia, bem como algumas orquestrações mais épicas. Graficamente é um jogo bem robusto para os padrões de 2000, principalmente tendo em conta que corria numa engine proprietária da Monolith e não nos colossos da Unreal Engine ou id Tech 3 que estavam muito em moda em tudo o que fosse FPS.

Para além da versão PC, existe também uma versão PS2 que até não me importaria de jogar num dia destes. Essa versão PS2 contém uma série de novos níveis que servem de flashbacks ao passado de Cate Archer, quando ela era uma simples ladra. Tenho curiosidade em jogar esses níveis. De resto, para todos os fãs de FPS e de jogos com um bom sentido de humor no geral, apesar de não ser perfeito e o stealth ter alguns problemas com a IA dos inimigos, não deixa para mim de ser um excelente jogo a ter em conta.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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