Tomb Raider: The Last Revelation (Sony Playstation)

Tomb Raider The Last Revelation

Tomb Raider: The Last Revelation, ao contrário do que o nome indica, está longe de ser o último jogo da longa saga que conta as aventuras de Lara Croft e, spoiler alert para os que estão quase 15 anos atrasados no tempo, era suposto Lara morrer no final deste jogo. A série Tomb Raider era na altuma uma espécie de Call of Duty dos dias de hoje, com um jogo novo a cada ano, sempre utilizando as mesmas mecânicas de jogo, mas que no entanto tinha sempre bastante sucesso. A minha cópia do jogo foi comprada há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado 4€, e estando completa e em bom estado.

Tomb Raider The Last Revelation - Sony Playstation

Jogo completo com caixa e manual

Ao contrário dos outros Tomb Raiders até à data, desta vez não temos um nível tutorial que decorre na mansão de Lara Croft ou nos seus exteriores. Existe um tutorial sim, mas serve de prelúdio à aventura principal. Este coloca Lara, na sua adolescência, a aventurar-se com o seu mentor Werner Von Croy, na busca de um artefacto misterioso. É aí que vamos aprendendo a movimentar Lara e executar os seus diferentes saltos e habilidades. Mais tarde somos então largados na aventura principal, colocando Lara nos túmulos de Set, onde adquire um talismã misterioso e inadvertidamente liberta o espírito maligno de Set pelo Egipto. Depois de ter feito essa borrada, temos então de remediar essa situação, viajando por outros monumentos e localidades egípcias em busca de uma maneira de selar novamente Set. Para além de criaturas sobrenaturais e as armadilhas do costume, Lara tem ainda de evitar um grupo de mercenários liderados por Von Croy que pretende ficar com o amuleto de Set para si mesmo.

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O bonito ecrã título

Infelizmente, jogando um dos primeiros 5 Tomb Raiders para a PS1, é como se os tivessemos jogado todos. A jogabilidade travada com os tank controls, os saltos precisos, os puzzles de mexer uma alavanca num sítio que abre uma porta no outro lado do nível infestado de armadilhas estão todos aqui presentes. Lara herda as mesmas habilidades dos jogos anteriores, tal como o sprint temporário ou a possibilidade de se agachar, mas também ganha algumas novas habilidades, como a capacidade de se balancear em cordas, ou disparar algumas armas na primeira pessoa (as que usam mira telescópica). O inventário também foi alterado, deixando de ser o sistema em anel, para um em linha, onde agora podemos combinar alguns items ou mesmo armas. Lara pode também conduzir veículos mais uma vez, e neste jogo existem alguns segmentos em que vamos precisar e bem deles, nem que seja para dar uma de “Carmageddon” em alguns inimigos, ou alcançar outras zonas que de outra forma não seria possível.

Os níveis vão sendo apresentados de uma forma mais encadeada, onde podemos por várias vezes revisitar alguns níveis anteriores. Podemos não, devemos. Neste jogo o backtracking que a série já era conhecida foi expandido de forma a que ao mover uma alavanca num nível, uma porta poderá se abrir num outro nível anterior. Isto para mim é um bocado chato pois por muitas vezes os níveis são labirínticos e nem sempre é fácil memorizar tudo direitinho. Mas isso já é normal nestes primeiros jogos da série.

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O primeiro nível serve de tutorial, e jogamos com uma Lara adolescente

Graficamente o jogo recebeu um facelift, obviamente bem mais perceptível para quem jogar a versão PC com uma resolução maior. Mas mesmo no hardware da Playstation nota-se que Lara está mais curvilînea, os inimigos também estão mais detalhados e as próprias animações foram melhoradas, assim como alguns efeitos especiais, como a àgua e iluminação. Infelizmente, com o jogo a decorrer apenas no Egipto (embora em localidades diferentes como o Vale dos Reis, as grandes pirâmides ou Alexandria), há uma pouca variedade de cenários, comparando com os jogos anteriores onde tanto estavamos na neve, como em selvas ou desertos. Na segunda metade do jogo, quando as coisas na história começam a ficar mesmo más, os cenários vão sendo cada vez mais escuros, coisa que sinceramente não me agradou muito. Infelizmente ainda assim esta engine já começava mesmo a mostrar a sua idade. Embora não esteja a ver a PS1 a fazer níveis 3D não “quadrados”, para mim a série teria tido mais a ganhar se passasse a utilizar uma engine menos restritiva, mesmo na questão dos controlos como já referi atrás. As cutscenes em CG já são outra história, estas aqui têm uma óptima qualidade para a altura.

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Existe uma grande variedade de inimigos, muitos deles sobrenaturais.

Em relação ao som, tal como os jogos anteriores, Tomb Raider é um jogo contido. Na maior parte do tempo vamos ouvindo música mais atmosférica, e nos momentos de maior espanto quando entramos numa área nova, ou resolvemos um puzzle, as habituais bonitas melodias vão surgindo. Nos momentos de maior tensão também vão ter músicas mais aceleradas, como seria de esperar. Os efeitos sonoros apesar de manterem a mesma matriz que caracteriza os primeiros jogos da série foram alterados na sua maioria e o voice acting está completamente OK, na minha opinião.

No fim de contas este é um jogo que para mim é uma espécie de divisor de águas. Enquanto uns o acharam muito bom, para mim é aqui que a curva começa a ficar descendente. Por um lado possui umas cenas de acção bem conseguidas, mas por outro, mantém a mesma jogabilidade que já estava a ficar moribunda, e aumentando ainda mais o backtracking de forma a visitar níveis anteriores. Mas a saga não se ficou por aqui e Tomb Raider Chronicles acabaria por sair ainda com este motor gráfico no ano seguinte, antes de a série se ter finalmente revolucionado. Mas isso será tema para um artigo futuro.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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