Still Life 2 (PC)

De volta às aventuras gráficas do PC com este Still Life 2, onde mais uma vez encarnamos na agente Victoria McPherson do FBI de forma a tentar parar mais um serial killer que está a assolar os norte-americanos. Mais um jogo produzido pela Microids, os mesmos de Dracula e Syberia, e tal como os seus predecessores Post Mortem e Still Life, este jogo tem uma temática mais matura e entrou na minha conta do steam por intermédio de algum bundle a um preço muito bom.

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O anterior Still-Life terminou num cliffhanger, sem se saber a identidade o assassino em série da altura, e este jogo inicialmente descarta completamente essa história, sendo passado 3 anos mais tarde, em 2008,  com um novo assassino em série à mistura. Ainda assim, através de flashbacks de Victoria vamos poder finalmente saber o desfecho do caso anterior. Mas passando de vez para este jogo, este tem mais uma vez duas personagens jogáveis. Este novo assassino em série, apelidado de East Coast Killer é um assassino mais mediático. Por um lado, tal como o anterior, apenas vitima mulheres, já por outro, envia cassetes das suas torturas e assassinatos quer para as autoridades quer para os meios de comunicação. E também tal como o jogo anterior, vamos alternando entre 2 personagens jogáveis, por um lado a “veterana” Victoria McPherson, por outro a jornalista Paloma Hernandez, que se encontrava a investigar o assassino, acabando por ser raptada por ele mesmo.

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O jogo começa com Victoria a analisar os ficheiros das primeiras vítimas

Grande parte do jogo é passada numa mansão abandonada utilizada pelo assassino de forma a torturar e matar as suas vítimas. Por um lado, enquanto Victoria, passamos a maior parte do tempo em trabalho de investigação forense – recolher impressões digitais, analisar manchas de sangue, tecidos, equipamentos electrónicos, entre outros – por outro lado quando jogamos com Paloma, como ela está aprisionada na mesma casa, o objectivo é consiste em sobreviver às armadilhas plantadas pelo assassino e tentar escapar com vida da mesma casa. Se a ideia de ter um assassino, uma vítima, e várias autoridades na mesma casa, ao mesmo tempo, a brincarem ao gato e rato ao longo das cerca de 10-12h de jogo possa parecer rebuscada, a verdade é que a casa é realmente grande, com várias divisões, um gigante abrigo subterrâneo e muitas dessas divisões estão grande parte do tempo trancadas. A história vai tendo imensos plot twists que vão dando fulgor ao jogo, bem como uma série de puzzles lógicos como já o existiram no primeiro jogo.

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Conseguiram capturar bem a atmosfera de medo provocada pelo assassino neste jogo

A jogabilidade é então a de um jogo de aventura clássico point-and-click, na medida em que temos de falar com várias personagens e interagir com diversos objectos de forma a progredir na história. No entanto o jogo apresenta alguns conceitos fora do comum. Tinha-me queixado que não gostei muito do inventário e interface geral no primeiro jogo, as coisas aqui mudaram um pouco, embora continuem a não ser perfeitas na minha opinião. O inventário em si é composto por 16 quadradinhos. Cada item que podemos coleccionar ocupa entre 1 a 16 quadrados, pelo que devemos gerir o inventário com algum cuidado. Ao longo da casa existem diversos locais onde podemos armazenar os itens excedentes, mas como isto não é o Resident Evil onde os baús são mágicos, aqui temos mesmo de memorizar onde deixamos os outros items anteriormente. E isto espalhado por uma casa gigante, repleta de salinhas e passagens sinuosas acaba por ser um pouco aborrecido por vezes ter de percorrer imenso só para ir buscar um item a um armário. Isto porque a movimentação infelizmente não é a melhor também. Faz-me lembrar um Resident Evil clássico com os tank controls substituidos pela movimentação point-and-click, que, com a transição de ângulos de câmara é por vezes confusa.

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O kit de análise forense do FBI que Victoria carrega, com todas as ferramentas que podemos utilizar

Victoria e Paloma têm algumas peculiariadades na sua jogabilidade também. Victoria possui um kit de análise forense do FBI repleto de diversas ferramentas que serão úteis no decorrer do jogo: pó para identificar impressões digitais, um leitor 3D das mesmas, pinças e “cotonetes” para recolha de objectos, sangue, ou otros fluídos para análise, um microscópio portátil, entre outros. E durante o jogo teremos de fazer mesmo muitas destas análises e o que era interessante nas primeiras vezes, acaba por se tornar mecânico com o decorrer da aventura. Victoria possui ainda um telemóvel que lhe permite fazer chamadas, ou registar ficheiros que vamos recolhendo. Paloma tem algo semelhante, um gravador de repórter, onde também regista alguns dados. Neste jogo também é possível as personagens morrerem. Num certo ponto da história teremos armadilhas para desarmar, armadilhas essas que nos poderão matar. Felizmente existem alguns medkits que poderão ser utilizados nessas situações. As outras consistem em tanto Victoria como Paloma escaparem das armadilhas preparadas pelo assassino. Existe um contador no canto superior direito do ecrã que nos indica o tempo disponível para nos safarmos dessa situação, geralmente resolvendo alguns puzzles sob pressão. É aqui que entra a influência dos filmes Saw neste jogo.

Para um jogo de 2009, os seus gráficos deixam um pouco a desejar, não sendo muito melhores que os do primeiro jogo. Ainda assim, não deixou de ser minimamente competente nesse campo. As cutscenes em CG têm uma boa qualidade e conseguem transparecer muito melhor as emoções transmitidas pelas personagens do que os diálogos normais propriamente ditos. O voice acting, tal como os outros 2 jogos da série têm os seus altos e baixos, por vezes os diálogos são mesmo bons e o acting também, outras vezes é só o acting que falha um pouco e ainda outras vezes ouvimos algumas one-liners muito fatelas. Já a música tende a ser muito tensa, embora por vezes entre em momentos que não deveria. Por exemplo, quando entramos pela primeira vez numa determinada sala muito macabra, entra uma música algo tenebrosa a acompanhar, o que até faz todo o sentido. No entanto, depois de já estar essa sala toda explorada e mais que explorada, o factor medo ou surpresa já não entra na equação, mas a mesma musiquinha lá volta a tocar sempre que lá entremos.

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O assassino antes de matar as vítimas tortura-as com jogos macabros, tal como Saw

No fim de contas acho Still Life 2 um bom jogo de aventura, para quem gostar de uma história matura, com crimes violentos para resolver, e uma história repleta de plot-twists. A jogabilidade ainda poderia ser um pouco melhorada, o jogo continua com alguns defeitos (para mim o pior continua a ser a má optimização do jogo nos PCs), mas esses defeitos não retiram a diversão que o jogo acaba por proporcionar.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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