Castlevania Dracula X Chronicles (Sony Playstation Portable)

Castlevania é uma das séries mais famosas dos videojogos, com o confronto entre os Belmont e Dracula a atravessar vários séculos de história. Antes do reboot que a série sofreu com o Lords of Shadow, um dos lançamentos mais interessantes foi este Dracula X Chronicles, um remake do conhecido jogo de PC-Engine (Rondo of Blood) e SNES (Dracula X), repleto também de conteúdo bónus para os fãs, incluindo uma conversão da versão original de PC-Engine do Rondo of Blood e do clássico absoluto Symphony of the Night. Este artigo irá incidir-se apenas no remake do Dracula X, e um pouco no jogo original. Para o Symphony of the Night (que por acaso esta versão também herda algum do conteúdo outrora exclusivo da conversão Sega Saturn), falarei assim que tiver o jogo original na colecção, pois merece sem dúvida um artigo próprio. Este jogo entrou na colecção durante o ano passado, tendo sido comprado numa Worten por 9.90€. É a versão Essentials, é certo, mas entre dar 10€ por esta versão e um balúrdio pela black label preferi optar por esta. Update: acabei por trocar o essentials por uma versão black label encontrada por 5€ na cash converters de Benfica. Mas ainda reaproveitei o manual.

Jogo com caixa, papelada e manual

A inclusão do Symphony of the Night como bónus deste jogo não é inocente, pois é uma sequela directa deste Rondo of Blood que coloca Richter Belmont no caminho de Dracula. À boa maneira do Super Mario Bros, Shaft, um feiticeiro ao serviço de Dracula raptou Anette, a amada de Richter e planeia usá-la num ritual qualquer. Se o regresso do Dracula não fosse razão suficiente para um Belmont que se preze agarrar no seu chicote vampire killer e fazer-se à estrada, com o rapto de Anette as coisas ainda se tornam piores. Por meio do caminho podemos libertar a pequena Maria Renard, irmã de Anette, que insiste em ajudar Richter e passa a ser personagem jogável. Para além de Maria, podemos também libertar mais algumas personagens que nos recompensam com diferentes habilidades que podem ser utilizadas para alcançar algumas localizações antes inacessíveis e desbloquear segredos. Apesar de no Castlevania 3 para a NES já ter havido alguma não-linearidade, aqui as coisas são levadas a um outro patamar, existindo imensas passagens secretas para descobrir, caminhos alternativos a tomar e diferentes finais que poderemos obter. Para obter o melhor final é mesmo necessário descobrir muitas destas passagens secretas, pois temos mesmo de resgatar Maria e restantes raparigas antes de enfrentar Dracula. É certo que a não linearidade foi explorada muito melhor em Symphony of the Night e nos Metroidvanias que lhe seguiram, mas nota-se bem os primeiros passos aqui dados.

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Maria é uma personagem que podemos e devemos desbloquear

De resto, a jogabilidade é idêntica aos Castlevania da velha guarda, com Belmont a poder utilizar o chicote apenas numa direcção, os saltos sem nenhum controlo extra, e para além do chicote podemos também utilizar uma de diversas armas secundárias que por sua vez podemos encontrar no castelo, ao destruir as velas espalhadas pelos níveis. Cada uma dessas armas secundárias tem diferentes utilidades, por exemplo as facas são disparadas na horizontal, os machados em arco, há uma cruz que tem um efeito boomerangue, entre outros. Assim sendo, devemos escolher a arma secundária sempre tendo em conta os inimigos e os bosses que enfrentamos. Claro que as “munições” para estas armas são sempre os coraçõezinhos que encontramos ao destruir as velas também. Já Maria tem uma jogabilidade um pouco diferente de Richter. Os seus estranhos poderes permitem-na invocar animais, pelo que os ataques normais dela consistem em pombas lançadas na horizontal com um alcance limitado. Sim, pombas. As “armas” secundárias são então outros animais que, tal como as armas utilizadas por Belmont têm padrões diferentes e devem ser utilizadas com alguma estratégia.

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Antes de cada boss vemos uma pequena cutscene

Mas é no aspecto gráfico que se notam as maiores diferenças entre este Dracula X Chronicles e o original. Influenciados talvez pelo Ultimate Ghouls ‘n Goblins lançado pela Capcom também para a PSP, o jogo embora mantenha a sua jogabilidade de um sidescroller 2D, possui as personagens e todos os cenários inteiramente modulados a três dimensões. E bom, enquanto a maior parte da crítica aplaudiu esta mudança, eu preferia de longe que o jogo continuasse inteiramente 2D. A PSP embora tenha capacidades de gráficos tridimensionais largamente superior à concorrente da Nintendo, os mesmos não chegam sequer ao nível dos da PS2 e, com os belos artworks que os Castlevania 2D foram recebendo nos últimos anos, para mim seria uma aposta muito melhor. Ao ver os belos gráficos 2D que a PSP consegue reproduzir, acho que o jogo ficaria bem mais bonito mas, até compreendo que a PSP precisasse de se sobrepor à Nintendo DS mostrando as suas mais valias técnicas. As músicas, bom essas não tenho mesmo nenhuma razão de queixa, pois são excelentes e completamente memoráveis. O voice acting é que é lamentável, mas ainda assim me parece ser um piscar de olhos aos fãs do que propriamente um “mau serviço propositado”. Isto porque a qualidade dos diálogos para além de ser questionável, a sua interpretação e também gravação deixam muito a desejar. No entanto isto remete-nos logo para os diálogos de Symphony of the Night, e os de muitos outros jogos da era 32bit ou ainda mais antigos, para outras consolas com suporte a CD. É mau, mas mau num sentido nostálgico.

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Sou o único que detestou este gajo?

Voltando então muito brevemente ao conteúdo bónus deste remake, nos locais secretos podemos encontrar músicas que posteriormente podemos utilizá-las no Sound Assign, onde escolhemos a música que quisermos ouvir num determinado nível. Também escondidos estão os outros 2 jogos. O original Castlevania Rondo of Blood da PC-Engine, que mantém todo visual retro do jogo e o clássico Symphony of the Night. Este último é baseado obviamente na verão PS1, embora com algumas ligeiras diferenças e incorporando também algumas coisas exclusivas da versão Sega Saturn do mesmo jogo, nomeadamente a Maria como personagem jogável. Infelizmente os níveis extra da versão Saturn não foram aproveitados. Mas como essa conversão foi também alvo de críticas por parte da equipa criadora original do Symphony of the Night, era de esperar que essas “novidades” fossem ignoradas. Felizmente não foram todas.

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Podemos jogar o Rondo of Blood para a PC-Engine em inglês pela primeira vez,

Concluindo, Castlevania Dracula X Chronicles é um óptimo lançamento para a primeira portátil da Sony. A versão do Dracula X que saiu para a Super Nintendo é muito diferente, tanto a nível da história, como de estrutura dos níveis (mais simplificada), que o original da PC-Engine e sendo assim, este jogo é uma óptima maneira de dar a conhecer aos fãs ocidentais de Castlevania o excelente jogo da PC-Engine. Tanto através deste remake com gráficos 3D, como da inclusão do jogo original, para quem prefere coisas mais retro. E a inclusão do Symphony of the Night, um jogo que por si só já é bastante caro no mercado do coleccionismo, torna este pacote numa excelente solução low cost para quem quiser jogar o Castlevania que revolucionou completamente a franchise.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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3 respostas a Castlevania Dracula X Chronicles (Sony Playstation Portable)

  1. Só por curiosidade Ivo, que PSP é que tens? A versão 1000, 2000 ou 3000? É que este jogo tem um efeito de ghosting muito aparente nas versões 1000 e 2000. Também é verdade que dou mais atenção ao Symphony of the Night, mas ainda assim parece que é exagerado comparado com outros jogos, não sei bem porquê. E ainda assim a versão original PSX do SotN parece ser um bocado menos desfocada que a incluida no jogo. De qualquer forma, Castlevania é Castlevania 😛 se bem que concordo contigo, uma das razões porque ainda gosto de jogar esta série é pelos sprites detalhados. É pena não existirem conversões dos jogos da DS para a PSP.

    • cyberquake diz:

      Tenho uma 3000 e qq coisa. É normal a versão PS1 ser menos “desfocada”, pois eles aqui tentaram adaptar o jogo ao ecrã “widescreen” da PSP…

  2. Pingback: Várias actualizações | GreenHillsZone

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