The Bouncer (Sony Playstation 2)

The BouncerA Squaresoft desde que lançou o Final Fantasy para  a NES, que se tem focado maioritariamente nos JRPGs, tendo um ou outro lançamento mais esporádico noutros subgéneros. E dentro dos jogos de primeira geração da Playstation 2 estava precisamente  um destes exemplos em que a Square saiu da sua zona de conforto, com este The Bouncer que é um beat ‘em up em 3D, mas com alguns ligeiros elementos de RPG também. No entanto o jogo é curtinho e simples, pelo que não esperem um artigo particularmente longo. A minha cópia deste jogo entrou na minha colecção após ter sido comprada no ano passado na feira da Ladra em Lisboa por 5€.

The Bouncer - Sony Playstation 2

Jogo completo com caixa e manual

A história começa por ser bastante simples. Sion, Volt e Kou são “bouncers” no bar Fate da menina Dominique. O jogo decorre no futuro de uma cidade fictícia chamada Edge, onde a Shinra errr, Mikado, era uma grande empresa tecnológica e se preparava para desenvolver uma espécie de satélite que convertia a energia solar em energia eléctrica para ser utilizada na Terra. A certa altura o bar é tomado de assalto por tropas especiais dos Mikado que raptam Dominique. Esta trama de alguém ir salvar a donzela em perigo já foi vista vezes sem conta, mas ao longo do jogo lá vamos aprendendo que o motivo desse rapto tem por detrás planos conspiratórios da Shinra (lá estou eu outra vez) lá do sítio, e o background histórico por detrás de cada personagem também vai sendo descoberto.

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Tanto lutamos contra oponentes humanos, como contra robots ou cyborgs

Existem vários modos de jogo. O modo história coloca-nos em vários combates ao longo de diversos locais à medida em que a história se vai desenrolando. No início de cada nível, podemos escolher com qual protagonista queremos jogar. A história vai tendo assim algumas pequenas variações, excepto num ou noutro nível em que as coisas se tornam realmente diferentes, sendo assim necessário jogar pelo menos 3 vezes o jogo para ver todas essas variações no jogo. Acima disse que o jogo incorporava conceitos simples de RPGs, e isso acontece porque cada vez que derrotamos um inimigo, seja um boss ou o soldado raso somos recompensados com alguns pontos de experiência. Esses pontos podem depois ser trocados no final de cada nível, onde podemos, para a personagem com quem jogamos o tal nível, aumentar as suas stats de saúde, defesa e ataque, ou mesmo aprender novos golpes especiais. Para ter todas as personagens maxed out, teremos de jogar o jogo várias vezes, para isso podemos começar um Extra Game, onde herdamos a experiência de cada personagem de jogos anteriores.

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Antes de cada combate no modo história, podemos escolher qual a personagem com quem jogar.

Os controlos são simples. Um joystick para movimentar, os quatro botões faciais para golpes, um botão de cabeceira para defender, outro para “activar” os golpes especiais que adquirimos com os pontos de experiência, e por fim um outro botão para activar os Trinity Rush, ataques todos bonitinhos que usam as 3 personagens em jogo, mas não são tão úteis assim. Ainda assim, apesar de os controlos serem simples, devo dizer que a movimentação é bastante lenta e os golpes também não têm o “ouch factor” de outros jogos do género, como o Dynamite Cop da rival Dreamcast, por exemplo. Mas pior é mesmo a inteligência artificial, tanto dos inimigos que são bem burrinhos, como dos nossos colegas de equipa. O sistema de pontos de experiência podia ser melhor pensado, isto porque apenas ganhamos os pontos se formos nós a dar o golpe final no inimigo em questão. Ora isto aliado a uma IA não muito inteligente quer dizer que os outros 2 lutadores controlados pelo CPU vão-nos roubar muitos desses pontos. Depois ainda temos o problema do fluxo do jogo. Cutscenes – selecção de personagens – uma batalha. Passamos bem mais tempo a ver cutscenes do que propriamente em combate, que nunca são com tantos inimigos assim. Depois se morrermos, temos novamente de passar pelo ecrã de título, fazer load game, assistir à última cutscene, seleccionar a personagem e por fim voltar a jogar. Deveriam ter pensado isto melhor.

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Ao longo da história principal podemos ir desbloqueando outras personagens a utilizar noutros modos de jogo

Para além do modo história temos também outros modos de jogo, incluindo o já habitual survival. Este também é um modo de jogo single-player e coloca-nos ao longo de uma série interminável de combates até que finalmente padecemos. Os outros 2  modos de jogo são mais focados no multiplayer em que um deles poderá ir até 4 jogadores, se tivermos um multi-tap. Esse é o modo Battle Royale, onde temos 4 contra 4 e quem sobreviver ganha. O outro modo de jogo, Team Battle, dá apenas para 2 jogadores, em que cada jogador faz uma equipa com outras 2 personagens controladas pelo computador e lançam-se também para a porrada.

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Como é típico da Square, as cutscenes têm uma óptima qualidade visual

Graficamente é um jogo bonitinho, se tivermos em conta que é um jogo da primeira geração da consola. Os cenários estão bem detalhados, embora não tenham texturas nada por aí além, mas as personagens estão bem detalhadas, tanto em polígonos como em texturas. Quem for fã dos Final Fantasy desde a era PS1, certamente irá gostar dos visuais deste The Bouncer. E sendo um jogo da Square, tem cutscenes com um excelente detalhe para a época. As músicas são também boas, sendo bastante variadas a nível de géneros. Tanto é possível ouvir hard-rock cheio de guitarradas como eu bem gosto, como outras melodias mais calminhas. O voice acting é competente e este é daqueles jogos que tem algo que eu dou muito valor. A oportunidade de ouvir o voice acting em inglês, ou o original japonês.

Posto isto, The Bouncer é jogo que para mim, como beat ‘em up é fraquinho. As movimentações foleiras, a má inteligência artificial, o facto de não existir suporte a 2 jogadores no modo história ou acima de tudo, existirem batalhas contra 3 ou 4 inimigos e depois levamos com 5 minutos de cutscenes, tiram muito do potencial que este jogo poderia vir a ter. Ainda assim, para quem for fã da Squaresoft, poderá encontrar algo que lhe interesse, pois todo o carisma do jogo faz lembrar os Final Fantasy da era moderna.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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