The Revenge of Shinobi (Sega Mega Drive)

The Revenge of ShinobiA série Shinobi da Sega sempre foi daquelas cujos jogos separavam os meninos dos homens. Chegar ao fim de um jogo da série fazia-nos logo crescer barba e cabelo no peito e este Revenge of Shinobi para a Mega Drive não foge à regra. Lançado originalmente para a Mega Drive e depois nas arcades para o sistema Mega-Tech (essencialmente uma Mega Drive na mesma), este é ainda um dos jogos de primeira geração desta consola e que apesar de ter saído em inúmeras compilações que vinham inclusivamente em bundles com a consola, é um jogo que eu sempre fiz questão em ter a sua versão standalone. E felizmente isso veio a acontecer numa incursão que fiz à feira da Vandoma no Porto no mês passado, onde o consegui comprar num bundle ficando-me por pouco mais de 3€.

The Revenge of Shinobi - Sega Mega Drive

Jogo com caixa e manual pt.

Este é uma sequela directa do primeiro Shinobi que também possuo para a Master System e figura mais uma vez o melhor ninja do clã Oboro, Joe Musashi. Após Musashi (porque Joe não tem piada nenhuma) ter derrotado o grupo mafioso de Zeed no primeiro jogo, este reforma-se como Neo-Zeed e a sua primeira acção foi mesmo vingar-se do clã Oboro, assassinando o mestre de Musashi e raptando a sua namorada Naoko. Ao longo do jogo Musashi irá atravessar meio mundo até finalmente chegar à fortaleza de Zeed e fazer o que lhe compete: dar um infesto de porrada em Zeed mais uma vez.

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O fantástico ecrã título. Genesis does what Nintendon’t.

A jogabilidade é simples, um botão para saltar, outro para atacar e um outro para utilizar as magias ninjutsu, que já detalharei mais à frente. Os ataques tanto podem ser melee, se estivermos ao lado do inimigo, como podem ser de longo alcance através das shurikens que podemos apanhar ao longo dos níveis. Existe um cheat code que nos deixa com shurikens infinitas, código esse que me acompanhou em toda a infância e mesmo assim as coisas não eram fáceis. Para além do salto normal, podemos também dar um duplo salto com uma cambalhota no ar, que para além de nos permitir alcançar locais mais altos, podemos também disparar um molho de shurikens em várias direcções, um golpe bastante útil. Existem também níveis com 2 planos distintos, como o nível da base militar, onde temos inimigos no background e foreground, e é com esse duplo salto que alternamos de plano. Ao longo dos níveis podemos encontrar diversos caixotes que podem ter vários powerups, ou então estão armadilhados com bombas. Dos powerups, para além de mais shurikens, items que regeneram a nossa barra de vida ou mesmo vidas extra, temos powerups para armas, ou para as magias. Os primeiros tornam as nossas shurikens envoltas em fogo, capazes de dar duas vezes o dano das normais e equipam Musashi de uma espada também poderosa para close encounters. Mas como isto é um Shinobi, basta levar com um ponto de dano que perdemos esse bónus.

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Ao dar um duplo salto podemos disparar shurikens por uma vasta área

O segundo deixa-nos utilizar mais uma magia no nível em questão. Existem 5 magias distintas, que podemos escolher qual queremos equipar no menu de pausa. Podemos utilizá-las em qualquer altura do nível, mas apenas o podemos fazer uma vez. A menos claro, que apanhemos esse powerup. Os Jitsus mágicos podem então ser o Ikazuchi, um escudo eléctrico que nos protege de 4 golpes; Karyu, onde Musashi invoca 4 dragões de fogo que dão dano a todos os inimigos no ecrã; Fushin, onde Musashi ganha uma maior destreza física, capaz de saltar ainda mais e por fim Mijin, mais uma magia que dá dano a todos os inimigos no ecrã, mas a troco da vida de Musashi. No entanto, apesar de ser um ataque suicida, restabelece a barra de vida e deixa-nos utilizar uma outra magia mais uma vez.

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Um dos jitsus que podemos invocar, este dá dano a todos os inimigos no ecrã.

O jogo está dividido em 8 zonas, todas elas distintas visualmente entre si e divididas em 2 níveis de plataforma e um boss. Começamos o jogo em ruínas japonesas, lutando contra outros ninjas e guerreiros com armaduras samurai, e vamos atravessando cidades, bases militares e industriais, incluindo alguns níveis fora-de-série, como lutar em cima de um comboio, ou sobre um veículo que transporta mísseis intercontinentais. O último nível então é uma fortaleza labiríntica, onde existem imensas portas que o mais certo é não levarem a lado nenhum de interesse, levando-nos assim muito tempo até encontrar a saída. Mas para “piorar” as coisas, não fosse este um Shinobi, é practicamente obrigatório chegar ao boss final com um poder mágico extra e com o power-up que dê mais dano. Isto porque mal começamos a enfrentar Zeed, vemos Naoko aprisionada em background e Zeed solta uma armadilha em que o tecto da sua cela começa a descer lentamente. Sendo assim o jogo deixa-nos com 2 finais distintos: derrotar Zeed e Naoko morrer, ou derrotar Zeed a tempo e salvar Naoko. Por isso é que ter 2 poderes mágicos e/ou o powerup de dar mais dano é practicamente obrigatório. Não podia também deixar de referir outros bosses como o Hulk, Spiderman, Batman ou Godzilla. Inicialmente a Sega utilizou estas sprites (ou parecidas) sem autorização dos seus autores, pelo que existem em circulação diversas versões deste jogo, com sprites diferentes consoante as licenças na altura. Infelizmente não tenho a minha Mega Drive comigo em Lisboa, pelo que confesso que não sei qual das versões do jogo eu possuo.

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Exemplo de um dos níveis em que podemos alternar entre 2 planos de acção distintos

Visualmente, apesar de ser um jogo de primeira geração da Mega Drive, não deixou de impressionar bastante na altura e mesmo nos dias de hoje porta-se bem. Ver aquela “cutscene” inicial do Musashi a defender-se com a espada de um monte de shurikens em grande plano sempre me impressionou quando era miúdo e mesmo hoje em dia continua-me a agradar. É verdade que outros jogos da Mega Drive, como por exemplo o excelente Shinobi III são melhores graficamente, mas este é bem competente, especialmente tendo em conta o facto de ser um jogo de primeira geração. Sprites grandes e detalhadas, níveis bem desenhados, não tenho razões de queixa. As músicas essas são autoria do grande senhor Yuzo Koshiro, que quem estiver por dentro do que ele faz, já sabe o que esperar. Músicas bem catchy, e sendo este um jogo de ninjas têm também um toquezinho oriental.

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O Godzilla foi um dos bosses “polémicos”, por questões de copyright. Existem versões que trocam esta sprite por um esqueleto

No fim de contas, The Revenge of Shinobi é um excelente jogo. Não é por acaso que fez parte de imensos bundles e compilações até na própria Mega Drive. É um jogo bonito, com excelentes músicas e com uma jogabilidade simples, mas com uma dificuldade elevada. É jogo para separar os meninos dos homens, como sempre foram os jogos desta série. Joe Musashi, temos saudades tuas.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Mega Drive, SEGA. ligação permanente.

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