Rise of the Triad (PC)

rottRise of the Triad é um FPS da velha guarda lançado pela Apogee, que contou com Tom Hall (uma das mentes criativas dos clássicos seminais do género Wolfenstein 3D e Doom) na sua equipa de desenvolvimento. Sempre achei que foi um jogo que passou debaixo do radar de muita gente, mas certamente não terá passado ao lado de todos, pois saiu neste ano para PC também, uma espécie de remake/reboot que infelizmente ainda não tive a oportunidade de experimentar. De qualquer das formas este jogo aqui foi comprado no mês passado na feira da Ladra em Lisboa, pela módica quantia de 1€. É uma versão que pelos vistos saiu no Jornal de Notícias há uns valentes anos atrás, não é a edição retail normal, mas também serve.

Rise of the Triad - PC

Jogo com caixa jewel case e instruções de instalação no inlay

A primeira curiosidade deste jogo é que estava para ser uma sequela do clássico Wolfenstein 3D, não é por acaso que é utilizado o mesmo motor gráfico (embora com muitos melhoramentos), e a presença de armas como a metrelhadora MP40 ou o revólver Walther PP, ou mesmo algumas fardas que lembram uniformes nazis foram mantidas no jogo. No entanto, por algum motivo decidiram que o jogo decorresse nos tempos modernos, onde podemos encarnar num de vários elementos de um esquadrão de elite chamado H.U.N.T.. Ora esses meninos foram para a ilha de San Nicolas, no Oceano Pacífico, relativamente perto de Los Angeles, para investigar as actividades de um culto obscuro. Quando lá chegam descobrem que planeiam destruir a cidade de LA e o resto não é difícil de adivinhar.

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Podemos jogar com 1 de 5 personagens diferentes, cada com os seus “stats”

Apesar de ROTT ser um jogo linear, em que temos de ir do ponto A ao ponto B, procurando  pelo meio chaves que nos abram outras secções e matando tudo o que mexa, tem várias peculiaridades. Em primeiro lugar, pelo extenso arsenal à nossa disposição porém, este é dos primeiros FPS que nos limita o inventário. Podemos carregar apenas 4 armas, sendo as 3 primeiras um revólver, 2 revólveres ao mesmo tempo ou a metrelhadora MP40, todas estas armas com munição infinita. O último slot é reservado aos vários tipos de armas mais “pesadas” ou mesmo mágicas, capazes de dizimar com mais facilidade grupos de inimigos. E dessas armas pesadas temos diversos tipos de rocket launchers, como heat seekers, os drunk missiles que disparam 5 de cada vez, ou outros que após tocarem no chão geram uma enorme parede de chamas. Power-ups é coisa que também não falta, desde variados tipos de armaduras e outros que tanto podem ser benéficos (mercury mode para voar, god e dog para invencibilidade) como nos podem atrapalhar e bastante a vida – cogumelos alucinogéneos ou o elastomode, que practicamente nos transforma numa bola de pinball, dificultando bastante a movimentação. E a atenção dada a estes power-ups é impressionante. Por exemplo, no god mode assumimos literalmente o papel de um deus, cuja única arma é a sua mão divina, que dispara bolas de energia teleguiadas que literalmente vaporizam os inimigos. Em dog mode, passamos a ser um cão também invencível, que ladra e morde, matando os inimigos com um só hit também.

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Sim, algumas armas são mesmo propositadamente ridículas

Para além do mais o jogo herda elementos de platforming, desde as tais plataformas onde podemos saltar, ou mesmo os “ankhs” que podemos colectar e a cada 100 ganhamos mais uma vida. É uma decisão estranha, pois podemos também fazer save e load a qualquer momento do jogo. Ainda assim, ROTT possui mais algumas peculiaridades: os inimigos são bem mais matreiros, alguns fingem-se mortos para nos emboscar posteriormente, outros ainda nos conseguem roubar as armas. O modo “campanha” é o tradicional, um conjunto de níveis com alguns bosses intercalados. Os níveis são bastante largos e repletos de armadilhas, objectos que podemos destruir e passagens secretas para explorar. Infelizmente, ao serem bastante largos e labirínticos podemos passar um bom tempo a vaguear pelos mesmos sem nos recordarmos onde estava aquela chave, ou a porta que ainda não tinhamos explorado.

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O mapa apesar de não ser tão funcional assim, é extremamente útil em níveis mais avançados

Mas ROTT tinha também expandido as vertentes multiplayer face aos seus rivais: desde o tradicional deathmatch e variantes, um modo “hunt” onde como o nome indica, há um jogador que toma o papel de presa e os restantes de caçador, um capture the flag, entre outros. Devo dizer também que para além de ROTT suportar até 11 jogadores em simultâneo, o que era muito bom para a altura, tem também um bom nível de customização destas partidas multiplayer, para além de ser o primeiro jogo da Apogee/3DRealms a suportar a característica “Remote Ridicule”, que consistia em enviar clips de voz para os outros jogadores, ou mesmo suportando microfones. Claro que isto só deveria resultar bem em LANs, tendo em conta as capacidades de rede da altura.

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Existem vários perigos e armadilhas nos próprios níveis, que tanto nos podem atingir a nós como aos inimigos

Falando nos pontos mais técnicos, é notório que ROTT utiliza uma versão mais avançada do motor gráfico do Wolfenstein 3D, pois apesar dos níveis serem largos, consistem na mesma em paredes com ângulos de 90º e “tectos” ao mesmo nível, apesar de existirem algumas zonas que sirvam de plataformas ou “level over level“. Para além disso, existem níveis exteriores com imagens de fundo, tal como foi implementado no Doom. Os inimigos apesar de não existirem em grandes variedades, sempre me pareceram melhor detalhados que os do Doom. ROTT era também um jogo bastante violento, onde nas opções podemos inclusive regular o nível de gore, desde nenhum sangue, até explosões sangrentas onde vemos vísceras a voar por todos os lados. Os efeitos sonoros estão OK para a época, assim como as músicas em MIDI. Não são tão nostálgicas como as de Doom, mas cumprem bem o seu papel.

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O jogo está cheio de mensagens com humor negro

No fim de contas, o enorme nível de violência de ROTT para a sua altura, culminando com um ritmo de jogo bastante rápido, todas aquelas armas e powerups insanos, tornam Rise of the Triad num FPS que por um lado não se leva muito a sério, mas é bastante agradável de se jogar em períodos relativamente curtos. Quando tentamos levar uma maratona de ROTT, os seus níveis muito “quadrados”, grandes e labirínticos já podem tornar a coisa um bocado mais chata. Pelo menos este “feeling arcade“, gore e humor negro pareceram-me tomados em conta no remake/reboot que foi lançado neste ano e ainda não tive a oportunidade de jogar. Mas não deverá estar para muito tarde.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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