Urban Chaos: Riot Response (Sony Playstation 2)

Urban Chaos Riot ResponseUrban Chaos: Riot Response é um videojogo da Rocksteady Studios (os mesmos que desenvolveram recentemente os Batman Arkham Asylum e City) lançado em 2006 para a Playstation 2 e Xbox original. Com um lançamento já algo tardio no ciclo de vida destas plataformas, acabou por ser um jogo que passou debaixo do radar de muita gente, o que é pena, visto ser um FPS de altíssimo nível (embora tenha as suas falhas). A minha cópia chegou-me às mãos algures durante o ano de 2012, tendo sido comprada na loja portuense TVGames e custando-me 6€, se a memória não me falha.

Urban Chaos Riot Response - Sony Playstation 2

Jogo completo com caixa, manuais e papelada. Infelizmente tem algumas etiquetas e marcas que algumas lojas teimam em fazer sabe-se lá porquê.

A história não tem nada de complexo. Encarnamos em Nick Mason, membro da polícia de intervenção T-Zero de uma qualquer grande cidade norte-americana. Inicialmente a população dessa cidade não gostou da grande despesa pública utilizada na criação de uma polícia tão fortemente armada, mas eis que uma grande vaga de criminalização surgiu por intermédio de um enorme gang armado – os Burners – que foram espalhando o caos e destruição e a intervenção dos T-Zero foi finalmente necessária. De resto a história vai evoluindo com outras teorias de conspiração que o presidente da câmara local ou outra grande empresa estariam por detrás do aparecimento dos Burners, mas nada de complexo.

Mas é na jogabilidade que este jogo marca realmente muitos pontos, misturando um pouco conceitos de FPS modernos com os da velha guarda e acrescentando um sabor em especial com toda a parafernália de uma polícia de choque urbana. O jogo está dividido em capítulos que decorrem em localidades diferentes da cidade. No que diz respeito aos conceitos modernos, eu diria que Urban Chaos: Riot Response os tem na medida em que cada nível é guiado por objectivos, está dividido por checkpoints, e possui uma interessante componente de co-operação com bombeiros e paramédicos. Podemos comandar um bombeiro de forma a desobstruir alguns caminhos, apagar fogos, ou carregar vítimas. Já os paramédicos (ou diria melhor a paramédica), pode ser comandada para prestar socorro a vítimas, ou providenciar primeiros socorros ao jogador. Ao contrário de muitos outros FPS modernos, este não tem um sistema de regeneração automático de vida, nem usa medkits encontrados ao longo do jogo. Terá de ser a paramédica a prestar os socorros ao jogador quando solicitada, podendo fornecer “painkillers” ou lá o que sejam por 3x ao longo do nível ou entre alguns checkpoints. Assim sendo é necessário jogar com algum cuidado pois recuperar a saúde nem sempre será possível. E para ajudar Nick Mason, podemos equipar um forte escudo policial, com que nos podemos proteger de virtualmente todo o fogo inimigo frontal. E é aqui que entra a vertente mais old-school ou mesmo arcade do jogo, a violência desenfreada. Ao contrário de outros jogos, não há um limite de armas que possamos carregar. Começamos inicialmente com uma pistola e nada mais, mas vamos adquirindo um arsenal mais vasto, desde shotguns, metrelhadoras, vários tipos de granadas e armas brancas/cocktails molotov utilizadas originalmente pelos Burners. Para além do arsenal mortífero, existem também algumas armas não letais, como tasers poderosos ou um tipo específico de granada não letal. E porque carga d’água é que haveriamos de querer utilizar armas não letais naquela bandidagem? Pelos objectivos secundários que cada nível possui e suas recompensas.

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Usar as armas dos Burners contra eles próprios por vezes pode ter este efeito.

Para além dos objectivos principais que levam à conclusão de cada nível, existem uma série de outros objectivos secundários que, uma vez obtidos, levam à atribuição de medalhas que por sua vez desbloqueiam outros goodies como novas armas e diversos upgrades às armas já existentes no arsenal de Nick Mason. Ora esses objectivos especiais consistem em neutralizar um certo número de bandidos em cada nível, obter uns quantos headshots, não morrer nenhuma vez no nível ou descobrir uma série de máscaras utilizadas pelos burners espalhadas ao longo de cada nível. Um outro objectivo especial que nem sempre é necessário é o de neutralizar um líder do gang de forma a obter novas informações que desbloqueiam níveis especiais, os ditos Emergencies. Estes níveis adicionais são essencialmente corridas contra o relógio, onde temos de cumprir os seus objectivos num determinado intervalo de tempo. Tanto os níveis normais, como emergências também têm as suas próprias medalhas para obter, em todos os diferentes graus de dificuldade, totalizando em 204 medalhas e imensos upgrades e novo material.

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Alternar rapidamente entre o escudo e a arma é muitas vezes a chave para alguns tiroteios mais apertados

Depois não posso deixar de referir a jogabilidade visceral que o jogo oferece. Os controlos são bons, com os analógicos a serem utilizados para movimentação e activar o ironsight, o direccionais para ordernar os nossos companheiros, os faciais para alternar entre armas de fogo, melee ou armas não-letais e por fim os botões de cabeceira para as armas e escudo. Apenas sinto falta de um botão para correr, é o que sinto mesmo falta num jogo tão caótico e frenético como este. Sim, porque os Burners acabam por aparecer em todo o lado, insultando-nos do piorio e atirando com cutelos do talho e cocktails molotov, coisa que nós podemos retribuir com carinho. Ou então mandar-lhes com o escudo policial na cara, mesmo com manda a lei. Por fim, enchê-los de chumbo, como é sempre agradável. Em algumas alturas matamos um bandido de uma forma mais aparatosa, o que é acompanhada um momento em câmara lenta. Infelizmente esse “charme” inicial vai desaparecendo, acabando por ser uma situação algo repetitiva. Outra mecânica de jogo interessante e que infelizmente também vai ficando repetitiva são as situaçõesde reféns. Por vezes encontramos um Burner que utiliza um inocente como escudo humano, atirando constantemente em nós e ameaçando para não nos aproximarmos. A táctica? Utilizar o escudo e ir perseguindo o bandido e refém lentamente, na altura em que o bandido precisa de recarregar, a acção passa a ficar momentâneamente em câmara lenta e temos de aproveitar esse espaço para disparar.

É engraçado ver as marcas das balas marcadas no escudo. Infelizmente ele é practicamente indestrutível, já que até aguenta com rockets

É engraçado ver as marcas das balas marcadas no escudo. Infelizmente ele é practicamente indestrutível, já que até aguenta com rockets

Há também algumas partes que me fizeram lembrar o saudoso Gunblaze N.Y. da Sega para as arcades, onde estamos a bordo de um helicóptero munidos de uma chaingun a arrebentar com tudo. Para além da campanha single-player o jogo oferece 2 modos multiplayer, mas infelizmente nenhum deles é o bom velho splitscreen. É então possível jogar com um total de 8 jogadores, sejam em partidas LAN sejam online. Algures no ano passado andei a passar a pente fino todos os jogos online que eu tinha de PS2 na altura, e este Urban Chaos ainda tinha os seus servidores activos, apesar de estarem vazios como é óbvio. Assim sendo não deu para experimentar nenhum dos modos de jogo disponíveis, e sinceramente nem sei do que se tratam pois não há nenhuma referência sequer no manual.

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Apresento-vos Lani York, a pivot do noticiário lá do sítio que nos vai actualizando a história ao longo do jogo

Graficamente não é o jogo mais bonito de sempre, apesar de a versão Xbox ser superior. O jogo peca neste quesito por ter bandidos e demais NPCs muito semelhantes entre si, para além dos próprios níveis serem algo repetitivos por serem sempre em ambientes urbanos. Mas isso seria algo que eu à partida já estaria a contar. Mas existe algo interessante nos audiovisuais do jogo, e isso está nas cutscenes. Antes de começarmos cada nível vemos um trecho de um noticiário do canal fictício Channel 7, gravado com actores reais, que nos vai pondo ao corrente do jogo e introduz o nível seguinte também. Depois as restantes cutscenes já são in-game, utilizando o próprio motor gráfico do mesmo. O voice acting é um pouco repetitivo ao longo do jogo, com toda a gente a utilizar constantemente as mesmas falas, já nas cutscenes em vídeo achei mais convicente, assim como os outros relatos de repórteres no final de cada nível. A música tem toda uma toada rock e a música que se ouve no ecrã título do jogo é perfeitamente adequada ao contexto.

No fim de contas, apesar de ser um jogo um pouco repetitivo em alguns aspectos, acho que é francamente um FPS bastante divertido e visceral, oferecendo também um bom desafio a quem quiser coleccionar todas as medalhas de forma a obter um arsenal cada vez mais imponente. É um jogo violento sem dúvida, mas também dá meios de o jogador optar por uma jogabilidade mais defensiva e não letal, se assim o desejar. Introduz ideias e mecânicas de jogo que achei muito interessantes e por todos esses motivos acho que é um jogo que deve ser jogado por todos os que se dizem fãs de first person shooters.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Urban Chaos: Riot Response (Sony Playstation 2)

  1. É Gunblade N.Y. 😉 Ainda não joguei este Urban Chaos, já está ali há uns meses no armário. Quando lhe pegar vai ser até ao fim.

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