The Basement Collection (PC)

Vamos lá voltar às análises aos indie, e desta vez trago aqui uma interessante compilação de vários destes jogos. The Basement Collection é uma colectânea de trabalhos mais antigos de Edmund McMillen, uma das mentes por detrás do fantástico Super Meat Boy, e que contribuiu com artwork para muitos outros jogos indie, como o The Binding of Isaac. Esta compilação entrou na minha colecção steam já no ano passado se a memória não me falha, tendo sido adquirida num dos muitos bons humble bundles que nos foram sendo apresentados.

The Basement Collection - PCInicialmente dispomos de sete jogos para jogar, todos eles baseados em flash, já tendo sido lançados anteriormente em sites como o Newgrounds, no entanto incluem vários extras como níveis adicionais ou editores de níveis. Desses jogos temos o Aether, um dos jogos com uma mensagem mais pessoal. A personagem principal é um rapaz que tem de crescer, para isso viaja pelo espaço até outros planetas, onde descobre outras pessoas deprimidas com a vida, por variadas razões. Ao resolver os puzzles nesses planetas as suas “dúvidas existenciais” também vão desvanescendo. O Time Fcuk é provavelmente o jogo que mais gostei da compilação e é um puzzler bem desafiante. É um jogo que tanto faz lembrar o Portal como a jogabilidade trial-and-error de um Meat Boy. Basicamente temos de encontrar a saída de cada nível, e para isso temos de ir alternando entre vários “planos de existência”. Pensem no jogo como se fosse passado em várias camadas de papel e temos de alternar entre elas, evitando obstáculos e manipulando também a gravidade. O Spewer foi um jogo que eu não me consegui mesmo habituar. Nele controlamos uma estranha criatura ao longo de vários níveis de platforming, mas ao invés de saltar, temos de usar um mega-vómito como sistema de propulsão. Temos é uma reserva limitada de vómito, e muitas vezes temos de voltar a ingerir o que mandamos boca fora para os saltos seguintes. Yac.

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Time Fcuk é dos jogos mais mindfuck que já joguei

Grey Matter é outro jogo bem estranho. É uma espécie de shooter, onde não atiramos nos inimigos. Temos no entanto de os “atropelar”, evitando ser atingido pelos tiros deles. No entanto, ao destruirmos um inimigo, forma-se uma linha até ao próximo inimigo que destruímos e por aí em diante até formar um triângulo. Nessa altura, tudo o que estiver dentro do triângulo é também destruído e podemos recomeçar o processo. O Meat Boy dispensa quaisquer apresentações e pode ser visto como um protótipo ao Super Meat Boy lançado mais tarde. Coil é outro jogo bem bizarro, sendo uma história interactiva com controlos que vão variando à medida em que vamos progredindo no jogo. É mais um jogo abstracto em que me parece que vamos assistindo ao percurso de uma vida, supostamente conta a origem do Dr. Fetus, o vilão do Super Meat Boy. É um jogo engraçado na medida em que vamos estando completamente perdidos do que temos de fazer em cada fase do jogo, mas assim que descobrimos o que é pretendido, então tudo faz sentido. Por fim temos o Triachnid, mais um jogo fora do comum onde controlamos individualmente as 3 patas de uma aranha e temos de a guiar ao longo dos vários desafios.

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Spewer é um jogo bem desafiante. Eu pelo menos não consegui atinar com ele.

Para além dos jogos temos imensos extras, alguns já vêm desbloqueados de início, outros teremos de os desbloquear chegando ao final dos jogos. Nesses extras temos muitos sketches, artwork, vídeos, fotos, protótipos, entrevistas ao Edmund McMillen e trechos que não chegaram a sair no filme Indie Game: The Movie. Outras coisas como uma banda sonora, comic books, ou mesmo o mini-jogo Abusive Video Game Manipulation, que é desbloqueado ao chegar ao final de Coil. Como se ainda não bastasse, escondidos nas pastas do Steam estão outros jogos bem mais antigos, que sinceramente não cheguei a experimentar: Clubby the Seal, Dumpling e os  Weltling 1 e 2. Como podemos ver, existe imenso conteúdo a desbloquear, mas visto a natureza “hardcore” de muitos jogos, como o Meat Boy ou o Spewer, não será tarefa fácil.

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Exemplo de artwork que podemos ver e/ou desbloquear

Graficamente todos estes jogos (tirando o Meat Boy e o Time Fcuk com o seu look bem mais retro) têm o aspecto típico de jogos flash da velha guarda. E para quem gosta do artwork bizarro de Edmund certamente irá gostar dos visuais apresentados em todos os jogos. As músicas são também muito variadas, sendo completamente diferentes entre si consoante o jogo em questão.

Acho que este The Basement Collection vale precisamente pela oportunidade que nos dá ao explorar a mente de uma das pessoas mais criativas da cena indie. Todos os jogos são completamente distintos entre si, e tanto temos as coisas da “Nintendo hard way of living“, como podemos ver videojogos, ou conceitos de videojogos bem mais abstractos e artísticos, o que a meu ver ilustram perfeitamente as 2 vertentes que mais me interessam na cultura indie gaming.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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