Mystery Dungeon: Shiren the Wanderer (Nintendo DS)

925583_99992_frontA série Mystery Dungeon (Fushigi no Dungeon em terras do Sol Nascente) é uma longa série de RPGs roguelikes (mais informação sobre isto nos parágrafos seguintes), desenvolvida pela Chunsoft e abrangendo também várias franchises de videojogos. O primeiro jogo da série,  Torneko no Daibōken: Fushigi no Dungeon, foi lançado para a Super Famicom, incluindo personagens do Dragon Quest IV (nomeadamente o vendedor Torneko). Este é o segundo jogo da série, conhecido por aqui como Mystery Dungeon: Shiren the Wanderer, tendo sido o primeiro a possuir personagens próprias da Chunsoft, lançado originalmente para a Super Famicom, posteriormente para a Gameboy Advance, com ambos os lançamentos no Japão apenas. Até que em 2006 este jogo foi alvo de mais um remake para a Nintendo DS, chegando ao ocidente dois anos depois por intermédio da Sega. Para além dos jogos baseados no Shiren, os restantes são baseados em diversas franchises como os já referidos Dragon Quest, os Chocobos de Final Fantasy ou Pokémon. Este jogo em particular entrou na minha colecção através das recentes promoções da FNAC, onde diversos videojogos e acessórios estiveram com preços entre o 1 e 5€. Este jogo custou os 5€, tendo ficado naturalmente esquecido numa prateleira da FNAC de Alfragide.

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Jogo completo com caixa, manual e papelada

Este género de jogos não costumam dar muita importância à história, ao contrário de outros RPGs, é a jogabilidade que melhor os caracteriza. Mas possui uma história ligeira, onde encarnamos no aventureiro Shiren e seu animal falante que partem à descoberta de uma cidade mística cujas lendas falam de imensos tesouros, no topo do planalto da “Table Mountain”. O que separa Shiren do seu objectivo é um conjunto de 30 dungeons, e é aí que entra o gameplay.

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Nas aldeias que vamos passando, podemos ir falando com vários NPCs e comprar itens em lojas

Basicamente este género de jogos são apelidados de “roguelike” precisamente por serem influenciados por um velhinho jogo de computador, com “gráficos” ASCII chamado Rogue. Esse jogo era caracterizado por largar o jogador numa série de dungeons labirínticas geradas aleatoriamente, acções definidas por turnos e morte permanente. É um modo de jogo bastante sádico e este Shiren the Wanderer apresenta um grau de dificuldade bastante grande, comparando com outros roguelikes que cheguei a jogar. Basicamente pensem que cada dungeon é um enorme tabuleiro de xadrez gerado aleatoriamente e povoado por dezenas de inimigos. Cada acção tomada pelo jogador, seja mover-se um “quadradinho” para o lado, atacar, utilizar um item é considerada um turno, sendo que a cada turno que passa, a inteligência artificial do jogo toma também as suas decisões, geralmente movimentando e/ou atacando todos os inimigos ao mesmo tempo. Os inimigos não são pêra-doce, mesmo nas primeiras dungeons, e se o jogador não tiver cuidado, é bastante frequente vermo-nos rodeado de inimigos e morrer em dois ou 3 turnos. Para além do mais existem imensas armadilhas espalhadas pelos cenários, que tanto nos podem tirar dano físico, como paralisar, envenenar, adormecer, cegar, entre outros “status ailments” que nos dificultarão e de que maneira a vida. O que acontece quando morremos? Bom, podemos já estar na última dungeon, a custo de muito suor, sangue e lágrimas, mas se morremos teremos de recomeçar do zero, perdendo todos os items equipados e com o nível da personagem a fazer um reset para nível 1. Bonito serviço.

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Através de algumas sidequests, podemos depois “recrutar” alguns NPCs para nos ajudarem, como este.

No entanto, ao longo da aventura vamos visitando algumas localidades que nos permitem armazenar alguns items em armazéns. Assim após morrermos, quando voltamos a visitar essa mesma aldeia podemos recuperar os items que lá foram guardados. Existe ainda uma outra maneira de não perdermos nada (para além de utilizar um item extremamente raro para nos ressuscitar). Através de um sistema de passwords ou mesmo utilizando o sistema Wi-Fi da Nintendo, é possível pedir a um amigo com o mesmo jogo que se aventure no “nosso” mundo e nos resgate. Claro que isto também é uma operação complicada e muito arriscada. Para além disso, o jogador apenas pode ser resgatado 3 vezes, na quarta é game over certo.

Este sistema de jogo é de facto muito sádico, mas onde há muitas maneiras de morrer, por outro lado também existem dezenas e dezenas de diferentes itens que poderemos obter, e a chave para o sucesso está em adoptar as melhores estratégias possíveis para cada situação, dando o melhor uso possível dos itens que temos, armas, e os cenários. Por exemplo, encurralar os monstros num corredor estreito de forma a lutar com um de cada vez é bem melhor que estar rodeado deles. Morrer neste jogo é frequente, o segredo está também em ir guardando alguns itens úteis nas warehouses das várias localidades para os usar futuramente e acima de tudo ter muita sorte. Para além da história normal, existem também algumas sidequests que poderemos jogar, que nos desbloqueiam novos companheiros na nossa viagem para nos auxiliar no combate, ou mesmo explorar outras dungeons ainda mais desafiantes que as do jogo normal, oferecendo porém recompensas maiores.

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Existem algumas scrolls que dão bastante dano numa área grande. Saber utilizar da melhor maneira os imensos itens que podemos encontrar é crucial

Graficamente o jogo não evoluiu assim tanto face ao original da Super Nintendo, adicionando porém algumas cutscenes em CG que tiram partido dos 2 ecrãs da Nintendo DS. De resto parece-me o mesmo jogo da Super Famicom, com visuais tradicionais de qualquer RPG da era 16-bit. Por um lado, visto este já ser segundo port/remake que este jogo sofre, seria um atractivo que tivessem melhorado os gráficos ao nível de outros RPGs em 3D que a DS possui na sua biblioteca. Ainda assim, tendo em conta o subgénero do roguelike, e os ecrãs reduzidos da portátil da Nintendo, até compreendo que seja preferível ter mantido as coisas como estão. Infelizmente não dei a devida atenção aos efeitos sonoros e música do jogo, pelo que não vou comentar este aspecto.

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Ficar encurralado, a menos que tenhamos um às na manga é morte certa.

Para concluir, tenho a dizer que este Mystery Dungeon definitivamente não é um jogo para todos os públicos. Os roguelikes por si só já são jogos bastante desafiantes e certamente não agradam a toda a gente, mesmo fãs de RPGs. Pelo que me apercebi, os “Mystery Dungeons” da série Shiren são bem mais complicados que outros dos mesmos produtores, como os da série Dragon Ball e Pokémon, o que até se compreende. Dos poucos roguelikes que joguei (uma meia-dúzia deles), este é dos mais sádicos pela sua curva de dificuldade, no entanto dá também muitas liberdades de escolha para diferentes estratégias, pelo que para as 3 pessoas que leram este artigo e são fãs de roguelikes, este é certamente um jogo a experimentar.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em DS, Nintendo, SEGA. ligação permanente.

2 respostas a Mystery Dungeon: Shiren the Wanderer (Nintendo DS)

  1. E já acabaste isto ou é projecto a longo prazo? Desconhecia por completo o jogo mas já vi que é coisa que não me vou meter, está no mesmo patamar dos Demon/Dark Souls e a minha pessoa não aguenta perder assim. x)

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