Ghost Trick (Nintendo DS)

Ghost TrickGhost Trick é dos últimos grandes jogos que a Nintendo DS recebeu, já no início de 2011 por estas bandas. É um jogo de puzzle/aventura desenvolvido pela Capcom e possui um conceito bastante original e acima de tudo, muito bem executado. Já vi o Ghost Trick em promoção por várias vezes em diversas lojas em Portugal, mas foi só na última vez que o vi em promo, nas FNACs algures durante o ano passado que consegui arranjar a minha cópia. Custou-me 5€ e foi comprado na FNAC do Norte Shopping, se a memória não me falha.

Ghost Trick - Nintendo DS

Jogo completo com caixa, manual e papelada

Este jogo começa com um homicídio. Aliás, dois. Acordamos como um espírito numa sucata sem quaisquer memórias do que se tenha passado, ao lado do cadáver de um tipo com o cabelo loiro pontiagudo todo fancy. Como espírito assistimos também ao homicídio de uma jovem ruiva por parte de um assassino contratado. Sem saber o que se passa somos contactados por Ray, um espírito que possui um velho candeeiro de escritório e nos conta que tal como a ruiva fomos assassinados naquela noite e, por algum motivo temos a habilidade de desempenhar uma série de “ghost tricks”, podendo viajar 4 minutos atrás no tempo da morte de alguém e depois manipular uma série de objectos de forma a tentar mudar-lhe o destino. E é isso que fazemos, descobrindo depois que esse assassinato era apenas a ponta de um icebergue repleto de conspirações, personagens enigmáticas e marcantes.

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Conheçam Sissel, o protagonista deste jogo que permanece misterioso até ao fim

Os puzzles assentam essencialmente em realizar estes ghost tricks, onde podemos alternar entre o plano da realidade e o plano dos espíritos. Neste último o tempo está parado e é aqui onde podemos viajar de objecto em objecto que esteja dentro de um determinado raio, podendo interagir com eles, desde coisas simples como abrir um guarda-chuva ou ligar uma luz, bem como podemos “possuir” o cadáver das vítimas recentes, onde poderemos falar com o seu espírito e descobrir como morreram, para depois as salvar. E esses puzzles são muito bem elaborados, onde a interacção com os objectos é crucial não só para evitar uma morte, mas também para nos levarem de um lado a outro do cenário em situações que de outra forma não seria possível. Mas como Sissel apenas pode possuir objectos que lhe estejam perto do seu espírito (sim, o nome da personagem principal é Sissel), a Capcom arranjou uma maneira inteligente de transportar o jogador entre cenários completamente distintos: o telefone. Sempre que vemos o telefone a tocar, em qualquer situação teremos de fazer todos os possíveis de possuir o telefone assim que possível. Para além de escutarmos a conversa entre os vários intervenientes, fica também estabelecida uma ligação que nos pode transportar directamente para o outro lado da linha.

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No plano dos espíritos, o tempo permanece estático e os objectos que podemos possuir ganham este relevo azul. As pessoas/cadáveres têm o relevo alaranjado.

Os primeiros puzzles vão sendo relativamente simples até porque teremos Ray a nos dar dicas de como prosseguir, mas à medida em que as coisas vão avançando esses puzzles começam a ficar bastante complexos, e o caminho a seguir nem sempre é óbvio, ou lógico. Existem situações em que à medida que vamos tentando prevenir uma morte descobrimos outra e depois lá teremos de arranjar maneira de prevenir ambas… e por vezes alguns puzzles apenas podem ser resolvidos nos últimos segundos! Mais lá para a frente poderemos também contar com a ajuda de um outro espírito e utilizar novos truques na jogabilidade. Este espírito para além de ter um raio de acção maior, ou seja, consegue mover-se entre objectos mais distanciados entre si, tem a habilidade peculiar de trocar objectos com a mesma forma. Por exemplo, se alguém estiver prestes a ser esmagado por uma rocha esférica, podemos trocar a rocha por uma bola inofensiva que esteja lá próximo.

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Sempre que desejarmos podemos reler as informações que temos sobre algumas personagens e locais.

E Ghost Trick tem uma grande variedade de cenários e personagens. Desde casas fancies, restaurantes, uma prisão de alta segurança mas com prisioneiros altamente improváveis, uma esquadra de polícia ou outros que não quero “spoilar”, Ghost Trick apresenta uma variedade muito agradável de ambientes e de personagens com carismas muito peculiares. O Inspector Canabella e a sua maneira estranha de ser, os prisioneiros e os próprios guardas prisionais que têm todos um parafuso a menos, o sempre leal mas doido cão Missile, enfim, o jogo está repleto de bons momentos. Mas a acompanhar estas personagens carismáticas estão os bons gráficos que nos são presenteados. Para os padrões de uma Nintendo DS e a sua baixa resolução, estes são provavelmente os gráficos 2D mais refinados existentes na consola. Para além dos cenários bastante detalhados e coloridos, as sprites das personagens são bem grandes e acima de tudo possuem uma animação tão fluída que é impossível não chamar à atenção. Infelizmente não existe qualquer voice-acting, com as emoções a serem representadas por efeitos sonoros, mas as músicas estão boas e adaptam-se bem à diferentes atmosferas que o jogo vai proporcionando.

No fim de contas acho este Ghost Trick um excelente jogo para a Nintendo DS. Penso que haja espaço para uma sequela e a Nintendo 3DS seria uma excelente plataforma para a receber. A jogabilidade e os puzzles são bastante originais e o jogo tem uma direcção artística que me agrada bastante, assim como a história que apesar de ir dando grandes voltas e reviravoltas parece-me estar muito bem pensada. O mesmo pode ser dito dos gráficos e repito-me: parecem-me mesmo serem os melhores gráficos em 2D que já vi a Nintendo DS a fazer.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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