Dragon Ball Z: Buyuu Retsuden (Sega Mega Drive)

Dragon Ball ZA série Dragon Ball fez um sucesso estrondoso em Portugal durante os anos 90. Tanto nas crianças, como nos pais e professores, não faltava gente a ver as aventuras de Son Goku e companhia. Com as consolas da Nintendo (Famicom e Super Famicom) a ter um sucesso tremendo no Japão, muitos foram os jogos lançados para essas plataformas sobre a série de animação de Akira Toryiama. Infelizmente a Mega Drive não partilhava do mesmo sucesso em terras nipónicas, com este Buyuu Retsuden a ser o único jogo da série com um lançamento para a consola 16bit da Sega, que inclusivamente apenas acabou por receber uma versão em Francês mais tarde. Mas como em Portugal o sucesso do anime era tanto, a Ecofilmes, distribuidor da Sega em Portugal, quiseram capitalizar nesse sucesso e não esperaram que a versão europeia ficasse pronta. Assim sendo, inicialmente foi lançado cá o jogo na sua versão japonesa, porém com capa e manual em português, bem como o adaptador Mega Key para que as nossas Mega Drives pudessem correr o jogo. Posteriormente acabou por sair cá a versão francesa também, sendo que essa já não necessita do conversor. A minha cópia do jogo foi-me vendida por um particular, custando-me 5€ e, mesmo não tendo o manual nem o conversor, achei um bom negócio.

Dragon Ball Z - Sega Mega Drive

Jogo com caixa

A jogabilidade deste jogo é semelhante aos DBZ Super Butoden da SNES, na medida em que os combates têm lugar em grandes arenas, com os ecrãs a ficarem em split screen vertical se os lutadores se afastarem entre si. Para além disso, é possível lutar em dois planos distintos, tanto no chão como no ar. Assim sendo este tipo de jogos eram bem diferentes dos habituais Street Fighter II clones que se via muito nessa época. O jogo tem 11 lutadores, que compreendem o período entre os confrontos em Namek e até ao Perfect Cell, com os habituais sayajins Goku, Gohan, Vegeta e Trunks, com outras personagens como Piccolo, Krillin ou do lado dos maus da fita temos a C-18 (sim ela depois muda de “partido”), Cell, Freezer e 2 dos seus soldados de elite. Ao jogar no modo história, o percurso é diferente de personagem para personagem, que luta apenas contra 8 dos outros lutadores disponíveis. O jogo tenta adaptar estes cenários à história do anime, mas acabamos sempre por ter alguns combates impossíveis como Trunks contra Ginyuh em Namek.

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Sempre achei piada a estes amiguinhos do Freezer

Para além do modo história temos também o versus em que podemos configurar para ser um jogador contra o outro, um jogador contra o CPU, ou deixar tudo com o CPU e simplesmente ficar a apreciar as lutas sentados no sofá. De resto os controlos são simples, embora para masterizar o jogo acabem por ser mais complexos. Botão direccional para mover para a esquerda ou direita e saltar, um botão facial para socos, outro para pontapés e um outro para voar/aterrar. Para além disso cada lutador tem a sua série de diferentes combinações para combos e ataques de energia. Podemos ver logo que existem 2 barras, uma de vida e uma de “power” ou “ki”. Cada ataque de energia descarrega parte desta barra e se baixarmos um pouco abaixo do nível vermelho ao realizar um destes ataques, ficamos depois tontos durante uns segundos até restabelecer esse nível de energia perdida, ficando assim vulnerável aos ataques do adversário. Para encher essa barra de energia basta carregar no A e B ao mesmo tempo, e vemos a nossa personagem envolta numa aura amarela, mesmo como no anime. Alguns destes ataques mais fortes, como o Kamehameha, precisam de muita energia e que ambos os lutadores estejam suficientemente distanciados entre si. Mas mesmo esses golpes mais poderosos podem ser defendidos, ou até mandados de volta para quem os lançou, daí ser perigoso lançar um ataque desses se não tivermos energia “ki” suficiente e fiquemos temporariamente tontos.

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Para carregar a barra de power temos de fazer o mesmo que o Vegeta está a fazer

Tecnicamente falando é um jogo que tem algumas nuances impressionantes para a Mega Drive, nomeadamente a rotação do split screen em alguns momentos, algo que a Mega Drive não faz nativamente por hardware. As personagens estão também bem detalhadas, mas infelizmente não posso dizer o mesmo das arenas que tirando uma em Namek que gosto bastante, as restantes não são lá muito inspiradas. Mas tendo em conta o tamanho das mesmas (até existe um radar na parte superior do ecrã para nos localizarmos), e os feitos que fizeram com estes split screens dinâmicos – verticais, horizontais ou diagonais com rotação, all is forgiven. Outras pequenas coisas que sempre me irritaram como o Kamehameha ser amarelo ao invés de branco/azulado como no anime, ou mesmo a pouca variedade de ataques do mesmo género também são algumas imperfeições. A música e efeitos sonoros cumprem bem o seu papel e as vozes parecem-me mesmo assemelhar-se às vozes do anime original em japonês, mas já vai muito tempo desde que o vi.

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O split screen dinâmico foi das melhores coisas que a Bandai meteu neste jogo

Se são fãs de Dragon Ball, têm uma Mega Drive e são portugueses, então muito provavelmente já terão este jogo. Para os restantes é um jogo que recomendo, embora as suas mecânicas de jogo sejam muito diferentes de outros jogos de luta da época. Confesso que depois do Dragon Ball Final Bout para a PS1 eu desliguei-me um pouco dos jogos da série, sei que hoje em dia temos jogos bem melhores, mas guardo este e o da Saturn num lugar especial do meu coração.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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