Ultima I: The First Age of Darkess (PC)

Vamos agora escrever sobre algo do período Triássico no que diz respeito aos videojogos e RPGs em particular. Fruto da imaginação de Richard Garriot, ou pelo nome que é mais conhecido – Lord British – Ultima é uma das primeiras séries de RPGs a serem criadas, influenciando bastante toda uma indústria principalmente na década de 80, ao lado de outras séries como Wizardry. Embora tecnicamente este não seja o primeiro jogo da série (esse título iria para o Akalabeth: World of Doom lançado num ano antes, em 1979/1980). Ultima I: The First Age of Darkess, tal como muitos outros jogos da série viu o seu primeiro lançamento no computador Apple II em 1981, chegando ao MS-DOS apenas muitos anos depois. Ainda assim, ao longo da década de 80 o jogo recebeu inúmeras conversões para outros computadores ao longo do planeta, como os Atari, Commodore 64 e diversos computadores japoneses entre os quais o MSX2. A minha versão do jogo chegou-me às mãos numa das feiras do site GOG algures no ano passado, onde comprei a série por inteiro (pelo menos os jogos principais) por uma bagatela.

Ultima I - PCA versão aqui analisada é então a versão MS-DOS lançada em 1987. Em primeiro lugar, uma das coisas que desde cedo diferenciou a série Ultima das demais é o facto de a personagem principal ser o próprio jogador, sem tirar nem por. Nos primeiros jogos somos tratados por “Stranger from another world”, sendo que a partir do Ultima IV salvo erro já somos conhecidos por “Avatar”. Neste jogo, e penso que em todos os outros, somos “recrutados” pelo próprio Lord British, rei lá do sítio, para viajar ao seu mundo e derrotar o poderoso feiticeiro Lord Mondain, que já tinha aterrorizado anteriormente o mundo de Sosaria em Akalabeth. Acontece que derrotar Mondain não será nada fácil, já que ele possui um artefacto que o torna imortal e invulnerável a qualquer tipo de ataque, seja físico ou mágico. Então como fazer? Voltar atrás no tempo e derrotar Mondain antes de ele vir a possuir a Gem of Immortality. Mas para isso temos antes de cumprir umas certas quests de cada um dos 8 Reis disponíveis, de forma a obter cada Gem para construir a tal máquina do tempo. Ah, e entretanto há viagens no espaço também.

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Onde tudo começa. À esquerda uma cidade e um castelo com o Rei da região e sua nobreza

Inicialmente somos convidados a criar a nossa própria personagem, escolhendo uma de 4 raças disponíveis (Human, Elf, Dwarf e Bobbit) em seguida da classe (Fighter, Wizard, Cleric e Thief), o que resulta em diferentes atributos. Logo depois somos largados no mundo de Sosaria, perto do castelo British e da cidade Britain. Na cidade temos acesso a diversas lojas desde para comprar armas, equipamento, comida e meios de transporte, bem como um pub onde nos podemos embebedar e ouvir rumores. Interessante que mesmo este sendo um dos primeiríssimos RPGs já nos permite tentar a nossa sorte e reoubar os items aos vendedores. Depois resta-nos explorar o mundo de Sosaria, as suas cidades e castelos (muitas vezes necessitando de bons meios de transporte para localizações de outra forma inacessíveis), bem como as suas dungeons, jogadas numa perspectiva de primeira pessoa.

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As cidades possuem diferentes lojas e personagens

Infelizmente, os controlos não são nada intuitivos. Para cada tipo de acção, uma tecla terá de ser pressionada (ou às vezes mais que uma ao mesmo tempo). Falar, comprar, equipar, montar em transportes, entrar em edifícios, atacar, usar magia entre muitas outras acções têm teclas próprias para o efeito, o que para quem não estiver preparado a jogar algo tão arcaico será um problema. O grinding é também algo que é constante. Tanto no overworld, visto de cima, como nas próprias dungeons, os inimigos vão surgindo de constantemente no ecrã de forma aleatória, pelo que no início é muito natural morrer. Uma boa técnica é esgueirarmo-nos até à primeira dungeon um pouco a nordeste da nossa posição inicial e treinar lá. Isto porque cada vez que se sai de uma dungeon, o jogador recupera um determinado número de pontos de vida, sendo proporcional ao número de inimigos derrotados. Sendo assim é fortemente aconselhado perder-se uma horita, ou se calhar menos, a ganhar imensa experiência e pontos de vida apenas ao lutar contra os inimigos do primeiro andar da primeira dungeon, sair para fora, e repetir.

Convém também falar um pouco do estranho filler que colocaram neste Ultima, a exploração espacial. De forma a obtermos acesso à máquina do tempo, ainda há um derradeiro teste em que temos de prestar provas: tornar-se um Space Ace. Para isso, o jogador entra a bordo de um space shuttle e deve vaguear os confins do universo, derrotando no mínimo 20 naves inimigas que muito se assemelham aos TIE Fighters de Star Wars. Isto tendo também em conta os níveis de escudo da nave e seu combustível. É possível acoplar em algumas estações espaciais de forma a restabelecer os escudos e combustível, mas essa é uma operação cuidada. Em sectores do universo com naves inimigas, a perspectiva muda novamente para a primeira pessoa, onde temos de controlar uma mira que se move muito mais lentamente que as naves inimigas e destruí-las com raios laser. O porquê da introdução deste segmento no jogo é algo que para mim é mesmo um mistério.

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Este Orc não impõe lá muito respeito

Graficamente é um jogo bastante simples, e a versão original para o Apple II ainda mais simples era. Aqui o overworld tem um pouco mais de cor, embora não sendo nada do outro mundo para os padrões de 1987, ano em que a conversão para MS-DOS finalmente saiu. As dungeons têm detalhes mínimos, parecendo-se bastante com aqueles jogos baseados em vectores que também eram populares nos inícios da década de 80, ou finais de 70. Quanto ao som, o jogo não possui qualquer música, apenas alguns simples efeitos especiais.

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Este segmento no espaço é completamente desapropriado…

Concluindo, o Ultima I é um RPG bastante arcaico, porém lança as bases em que imensos RPGs ocideitais se vieram a influenciar ao longo dos anos (e mesmo os japoneses, também com o Wizardry). Apresenta mecânicas de jogo melhoradas e conceitos novos face ao Alakabeth, porém os controlos são ainda bastante rudimentares para hoje em dia, já para não falar nos gráficos primitivos. É uma peça de museu, mas ainda assim para os fãs de RPGs, os Ultima são jogos a ter em conta, quanto mais não seja pelo legado que deixaram ao longo dos anos. Lord British, I hail to thee.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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