The Walking Dead GOTY (Sony Playstation 3)

The Walking DeadMeus senhores, estamos aqui perante aquele jogo que muito possivelmente é o melhor jogo de aventura deste milénio. Não estou a exagerar, tirando alguns problemas com os controlos, este The Walking Dead pela Telltale Games apresenta uma narrativa excelente, com bastante peso emocional e aqueles que serão sem dúvida os Quick Time Events melhor executados até à data. A minha cópia chegou-me às mãos no início deste ano, tendo sido comprada na secção de usados da Worten do Arrábidashopping, custava inicialmente 20€, mas após ter usado um vale de desconto que tinha ficou-me por 12€. Estava com algum receio que não viesse com o DLC 400 Days em disco e que porventura pudesse ter sido utilizado com o primeiro dono do jogo, mas felizmente estava tudo ok. Sendo assim na altura não me pareceu um mau negócio e não me arrependo nada da compra.

The Walking Dead GOTY - Sony Playstation 3

Jogo completo com caixa, manual e papelada

Confesso que nunca cheguei a ler a comic original por onde a conhecida série televisiva se baseia, pelo que irei ter sempre por base de comparação a série de TV e não a comic. Sendo assim, este jogo decorre nos EUA, onde uma enorme praga zombie assolou toda a população. Mas ao contrário da série televisiva, os protagonistas aqui são completamente diferentes, embora algumas personagens como Hershel ou Glenn fazem uma breve aparição. Nós controlamos Lee Everett, um professor condenado à prisão por assassinar o amante da sua mulher. O dia em que estava a ser transportado por um polícia para o levar à prisão coincidiu com o dia em que a pandemia estourou pela Georgia. Como não poderia deixar de ser, há um acidente com o carro, o polícia não sobreviveu e Lee consegue escapar, não deixando de ter um primeiro encontro imediato com o zombie do polícia. Ferido, procura abrigo numa casa próxima, onde se encontra com uma menina que estava a aguardar que os pais chegassem de férias. Mais conflitos com zombies e Lee resolve tomar conta da criança (Clementine), encontram alguns sobreviventes imediações daquele bairro e juntam-se a um grupo de sobreviventes.

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Nas fases de acção, quando corremos risco de vida o ecrã começa a ficar vermelho.

A aventura fica assim lançada, muito mais poderia dizer mas não quero mesmo estragar a experiência a quem ainda não jogou. Basicamente ao contrário dos point and clicks tradicionais o foco do jogo não está nos puzzles, que aqui existem, mas num tom muito mais ligeiro. O grande trunfo do jogo está no desenvolvimento do carácter das personagens, das relações que elas vão tendo connosco, com os outros e do destino que lhes escolhemos. A história está construída de tal forma que nos vamos afeiçoando a várias personagens e a certo ponto somos confrontados com difíceis escolhas, onde temos de favorecer uma pessoa em detrimento de outra, ou mesmo escolher quem deveremos salvar numa situação de pânico. Os diálogos que vamos tendo também têm influência na relação das personagens connosco. Temos sempre umas 4 hipóteses de resposta, e precisamos de responder durante um certo tempo. Caso deixemos esse tempo expirar, o jogo assume que preferimos ficar calados e isso poderá ter influência negativa na relação com essa personagem em questão. O mesmo se passa noutras decisões mais críticas, como por exemplo se salvamos uma pessoa ou outra. Se deixarmos o tempo expirar ou é game over ou outras personagens tomam a iniciativa por nós, deixando-nos mal vistos perante o restante grupo.

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Exemplo de um diálogo e várias hipoteses de escolha. Screenshot da versão Xbox porque por estranho que pareça não consegui encontrar nada de jeito para a PS3.

O facto de não podermos agradar a toda a gente devido às decisões difíceis que nos vão sendo colocadas vão contribuindo para um mau estar dentro do grupo que mais tarde ou mais cedo acabará por gerar outros conflitos, devido aos temperamentos muito diferentes de cada um. Mas voltando às restantes mecânicas de jogo, quando não estamos a falar com alguém, existem 2 ambientes distintos. O de exploração e os eventos de pânico. Nos primeiros o jogo comporta-se como se um point and click tradicional se tratasse, onde podemos interagir com diversos objectos ou iniciar conversas com outras pessoas. Os puzzles aqui são muito simples, consistindo essencialmente em procurar ferramentas ou outros objectos para resolver algum problema em específico. Os eventos de pânico acontecem quando somos atacados por zombies ou mesmo outros humanos. Aqui tanto podem ser Quick Time Events muito bem pensados, como outros segmentos mais de acção.

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Em alguns momentos de pânico o cursor torna-se vermelho, geralmente temos de agir rápido

Nos primeiros, os QTEs tanto podem ser mais tradicionais, como pressionar várias vezes num botão para fechar uma porta cheia de zombies do outro lado, por exemplo, ou bem mais dinâmicos. Nesses mais dinâmicos temos de mover o cursor para um certo ponto e carregar no X para desempenhar uma acção, enquanto nalguns casos também nos podemos ir movendo com o direccional. Um exemplo: Um zombie vindo do nada deita-nos ao chão. Atordoados, temos de fugir, utilizando para isso o botão direccional e também temos de nos defender dos ataques dos zombies, levando o cursor para um ponto de acção, geralmente a sua cabeça ou braços e ao carregar no botão respectivo o Lee vai lhe dar um pontapé, ou um tiro ou whatever. Os segmentos com mais acção também vão utilizando estas mecânicas. Temos alguma liberdade de nos mover, inclusivamente entre covers, e com o cursor vamos desempenhando algumas acções, seja interagir com objectos ou disparar em primeira pessoa em zombies ou outros humanos. No geral achei estas sequências bem feitas e mesmo estes QTEs que não envolvem button mashing à maluco não deixam de ser QTEs, pois na maior parte do tempo temos mesmo de nos despachar.

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No final de cada episódio é nos dado um resumo das acções mais importante que tomamos e compara com o que o resto dos jogadores optaram. Imagem editada por razões óbvias.

Graficamente é um jogo que tenta replicar o feeling das comics, apresentando uns visuais algo semelhantes ao cel-shading, mas que não deixa de ser muito bem detalhado. As expressões faciais estão óptimas e ajudam sem dúvida nenhuma a colocar um peso psicológico ainda maior em toda a aventura. Os zombies é que têm um aspecto mais cartoonesco que não gostei muito. No entanto o jogo tem momentos de gore quanto baste, em especial quando temos de decepar alguma coisa. As músicas vão sendo bem colocadas e bem variadas, tal como se da série televisiva se tratasse. No entanto é mesmo o voice acting que está soberbo neste jogo. Aliás, toda a história está muito bem escrita e vão aparecer vários plot twists bem inesperados ao longo do jogo. E quem dá a voz às personagens safam-se realmente muito bem. O único senão é alguma quebra de framerate que se nota na passagem de algumas cenas, suponho que sejam loadings.

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O DLC 400 Days leva-nos a visitar o background de 5 personagens distintas que nada têm a ver com o primeiro jogo.

The Walking Dead, o videojogo, é daqueles produtos em que o jogo ultrapassa por completo a obra cinematográfica/televisiva (mais uma vez relembro que não estou de todo familiarizado com a comic original). É certo que muitas destas decisões difíceis nós as vemos na série, sendo tomadas pelo Rick ou seus companheiros. Mas não sei se será pela história e representação deste jogo estar tão bem feita, ou pelo facto de sermos nós a ter de tomar as decisões, para mim este jogo é muito mais envolvente, e essas decisões por vezes deixam-nos a sentir completamente miseráveis. Adorei. Para além da Season 1, esta versão GOTY traz um DLC – 400 Days. Esse DLC parece-me ser um prelúdio à sequela, onde vamos jogando pequenos capítulos na vida de diferentes personagens que aparentemente figuram na Season 2. Apesar de a sequela já estar à venda, prefiro mais uma vez aguardar que saiam todos os episódios e eventuais DLCs para depois comprar um pack que inclua tudo de uma vez. Mas volto a salientar, este é um jogo obrigatório para todos os amantes de adventure games e não só.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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3 respostas a The Walking Dead GOTY (Sony Playstation 3)

  1. BlackwaterPark diz:

    Também achei o jogo excelente, consegue elevar-se acima da série e comics várias vezes.
    O problema com o stuttering nas mudanças de cena é algo recorrente nas consolas e no pc também mas menos, acontece também na season 2 e no wolf among us, os gajos devem estar a precisar de um update motor de jogo se calhar.

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