VVVVVV (PC)

De volta para as análises indie, com mais um jogo de plataformas/metroidvania que apesar de ser brutalmente sádico, não deixa de ser extremamente viciante. VVVVVV é um jogo desenvolvido pela malta da Distractionware e que, tal como muitos jogos indie, projectos de mesinha de cabeceira, teve o seu início como um jogo flash, até que alguém decide converter o mesmo para C++, com uma série de novidades. Essa versão acabou por o levar à sua inclusão no Humble Indie Bundle III, bundle esse que me foi oferecido.

VVVVVVA história é simples: nós encarnamos na personagem Captain Viridian, capitão de uma nave espacial com mais 5 tripulantes cujos nomes são também começados por V. Daí o nome do jogo ser VVVVVV, penso eu. Ora a nave a certa altura encontra uma forte “interferência dimensional” e Viridian, tal como o resto da sua tripulação, tentam evacuar a nave, escapando através de um portal de teletransporte. No entanto Viridian encontra-se perdido numa dimensão bastante estranha e para piorar as coisas, não encontra nenhum dos seus outros tripulantes. Assim sendo somos largados neste estranho mundo e tal como num metroidvania, teremos de o explorar, de forma a descobrir os amigos de Viridian e se possível escapar em segurança.

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Podemos salvar o jogo em qualquer sala com o teletransporte

Sem dúvida que o grande ás na manga deste jogo é mesmo a habilidade de trocar a gravidade, sempre que estamos em contacto com uma superfície. Sem mais nenhuma habilidade, nem sequer a de saltar, será apenas alternando a gravidade e nos movimentarmos para a esquerda e direita que conseguiremos progredir no jogo. Claro que o que não falta são obstáculos, espinhos e criaturas a atrapalharem-nos a vida. O jogo está dividido em várias salas estratégicamente pensadas a que as consigamos atravessar com movimentos simples, mas que demorem uma eternidade a serem apreendidos. Isso porque a certa altura começam a brincar com barreiras que invertem a gravidade a meio dos saltos, tapetes rolantes, portais, salas em que se saires pela direita apareces na mesma posição na esquerda, entre muitos outros. Como não poderia deixar de ser, morremos mal nos deixemos tocar por alguma das criaturas, ou nos espetemos num espinho. No entanto, com vidas infinitas e vários itens com um C estampado que servem de checkpoints, fazem com que o jogo apesar de ser difícil e algo frustrante, continue viciante na sua jogabilidade de tentativa-erro. Em alguns segmentos teremos até umas “escort missions”, onde teremos de guiar não só Viridian, mas também outra personagem, por meio de armadilhas mortíferas.

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Cada sala tem uma descrição própria, por vezes com humor negro ou bizarrices

Para além da aventura principal de descobrir os 5 restantes membros da tripulação e descobrir o que está a causar essa interferência dimensional, poderemos explorar os mundos de VVVVVV livremente, mesmo depois de termos passado o jogo normal. Isto porque existem muitos caminhos alternativos e escondidos, não fosse este um Metroidvania, e vários coleccionáveis para apanhar. E se forem dos que não têm paciência para esta jogabilidade de tentativa-erro, esta versão 2.0 vem também com alguns cheat codes embutidos, como a capacidade de nos movimentarmos em câmara lenta, para melhor fugir dos obstáculos, ou tornar-nos mesmo invencíveis, tirando assim o desafio por completo do jogo, ficando só o apelo para explorar mais e mais.

Graficamente é um jogo bastante simples. Como muitos jogos desta “new wave of retrogaming“, o jogo tem um aspecto retro, mas em vez de apostar em visuais 8bit à lá NES ou 16bit como na SNES/Mega Drive, este VVVVVV vai ainda mais além, com os seus gráficos completamente lo-fi como se uma Commodore 64 ou ZX Spectrum se tratasse. Para além do ecrã de introdução imitar o mesmo da C64, temos sprites bastante simplistas e cenários quase monocromáticos. Obviamente que isto foi tudo intencional, mas faz todo o sentido no contexto do jogo. Os efeitos sonoros também são do mais primitivo possível, no entanto as músicas já são num chiptune bem “potente” e são bem viciantes. Uma outra coisa que gostei bastante são as descrições dadas a cada sala, e que podem ser lidas no fundo do ecrã. Essas descrições estão cheias de referências escondidas ou humor negro, perfeitamente adequado a um jogo em que se morre entre cada poucos segundos.

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Podemos dialogar com as personagens para ver o desenrolar da história

No fim de contas, VVVVVV é um dos jogos indie que assentam num dos seus nichos mais populares: o retrogaming. Mas é certamente um dos melhores, num oceano povoado por jogos de plataforma. A sua jogabilidade simples, mas com um level design muito bem pensado e desafiante, tornam VVVVVV num excelente jogo de plataformas e exploração. Se gostam de metroidvanias e jogos difíceis de tentativa-erro como Super Meat Boy, então este VVVVVV é uma excelente escolha.

 

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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