Resident Evil Operation Raccoon City (PC)

Resident Evil Operation Raccoon CityA série Resident Evil foi recebendo vários jogos ao longo da sua existência, muitos deles spinoffs da série principal, contando histórias alternativas ou utilizando diferentes mecânicas de jogo. Com a série principal a evoluir para uma vertente puramente de acção e os acontecimentos de Raccoon City cada vez num passado mais longínquo, eis que a Capcom apresenta este Operation Raccoon City, um shooter na terceira pessoa com grande foco no cooperativo, passando-se nada mais nada menos na cidade de Raccoon, when the shit hitted the fan, ou seja, nos acontecimentos de Resident Evil 2 e 3. O jogo entrou na minha colecção algures durante o ano passado, tendo sido comprado na Mediamarkt de Alfragide por 10€.

Resident Evil Operation Raccoon City - PC

Jogo completo com caixa, manual e papelada

Encarnamos num esquadrão de mercenários de elite ao serviço da Umbrella – a USS Delta Team, carinhosamente apelidada de Wolfpack, incumbida inicialmente com a missão de se infiltrar nos laboratórios de William Birkin, o autor do G-Virus introduzido no Resident Evil 2, obter as samples desse mesmo vírus e impedir que Birkin divulgue o T-Virus aos militares norte-americanos. Ao longo do jogo vamo-nos então cruzar-nos com várias personagens e locais que fizeram furor no Resident Evil 2 e 3, como William e Sherry Birkin, Leon, Claire, Ada, Hunk, Nicholai ou o infame Nemesis, que numa das missões teremos de o enfraquecer suficientemente para lhe injectar um parasita que devolve o seu controlo à Umbrella. Infelizmente a história apresenta alguns conflitos com a história da série principal, tornando este Operation Raccoon City em mais uma side-story o que é pena pois eu até acho que teria potencial para ser algo mais.

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Saber por onde temos de seguir é fácil, os indicadores vão aparecendo sempre no ecrã

Operation Raccoon City é então um shooter na terceira pessoa, onde podemos jogar com uma de 6 personagens com caracterísicas próprias numa esquadrão com 4 elementos. É sem dúvida um jogo mais pensado para se jogar cooperativamente, tal como Left 4 Dead, mas o seu resultado infelizmente não é o melhor, especialmente se quisermos jogar sozinhos, mas já lá vamos. As personagens consistem em 6 classes diferentes com habilidades passivas e activas que podemos evoluir com pontos de experiência ganhos à medida em que vamos jogando este Resident Evil. Bertha é a médica de serviço, capaz de carregar com mais Spray Kits, ou curar mais eficientemente os companheiros de equipa. Four eyes é a cientista do grupo, capaz de infectar e controlar inimigos com os vários virus da Umbrella ao seu dispor, Vector sendo a personagem mais stealth, capaz de se tornar invisível por algum período de tempo, Spectre é o espião de serviço, capaz de identificar items e inimigos num maior raio de visão e por fim temos Beltway, especialista em explosivos e Lupo, especialista em armas de assalto, líder do grupo e a minha personagem predilecta.

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Nos laboratórios da Umbrella temos sempre criaturas bonitinhas à nossa espera

Ao longo do jogo vamos tendo várias missões, cujo indicador do objectivo está sempre presente, pelo que avançar no jogo nunca traz dificuldade ao identificar o caminho a seguir, até porque os níveis são lineares e repletos de dead ends. Cada personagem pode carregar 2 armas, uma side-arm e uma arma principal, e ao longo do jogo vamos descobrindo sprays de primeiros socorros, sprays para curar infecções do T-Virus e uma série de diferentes granadas que podemos carregar num inventário naturalmente reduzido. Frequentemente temos de enfrentar enormes waves de inimigos, pelo que era bom que as mecânicas de jogo fossem boas. Sinceramente gostei bastante das personagens, desde as suas habilidades à própria estética dos seus uniformes e claro as suas personalidades, o que me deixa mesmo com pena de a jogabilidade ser mázinha. O jogo assenta muito nas mecânicas de cover, como muitos shooters modernos, mas infelizmente a sua execução não é a melhor. É frequente estarmos em cover quando não precisamos e o contrário. O balanceamento entre munições e o dano provocado nos inimigos é mau. Muitos inimigos são autênticas esponjas, precisando de muitas e muitas balas para finalmente serem derrotados. Se estivéssemos a falar de um boss ou algumas outras B.O.W da Umbrella então até seria compreensível, mas quando os lickers levam tanto tempo a morrer e as munições ficam algo escassas, algo não está bem. Isto para quem joga sozinho é ainda pior, pois a IA é incapaz de nos ressuscitar, para além de não ser lá muito inteligente no geral.

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Os zombies são as únicas criaturas que nos dão realmente a sensação de as nossas armas serem poderosas

Uma mecânica interessante é quando somos infectados pelo T-Virus, vamos perdendo vida gradualmente até nos curarmos com um spray apropriado para o efeito. Se não nos conseguirmos curar, morremos apenas para voltar à vida como zombie, inteiramente controlado pela IA, onde atacamos os nossos companheiros, forçando-lhes a que nos matem para depois nos ressuscitarem. O problema é que num jogo singple player eles não nos ressuscitam, lá teremos de recomeçar num checkpoint.

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Uma grande parte do jogo é também passada nas plenas ruas de Raccoon City, repletas de zombies

Para além do modo campanha, existem ainda outros modos de jogo mais competitivos. Duas variantes de team deathmatch – Team Attack, com uma equipa a jogar pelo Wolfpack e a outra pelo exército norte-americano, o Heroes, onde em cada equipa existirão algumas personagens “lendárias” mais poderosas (Hunk ou Leon, por exemplo), o Biohazard, uma variante de capture the flag, onde temos de encontrar várias amostras do G-Virus espalhadas aleatoriamente no mapa e trazê-las para a base e por fim o modo Survivor. Este modo é mais intenso, pois obriga às duas equipas lutarem freneticamente entre si de modo a garantir um lugar no limitadíssimo helicóptero de resgate.

Isto tudo para descrever genericamente o jogo, pois falando concretamente desta versão para PC, as coisas acabam por ser muito piores devido à fraquíssima conversão para PC. É um jogo muito mal optimizado, para além de utilizar o serviço Games for Windows Live, que já por si só não é muito bom devido aos bugs do mesmo. Mas é frequente que mesmo em bons PCs, o jogo apresente uma performance muito má, forçando o jogador a utilizar resoluções mais baixas para obter um framerate mais estável. Depois convém também dizer que foram muito preguiçosos ao converter toda a interface do jogo. Os menus foram pensados para quem utiliza um gamepad, e os próprios ícones que aparecem no jogo também. As teclas pré-definidas para muitas das acções são muito mal escolhidas, mas felizmente podem ser customizadas. Claro que quero com isto dizer que é dos poucos jogos para PC em que realmente aconselho a jogar com um gamepad, ou mesmo jogarem-no numa consola, se o jogo correr com problemas no vosso PC tal como no meu.

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Enfrentar várias waves de hunters tem sempre o seu nível de desafio

Posto isto, RE Operation Raccoon City é um jogo que na teoria poderia e deveria ser muito melhor do que o que realmente foi. O jogo tem algumas ideias muito boas, a campanha tem os seus bons momentos e gostei realmente da nossa equipa de mercenários. Mas as mecânicas de controlos, a fraca IA e algumas más decisões de design tornam o jogo bem medíocre, ainda para mais na versão PC com todos os seus problemas de performance, fruto de uma conversão apressada e preguiçosa. Ainda assim é daqueles jogos que por 10€ novo ainda dá para entreter, mas vou recomendando as versões para PS360 ao invés desta versão para PC. Esta versão corre no serviço Games For Windows Live que será descontinuado neste ano de 2014,tornando-o obsoleto e inútil para quem quiser jogar online. Até agora não existem notícias que a Capcom vai remover a componente GFWL do jogo e subsituí-la pela Steamworks como foi feito no Bioshock 2, por exemplo, mas não estou convencido que o façam. Existem ainda uma série de DLCs disponíveis, entre os quais uma outra campanha jogada pelos “bons da fita”, uma equipa das Spec Ops do exército norte-americano. Por muito interesse que venha a ter numa campanha dessas, recuso-me prontamente a dar mais dinheiro à Capcom que prefere lançar DLCs para o seu jogo em vez de corrigir os seus problemas de performance.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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